Quinta-feira, Julho 9

O som que invade nossos ouvidos

Quando ando pelas ruas não presto muita atenção nas pessoas. Caminho sempre envolto em meus pensamentos e quase não noto o que se passa a minha volta. Mas de uns dias pra cá, tenho observado que para os poucos rostos que olho, há um fone de ouvido conectado ao ouvido. Claro, usar aparelhos de MP3, 4, 5... ipod... não é novidade. Por sinal, nas lojas de eletrônicos encontramos modelos cada vez mais baratos e modernos.

Também já vi vários textos questionando o uso abusivo desses aparelhinhos. Eles vão deixar esse pessoal com problemas auditivos. Todo mundo surdo por causa do excesso de som. Não somos dotados de mecanismos que resistam a tanto barulho.

Contudo, hoje me chamou atenção uma garota que compartilhou comigo o elevador. Ela parecia carregar duas caixas de som nos ouvidos. Talvez a jovem não tenha notado. Eu ouvi Michael Jackson como se estivesse num animado salão de festa. Não posso dizer que me senti desrespeitado (até gosto da música que tocava...). Mas confesso que me sentiria muito mais confortável se o ambiente não tivesse sido invadido pelo som alto do aparelho que a moça carregava em seus ouvidos.

Fato Pensado destaca importância do bom humor

Ouça aqui o programete desta quinta-feira

Música do dia

Faz tempo que eles não produzem nada relevante, mas os músicos do Novo Som já fizeram muita coisa bonita e que continua nos inspirando. Ouça a música que separei para esta quinta-feira.

Leitura do dia

O ânimo sereno é a vida do corpo, mas a inveja é a podridão dos ossos (Provérbios 14:30).

Bom dia... boa quinta-feira!

Terça-feira, Julho 7

A reverência e o celular na igreja


Texto do programete apresentado na Rede Novo Tempo

Falei no último programa que gostaria de tratar aqui de algo que considero grave: gente na igreja com aparelho de celular ligado e, pior, tocando. Bem amigo, particularmente, não consigo me acostumar... Celular tocando durante o culto me incomoda profundamente.

Tenho observado que em quase todos os programas da igreja tem celular tocando. O que acontece com esse povo? Levar o aparelho para o templo já é um enorme desrespeito. Mantê-lo ligado, uma agressão. Agora mantê-lo ligado sem estar no vibracall é algo que não consigo adjetivar.

Nossa ouvinte Lidiane entrou em contato com a gente através do nosso blog. Ela recordou que há 10 anos, quase ninguém tinha celular. E todo mundo vivia muito bem sem o aparelho.

A Lidiane também contou que, na igreja dela, foi necessário promover uma campanha para que os membros desligassem o celular. Mas ela também diz que a campanha não adiantou muita coisa... Às vezes, na hora da oração, tem celular tocando.

O que a Lidiane me escreveu vejo também em minha igreja. Recordo que no último sábado, enquanto o professor passava a lição bíblica, duas vezes ouvi o toque de celulares. Não foi um único aparelho. Foram dois num espaço de cinco ou seis minutos.

Reverência... Nosso povo tem faltado com a reverência a Deus. Tem gente que parece achar que está num clube. Conversa o tempo todo, desloca-se pelo templo sem a mínima preocupação em estar ou não tirando a atenção dos outros e, com a dependência doentia do celular, mantém o aparelho ligado durante o culto.

Sinceramente não sei o que essas pessoas fazem na igreja. Vão lá fazer o quê? Tenho certeza que não é adorar a Deus. O verdadeiro adorador é reverente. Logo, não levaria o telefone para a igreja. E se fosse imprescindível carregar o equipamento, teriam ao menos um pouco de bom senso: manteriam o celular no silencioso.

Cito apenas dois exemplos... Se você vai a uma entrevista de emprego e seu celular toca, certamente terá dificuldades para conquistar a vaga. É um ato de desrespeito com seu interlocutor. Se você via a uma audiência com um juiz, além de manter o celular desligado, procura vestir-se adequadamente e evita até movimentos bruscos. Por que na igreja é diferente? Por que a pessoas respeitam homens, mas tratam Deus como se fosse um “banana”?

Peço desculpas se a comparação ofendeu você. Mas não consigo acreditar que Deus se sente confortável em notar tamanha irreverência em nossos templos. Não consigo ver Deus tolerando o toque de celulares durante a adoração.

Leitura do dia

A testemunha verdadeira livra almas, mas o que se desboca em mentiras é enganador (Provérbios 14:25).

Bom dia... Ótima terça-feira!

Segunda-feira, Julho 6

Música do dia

Para começar a semana, posto aqui uma das músicas que mais mexem comigo. É inspiradora. Ajuda-nos a crer nas promessas do Senhor.

Leitura do dia

O que despreza ao seu vizinho peca, mas o que se compadece dos pobres é feliz (Provérbios 14:21).

Bom dia... Ótima semana!

Sexta-feira, Julho 3

Às sextas, todo mundo trabalha sem roupas

Está todo mundo louco... Para melhorar a integração entre funcionários de uma empresa de marketing, um psicólogo sugeriu que todo mundo trabalhasse sem roupas às sextas-feiras. A ideia foi adotada. Toda sexta é dia de gente pelada na companhia. A justificativa é que, ao tirar as roupas, os funcionários perdem a inibição e se tornam mais honestos - passam a conviver sem "máscaras".

A proposta não sofreu resistências. Está todo mundo feliz da vida sem roupas. E o negócio deu tão certo que se transformará num documentário a ser exibido no próximo dia 9 numa rede de tv a cabo do Reino Unido.

Cá com meus botões, só espero que a moda não pegue.

Leitura do dia

A casa dos perversos será destruída, mas a tenda dos retos florescerá (Provérbios 14:11).

Bom dia… boa sexta-feira!

Quinta-feira, Julho 2

Celular na igreja: quer ajudar?

Quero falar sobre este assunto no próximo programa. Você tem alguma história para compartilhar? Tem alguma opinião a respeito das pessoas que levam celular à igreja?

Será um prazer saber o que você pensa. Quero reproduzir algumas opiniões no próximo programa.

O preço que se tem de pagar


Texto do programete FATO PENSADO apresentado na Rede Novo Tempo

Na minha atividade como professor, ouço todo tipo de coisa. Desde alunos que falam frases de efeito para ganhar nossa confiança até reclamações das mais variadas pela “rotina maçante” da vida acadêmica. Não tenho problemas com isso. Não fico frustrado e nem me sinto culpado pela lista de exigências que apresento aos alunos.

Fui estudante em circunstâncias difíceis. Durante boa parte da minha vida, conciliei trabalho e escola. Foi assim no Ensino Fundamental, depois no então Segundo Grau. Quando cursei a faculdade e fiz especialização, já estava casado, tinha filhos... Ainda assim, posso me orgulhar de ter feito o melhor. Por isso, conheço onde cada um deles pode chegar.

Mas este comentário não é para falar de mim. Cada pessoa tem suas prioridades e sabe de seus limites e possibilidades. Meu objetivo é chamar atenção para o preço que temos a pagar por nossas escolhas.

Quando alguém se dispõe a alcançar um objetivo deve entender que outras coisas deixarão de ser feitas. Ninguém consegue dar conta, de maneira satisfatória, das inúmeras atividades acadêmicas sem abrir mão de alguns prazeres. Será preciso perder horas de sono, ficar finais de semana em casa diante do computador e até mesmo deixar de curtir férias. Não tem jeito. É o custo de uma escolha. Pode até não ser o que se sonhava... Afinal, queremos realizar nossos sonhos sem ter de abandonar certos prazeres. Mas isso não é possível. O bom desempenho acadêmico requer desprendimento, empenho, horas de dedicação.

Na verdade, o preço pago pelo estudante que sonha se diferenciar, conseguir mais que o canudo, é o mesmo que se cobra do profissional que deseja alcançar mais que um salário no fim do mês. O custo é semelhante ao que se tem pagar para ter filhos educados, uma família feliz. Ninguém consegue ter tudo ao mesmo tempo. O tal do equilíbrio não existe. Quem busca ter tudo apenas se confunde e não vive intensamente absolutamente nada. Sempre ficará em dívida com a balança da vida.

Por sinal, essa história de equilíbrio, esse discurso de que devemos equilibrar as coisas é uma grande mentira. Equilíbrio não é dar a mesma atenção a tudo que fazemos. Se alguém dedicar o mesmo tempo que concede a cada coisa que faz em sua rotina, certamente faltará tempo em seu dia ou não fará nada que preste. O equilíbrio é um estado emocional. É reconhecer que se a gente quer o sucesso profissional, a vida pessoal terá de sofrer perdas. Ou o inverso... Reconhecer que se a família é o mais importante, teremos de conviver com menos dinheiro e menos reconhecimento profissional. Equilíbrio é ter a capacidade de reconhecer esses limites e viver em paz.

Isso vale para nossos alunos. Equilíbrio é ficar em paz sabendo que, na vida acadêmica, ou se tem desempenho ou tempo para os prazeres da vida pessoal.

Uma música

Escolhi para esta quinta-feira uma bela canção do grupo Celtic Woman. Espero que você goste.

Leitura do dia

O coração conhece a sua própria amargura, e da sua alegria não participará o estranho (Provérbios 14:10).

Bom dia... Ótima quinta-feira!

Quarta-feira, Julho 1

Arcebispo de Pernambuco é destituído

Lembra daquele arcebispo de Pernambuco que excomungou profissionais de saúde e a família daquela menina de nove anos que abortou o filho por ter sido violentada pelo padrasto? Pois bem... O monsenhor José Cardoso Sobrinho foi desligado da igreja. A decisão foi do Papa Bento XVI. Contudo, não foi nenhuma punição ao religioso. Ele apenas se aposentou, digamos assim.

Antes mesmo do ocorrido, o arcebispo já havia renunciado ao cargo (por idade). A renúncia precisava ser aceita pelo papa. Agora foi. Mas a história dele já ficou manchada. Faltou sensibilidade ao bispo no caso. Promover a excomunhão pública pelo aborto da garota, vítima de violência sexual, foi uma segunda punição à menina e aos familiares.

Agradecimento

Ontem fiz um pedido especial aos ouvintes da Rede Novo Tempo. Após o programete, ao divulgar o endereço deste blog, convidei os amigos a participarem por aqui e acompanharem nossas mensagens - inclusive, interagindo. Deu certo. Mais gente veio até o blog. Recebi até email comentando sobre o assunto que apresentamos na Novo Tempo. Então, muito obrigado a todos.

Uma música

Leitura do dia

Foge da presença do homem insensato, porque nele não divisarás lábios de conhecimento (Provérbios 14:7).

Bom dia... Ótima quarta-feira!

Terça-feira, Junho 30

Discutindo a mídia na igreja



Texto do programete FATO PENSADO apresentado na Rede Novo Tempo.

Estive no último sábado conversando com os jovens e membros de uma de nossas igrejas sobre a influência da mídia. Foi muito agradável estar com amigos e irmãos no Jardim Iguaçu, em Maringá. O papo sobre mídia foi produtivo. Falei por cerca de uma hora. Mas passou rápido demais e, ao que parece, as pessoas foram tocadas por aquilo que ouviram.

Procuramos estabelecer a mesma dinâmica de minhas aulas na faculdade. Nada de microfone e nem cerimônias desnecessárias. Afinal, a formalidade existente em nossas igrejas impede que assuntos sérios sejam discutidos com a profundidade que merecem.

Durante a palestra (Com apoio da Bianca, minha aluna e locutora da Novo Tempo), mostramos imagens ousadas de revistas, filmes e da televisão. Exemplos de como a mídia faz parte de nossa vida e nos afeta direcionando nosso olhar para os relacionamentos que temos com a vida, com o mundo e até mesmo com a nossa família.

Falei, por exemplo, da maneira glamourosa que a mídia trata da homossexualidade. A coisa é retratada de forma tão equivocada e desrespeitosa que parece melhor gostar de uma pessoa do mesmo sexo que manter um relacionamento heterossexual.

Bem, mas por que estou compartilhando essa história com você? Por uma razão muito simples... A mídia faz parte de nossa vida mais que qualquer outra coisa. Gastamos mais tempo com televisão, internet, rádio, jornal, revistas que com qualquer outra coisa. Poucas pessoas dedicam mais tempo à família, por exemplo. Geralmente estamos mais tempo de olho no que a mídia nos oferece do que dedicamos atenção aos nossos familiares, amigos e, principalmente, a Deus.

Isto significa que a mídia exerce influência em nossa vida – mais até que os ensinos recebidos de nossos pais, de nossos irmãos e dos escritos sagrados. Isto significa que é hora de investirmos mais tempo refletindo sobre o impacto da mídia na vida das pessoas. Temos urgência de levar essas discussões para nossos templos. Devemos falar menos de teologia e nos dedicarmos muito mais a aplicação da teologia ao dia-a-dia das pessoas.

Não é difícil constatar que teorizamos muito a religião. Enquanto isso, o mundo entra em nossa casa através da mídia de forma tal que o discurso midiático parece mais verdadeiro que os sermões de nossos líderes religiosos. É fácil constatar que nossas crianças, nossos adolescentes e jovens acreditam mais naquilo que vêem na tevê ou nas revistas que nos sermões de nossos pastores e professores dos departamentos infantis.

Por isso, espero sinceramente ter a chance de voltar a tratar da mídia em nossas igrejas. Sonho com o dia em que nossos líderes abram mais espaço nas igrejas para analisar e debater o que seus membros estão vendo, ouvindo e lendo no dia-a-dia. Se assim não fizermos, corremos o risco de ter a fé esvaziada por rituais pouco producentes, mantendo igrejas lotadas com gente sem compromisso com Deus, já que as pessoas têm sido corrompidas pelo discurso midiático - sabiamente utilizado pelo inimigo de nossas almas.

* Baseado em post já publicado neste blog.

Leitura do dia

A mulher sábia edifica a sua casa, mas a insensata, com as próprias mãos, a derriba (Provérbios 14:1).

Bom dia... boa terça-feira!

Segunda-feira, Junho 29

Celular na igreja

Não consigo me acostumar... Celular tocando durante o culto é "pra acabar". Tenho observado que em quase todos os programas da igreja tem celular tocando. O que acontece com esse povo? Levar o aparelho para o templo já é um enorme desrespeito. Mantê-lo ligado, uma agressão. Agora mantê-lo ligado sem estar no vibracall é algo que não consigo adjetivar.

Reverência... Nosso povo tem faltado com a reverência a Deus. Tem gente que parece achar que está num clube. Conversa o tempo todo, desloca-se pelo templo sem a mínima preocupação em estar ou não tirando a atenção dos outros e, com a dependência doentia do celular, mantém o aparelho ligado durante o culto.

Sinceramente não sei o que essas pessoas fazem na igreja. Vão lá fazer o quê? Tenho certeza que não é adorar a Deus. O verdadeiro adorador é reverente. Logo, não levaria o telefone para a igreja. E se fosse imprescindível carregar o equipamento, teriam ao menos um pouco de bom senso: manteriam o celular no silencioso.

Leitura do dia

Quem anda com os sábios será sábio, mas o companheiro dos insensatos se tornará mau (Provérbios 13:20).

Bom dia… boa semana!

Sábado, Junho 27

Um fim de tarde abençoado

Foi muito agradável estar com amigos e irmãos no Jardim Iguaçu. O papo sobre mídia foi produtivo. Falei mais que imaginava - por cerca de uma hora. Mas passou rápido demais e, ao que parece, as pessoas gostaram do que ouviram.

Procuramos estabelecer a mesma dinâmica de minhas aulas na faculdade. Nada de microfone e nem cerimônias desnecessárias. Afinal, é a formalidade existente em nossas igrejas que impede que assuntos sérios sejam discutidos com a profundidade que merecem.

Com apoio da Bianca, minha aluna e locutora da Novo Tempo, mostramos imagens ousadas de revistas, filmes e da televisão. Exemplos de como a mídia faz parte de nossa vida e nos afeta direcionando nosso olhar para os relacionamentos que temos com a vida, com o mundo e até mesmo com a nossa família.

Falei, por exemplo, da maneira glamourosa que a mídia trata da homossexualidade. A coisa é retratada de forma tão equivocada e desrespeitosa que parece melhor gostar de uma pessoa do mesmo sexo que manter um relacionamento heterossexual.

Bem, espero repetir esse tipo de papo noutras ocasiões, em outras igrejas. Penso que é hora de falarmos menos de teologia e dedicarmos muito mais a aplicação da teologia ao dia-a-dia das pessoas. Teorizamos muito a religião. Enquanto isso, o mundo entra em nossa casa através da mídia de forma tal que o discurso midiático parece mais verdadeiro que os sermões de nossos líderes religiosos.

Sexta-feira, Junho 26

Nas garras da mídia

Nesse sábado terei o privilégio de falar com a moçada do Jardim Iguaçu (Maringá). Será um papo legal. Vamos tratar da influência da mídia. Nada muito diferente daquilo que a gente já sabe, mas parece não acreditar. Vou mais uma vez manter a tese principal: na maioria das vezes a mídia não manipula; nós é que somos manipulados. Afinal, permitimos que isto aconteça. Sentar diante da tevê, ler uma reportagem, ter contato com o conteúdo midiático passivamente sempre causa estragos. Vamos tentar ampliar essa discussão amanhã, às 17h.

Nova estreia

Meu primeiro blog foi aberto em setembro de 2005. De lá pra cá escrevi milhares de posts. É sério. Só no atual “Blog do Ronaldo” são mais de 3,5 mil textos.

Gosto de escrever. Curto demais a ideia de expressar-me, mas minha página atual sofre um monitoramento que inibe uma exposição real do que penso, do que sou. Sou jornalista, professor e, para o bem ou para o mal, conhecido na cidade. Meu blog possui link na página da CBN Maringá. Logo, não me sinto confortável de discutir nele minha vida, minha religião, minha fé.

Por isso, estou me desafiando a tornar este espaço mais um local para reproduzir os textos do Fato Pensado. Quero refletir aqui minha vida, minha fé, minha busca por Deus. A intenção é voltar a divulgar este espaço. Claro, não será divulgado entre aqueles que apenas acompanham meu trabalho jornalístico na cidade de Maringá. Apenas para amigos e pessoas que acompanham minhas reflexões pela Rede Novo Tempo.

Espero com isto sentir-me mais à vontade para escrever. Quero superar a necessidade de manter uma máscara para tratar de determinados assuntos. A proposta é romper com mitos, discutir abertamente certas questões - ainda que possam contrariar a opinião de alguns.

É uma página pessoal, que intenciona refletir minhas crenças. Mas fundamentalmente minha vontade de construir e ser um templo santo.

Quinta-feira, Junho 25

Gugu fecha com a Record por R$ 300 milhões

O capitalismo é o lugar do fantástico, do surpreendente. O espaço que garante oportunidade de se fazer dinheiro, de se tornar o melhor e, ao mesmo tempo que se faz dinheiro, pode se perder tudo. Também é o cenário da desigualdade, onde muitos ganham pouco e poucos, ganham muito.

Vejo, por exemplo, a notícia de que Gugu Liberato foi contratado pela Record. Ele já fechou com a emissora. Estará nas telas da Record a partir de abril de 2010. Lá, vai receber cerca de R$ 300 milhões em salários. Mas o valor pode crescer ainda mais - dependendo dos resultados que apresentar, da publicidade que atrair e dos produtos que licenciar.

Ele merece? Não sei. Ele tem história na tevê (pra todos os gostos - até de supostamente faltar com a ética), dá audiência, é criativo e certamente poucas pessoas poderiam ocupar seu lugar. Entretanto, a questão é mais ampla. É justo alguém ganhar tanto? Veja o caso do Faustão... Dia desses, o apresentador renovou com a Globo. O novo contrato dele vai até 2017. O salário é de aproximadamente R$ 5 milhões/mês.

Eu posso estar errado, mas creio que há um descompasso com a realidade. O capitalismo permite isso. Contudo, entendo que por mais que haja competência, não se pode premiá-la de maneira tão desigual.

Esse universo das celebridades é um mundo fora da realidade. Mas não é único. No meio corporativo também há diferenças intoleráveis. E no Brasil elas são ainda mais visíveis. Penso ser inadmissível um gari ganhar menos de R$ 600/mês enquanto um cara que não sai do escritório recebe R$ 100 mil.

Não é só uma questão de competência e qualificação... Sempre concordarei que a eficiência, o preparo merece remuneração diferenciada. Mas não pode haver tanta diferença. O dinheiro que sobra para um acaba faltando para o outro.

Terça-feira, Junho 23

O papel ridículo de algumas Ong's

Ninguém pode negar a importância das Ongs. Entretanto, algumas delas defendem bandeiras indefensáveis. Por exemplo, publiquei ontem no Twitter um breve texto:

- Algumas ONGs não têm mesmo o que fazer. Criticar o Obama porque ele matou uma mosca é pra acabar.

Quem não viu a reportagem, merece algumas explicações. Creio que ao menos a matéria do Barack Obama matando uma mosca em rede de tevê você deve ter visto. Mas, voltando ao assunto, o fato motivou uma Ong a protestar contra o presidente americano.

O grupo Peta anunciou que vai presentear Obama com um “cata-mosquito”. Não, não é um “mata-mosquito”. Trata-se de um instrumento para capturar VIVOS os mosquitos. Também não é para guardá-los em cativeiro. O “aparelho” serve para capturá-los visando devolvê-los à natureza.

A Ong não gostou da atitude de Obama. Ele matou a mosca. Deveria tê-la mantido viva. Piada de muito mau gosto.

Claro, a “piada” ganhou repercussão em vários veículos de comunicação. Afinal, faz parte daquele grupo de fatos/acontecimentos que se adequam aos critérios de divulgação da mídia. É imprevisível, surpreendente, absurdo, tolo e até cômico. Logo, é notícia.

Todo mundo tem direito de defender a bandeira que quiser. Contudo, atitudes como essa banalização, ridicularizam o papel das Ongs. Estas têm função importante na atual estrutura da sociedade. Mas o chamado terceiro setor perde credibilidade toda vez que alguém que se apega a alguma tolice e resolve publicizá-la.

Na verdade, muitos desses grupos que defendem a vida, os animais, o meio ambiente etc têm se dado ao trabalho de tornar piada assuntos sérios. As questões ambientais, por exemplo, requerem respostas práticas da sociedade. No entanto, quando alguém se dá ao trabalho de defender, por exemplo, que as pessoas façam “xixi no banho” (os caras têm até site) para diminuir o consumo de água colocam em xeque a credibilidade e prejudicam a defesa de outras bandeiras sérias.

Talvez haja necessidade de mais razão e menos emoção no discurso desses organismos não governamentais. Uma pitada de realidade não faz mal a ninguém. É preciso ter bom-senso e noção do ridículo.

Terça-feira, Junho 16

Ser bi está na moda?



A Época desta semana traz uma reportagem com o sugestivo título: “Ser bi está na moda”. Nela, a revista revela que mulheres famosas têm anunciado a bissexualidade como estratégia de marketing e promoção pessoal. A Época lista algumas das famosas que nos últimos meses se declararam bissexuais – ou seja, gostam de se relacionar com homens e mulheres.

O grande questionamento feito pela reportagem é “afinal, trata-se da liberação de um desejo feminino ou de estratégia de marketing?”. A própria revista responde: as duas coisas. Vivemos dias em que o preconceito é menor. Por isso, é mais fácil assumir-se homossexual (ou bissexual). Por outro lado, dizer que é bissexual dá mídia – principalmente para quem já tem certa fama. Esse tipo de declaração espontânea também mexe com o imaginário masculino, já que sabidamente se trata de uma das fantasias de muitos homens.

Outra pergunta que a reportagem tenta responder é: o que acontece com a cabeça das milhares de adolescentes anônimas – mulheres em formação – que assistem esse tipo de espetáculo produzido pelas famosas? Difícil responder. A própria Época não apresenta nada muito conclusivo. Apenas lembra que, nessa idade, garotos e garotas são potenciais imitadores.

Cá com meus botões, acho a questão bastante delicada. Tenho visão muito particular sobre o assunto. Entendo que a mídia tem glamourizado a homossexualidade. Não se trata de auxiliar no combate ao preconceito. Há um exagero que beira o desrespeito a heteros e homossexuais. O tratamento da mídia dado ao tema geralmente trabalha os dois extremos: ou ridiculariza a homossexualidade, principalmente através do humor, criando estereótipos; ou a torna modelo de vida.

No caso das declarações dessas celebridades, penso no poder de influência sobre os adolescentes. Os fãs geralmente formam grupo de pessoas passível de serem guiados por seus ídolos. É claro, cada um faz o que quer da vida. Mas o fascínio que exercem sobre garotos e garotas tão imaturos coloca em risco o curso natural da vida – pode estimular uma experiência que não seria vivida se não fosse pela ilusão provocada pela cega necessidade de imitar.

Quarta-feira, Junho 10

Ensino obrigatório de 17 anos. Pra quê?



Com certa frequência temos discutido aqui que a educação não é assunto levado a sério em nosso país. A educação como política pública só é uma realidade no discurso. Está longe de ser uma prática.

A última iniciativa fantasiosa é a obrigatoriedade da escola até os 17 anos. Teoricamente, as crianças, hoje, tem que estar nas salas de aula até os 14 anos. Com a nova proposta de emenda constitucional, votada no início desse mês de junho, enquanto não completarem 17 anos, os adolescentes brasileiros não devem deixar a escola.

É bonito falar. Mas vergonhoso reconhecer que é só mais uma garantia constitucional que não se aplicará a vida prática do cidadão brasileiro. Não é difícil obter dados no próprio Ministério da Educação que revelam que um percentual extremamente significativo de crianças deixam as salas de aula antes de completarem a oitava série.

Há várias razões para a chamada evasão escolar. Elas vão desde a necessidade de trabalhar até a desmotivação, desinteresse.

É sabido que muitos meninos e meninas precisam ajudar financeiramente os pais. Como são famílias miseráveis e sem consciência da importância da educação, preferem estimular os filhos a trabalhar, abandonando a escola.

No caso desses adolescentes que não gostam de estudar, também falta o reconhecimento da necessidade da escolarização e da apropriação do conhecimento.

Um aspecto curioso é que em ambos os casos existe o componente familiar. Na verdade, estudos recentes indicam que em 80% dos casos tanto a nota do aluno quanto o abandono da escola têm origem no ambiente domicilar. Ou seja, dentro da casa do aluno. Por isso, dá para dizer que falta engajamento dos pais. Como não conseguem transferir aos filhos o quão fundamental é a educação, eles abandonam a sala de aula.

Embora entenda como algo desejável, sustento que ampliar a obrigatoriedade do ensino não muda a realidade. Claro, deve ser um alvo a alcançar. Mas, primeiro, precisamos ter políticas públicas que possam garantir que todos cumpram pelo menos a legislação atual de se frequentar a escola até os 14 anos.

A luta contra a evasão escolar passa pelo convencimento de crianças, adolescentes e seus pais. Eles precisam ver a escola como um ambiente rico em conhecimento e que promove a cidadania. Este é o caminho.

Políticas públicas para a educação carecem ser ampliadas à comunidade. Há necessidade de um trabalho de convencimento, de integração Estado, comunidade e escola. Do contrário, seguiremos criando novas leis e mantendo-as apenas como papéis sem nenhum valor.

Terça-feira, Junho 2

Professores: profissão de risco



A revista Isto É desta semana traz uma reportagem sobre a profissão de professor. Com base em diferentes estudos, a publicação sugere que professor é uma atividade de risco. Não é difícil entender. Não são raros os professores que já sofreram ameaças. E a lista de educadores vítimas de violência cresce a cada dia.

A reportagem ainda trouxe outros dados. Por causa dos atos de agressão e ameaças, a maioria dos professores perdeu o estímulo de dar aulas. Muitos se sentem num quadro semelhante ao de pânico quando atravessam os portões da escola ou a porta da sala de aula. Em classe, mais de 67% acredita ter perdido a autoridade. Eles não conseguem controlar a molecada. Para manter o mínimo de respeito, vários dele gastam parte do tempo gritando com os estudantes.

Outro dado: 84,2% dos educadores acreditam que seus alunos não prestam atenção na aula e nem valorizam o conteúdo apresentado.

Quadro tão devastador gera estresse. Em outros casos, depressão. O déficit de professores no Brasil é grande. Faltam educadores. Certas disciplinas, como matemática, física, química e até geografia e história, carecem de novos profissionais. Mas, se a remuneração nunca foi atrativa, o risco de agressão e o sentimento de ser ignorado em sala desmotiva potenciais candidatos a educador.

É lamentável. Quem segue em sala de aula ou é idealista ou insiste na profissão por não encontrar outra alternativa. Mas o pior é notar a passividade de nossas autoridades e o alheamento de nossa parte. Se as autoridades governamentais pouco fazem para mudar a realidade, nós também somos responsáveis pela instalação do caos na educação.

A violência que acontece nas escolas é reflexo de uma sociedade que vê na escola um local para se aprender a ler e escrever – ou para aprender uma profissão. Tem ainda uma parcela significativa da população que olha para as instituições de ensino como depósitos de crianças – um ambiente em que se deixa o filho enquanto o pai e a mãe trabalham.

Há saída para situação tão apocalíptica? Talvez sim. Passa, primeiro, pela educação dentro de casa. Filhos disciplinados são alunos respeitosos, que reconhecem a autoridade do professor. Mas para avançarmos é preciso mais. Nós, adultos, devemos nos envolver com a escola. Buscar identificar os problemas, dialogar com professores, coordenadores de ensino e diretores. Identificadas as principais deficiências, devemos cobrar das autoridades as mudanças necessárias.

Nossa tarefa não é tão simples, mas é plenamente possível. O que não podemos é apenas nos indignarmos com dados tão negativos da educação e nos mantermos passivos. Notícias tristes como essa de que nossos professores estão desmotivados por serem agredidos física ou verbalmente deveriam mexer conosco a ponto de tomarmos uma atitude – talvez a primeira delas seria procurarmos identificar quais são os problemas da escola de nossos filhos… O que não podemos aceitar é que continuemos recolhidos em nossas casas, tecendo críticas, mas nada fazendo além de ler, ouvir ou assistir o noticiário.

Quarta-feira, Maio 27

Ouça mais...

Terça-feira, Maio 19

É possível viver bem com pouco?



Meio que por acaso esbarrei numa reportagem de dezembro de 2008 da revista Época. O assunto é instigante. Um daqueles temas que mexem com você, pois estão na pauta de suas preocupações. A reportagem tem um título sugestivo: “Viver bem com pouco”.

Confesso que este é mais um dos meus desejos de consumo. Vivo com pouco. Mas vivo sob o manto da eterna insatisfação. Claro, não sou o único. Muita gente tem renda muito maior que a minha e também está insatisfeito. Mas a Época trouxe depoimentos e falas de gente comum e de especialistas que sustentam a tese de que “foi-se a era de esbanjar e ostentar”. Essas pessoas argumentam que “a nova ordem global impõe consumir com parcimônia e priorizar a recompensa emocional”.

De verdade, espero que isso se torne mesmo uma nova ordem global. A pressão para que conquistemos sucesso, dinheiro e fama é tanta que não conseguimos descansar. Felicidade hoje é traduzida em números. Lembro até de uma frase: “Dinheiro não traz felicidade. Manda buscar”. A frase sintetiza os valores de uma época. Transferimos para o dinheiro todas nossas expectativas, nossos projetos e vivemos para conquistá-lo.

Mas o novo conceito, de “viver bem com pouco”, tem conquistado adeptos. Gente disposta a abrir mão do dinheiro e dos prazeres que ele supostamente proporciona para experimentar a vida sob um ângulo novo e pouco conhecido.

A proposta de “viver bem com pouco” é ampla. Vai desde a maneira como nos alimentamos até a forma como nos relacionamos com os amigos, com a família, com nossos filhos.

Essas pessoas entendem que o prazer não está naquilo que consumimos. Elas acreditam que o prazer é experimentado em coisas simples, como passar horas batendo papo com os amigos, sem necessidade de ter nada para comemorar. Ou simplesmente ficar em casa mais tempo com os filhos.

Na alimentação, por exemplo, há muito tempo transformamos nossas refeições em algo pouco significativo. Só paramos para apreciar os alimentos quando organizamos um almoço ou um jantar especial. O trivial almoço, café da manhã ou o lanche da tarde se tornaram uma obrigação, feitos pela necessidade física.

O ato de tomar um banho é mais uma questão de higiene que algo que possa nos proporcionar prazer. Conversar com um amigo só é bom se não temos mais nada pra fazer. E ainda precisa ser regado por bebidas e comida.

Tudo isso acontece porque queremos casas e carros luxuosos. Vivemos sob a ditadura da beleza. Os corpos devem ser belos, bem cuidados em salões de beleza e estética, por médicos dermatologistas e devidamente vestidos com roupas de marcas famosas. Nosso computador, nosso celular não bastam ser funcionais, precisam ter a mais avançada tecnologia para chamarmos atenção ou causarmos inveja nos colegas, amigos e inimigos.

Os objetivos que temos para a vida estão quase todos relacionados a necessidade de conquistar mais, ter mais. Isso causa ansiedade e frustração. Afinal, poucos terão tudo que sonham. E mesmo se conquistarmos o que desejamos ainda assim vamos perceber que continuaremos insatisfeitos. Motivo? Não são coisas que dão prazer. São pessoas, gente, relacionamentos, filhos, família, Deus. Nossa felicidade passa pela conquista da liberdade, pela sensação de paz interior. Isto não pode e nunca será proporcionado por riquezas ou bens materiais.

Quinta-feira, Maio 14

Notícias de celebridades...

Ouça aqui o programa apresentado hoje pela Rede Novo Tempo.

Agora com audio...

Começo a disponibilizar neste blog o audio dos programetes junto com os textos. Logo acima das mensagens.

Terça-feira, Maio 12

Fotos íntimas: presente?



Nesse fim de semana, encontramos uma pessoa que há muito não víamos. Trata-se de uma jovem senhora casada. Na conversa que tivemos, ela nos revelou algo que gostaria de compartilhar com você. Nossa amiga nos contou que estava animadíssima com a possibilidade de fazer fotos íntimas para o marido.

Para quem não conhece, esse é um novo serviço que começa a ser fornecido no mercado. Fotógrafos profissionais oferecem aos casais a chance de produzir um book com imagens íntimas. Geralmente, as mulheres fazem essas fotos para presentear os maridos. São fotos na linha de algumas revistas internacionalmente conhecidas. Com direito a tratamento das imagens – para corrigir todas as imperfeições.

Confesso a você que não conhecia esse novo serviço. Sei de pessoas que tiram fotos íntimas com o próprio celular ou com uma máquina fotográfica amadora e presenteiam namorados ou maridos. Sei também que existem alguns casais que mantêm o hábito de registrar em imagens seus corpos nus ou mesmo a intimidade sexual. Entretanto, desconhecia a oferta de um serviço profissional, com direito a sessões fotográficas, para produzir imagens “artísticas” de não famosos.

Depois de ouvir o relato dessa amiga, fiquei pensando em algumas coisas. Primeiro, preciso esclarecer que entendo ser um direito dessa mulher fazer as fotos. As pessoas têm livre arbítrio. Cada pessoa escolhe o seu caminho e, na intimidade do casal, não é direito nosso dar palpites.

Entretanto, existem algumas questões que valem a pena ser refletidas. Por exemplo, ainda ontem li uma reportagem sobre uma mulher que ganhou, na Justiça, o direito de receber uma indenização de R$ 50 mil. Essa jovem teve fotos íntimas publicadas no Orkut, o site de relacionamentos mais conhecido dos brasileiros. O namorado fez as fotos e, quando a relação deles acabou, publicou as imagens.

Essa moça era professora. Ela foi demitida após a divulgação das fotos. Hoje, para sobreviver, ela teve que mudar de nome e trabalha, escondida atrás de um telefone, numa empresa de telemarketing. Sofrimento, vergonha são sentimentos que conhece muito bem.

Relatos como dessa ex-professora têm se tornado cada vez mais comuns. É nisso que pensei quando nossa amiga falou, empolgada, das fotos que pretende fazer para presentear o marido. Hoje, o casamento deles vai muito bem. Não me parece haver chance de qualquer ruptura. No entanto, a internet trouxe novos riscos para nós todos. Fotos digitais, guardadas num computador, podem ser divulgadas pelo próprio companheiro ou, numa dessas situações que ninguém pode prever, cair nas mãos de um técnico de informática mal intencionado ou até de um hacker.

Por isso, volto a dizer, cada pessoa tem direito de fazer suas próprias escolhas. Cada um conhece os potenciais de seus relacionamentos. Mas é preciso prever possibilidades nem sempre felizes da divulgação desastrosa de imagens íntimas. Muita gente tem sido vítima de crimes na internet, como consequência de atitudes aparentemente inocentes e bem intencionadas. É uma coisa pra se pensar…

Sexta-feira, Maio 8

O sonho de morar perto de tudo...



A revista Isto É desta semana trouxe uma reportagem sobre a preocupação que hoje existe de morar perto do trabalho. Mais que isto: trabalhar, estudar, comprar, divertir-se tudo perto de casa.

É meu sonho de consumo. Acho que é o sonho de muita gente. O trânsito é o motor desse desejo. Para quem circula por quilômetros para chegar ao trabalho, à escola dos filhos, à igreja etc, o desgaste físico e mental é muito grande.

Em Maringá, por exemplo, tem se tornado comuns os congestionamentos. Estamos longe do caos de cidades como São Paulo. Mas o fluxo nas vias públicas tem sido comprometido pelo aumento da frota de veículos. É carro demais para engenharia de tráfego de menos.

Além disso, o motorista de Maringá deixa o trânsito ainda pior. Falta educação, respeito, gentileza e fiscalização (humana, com agentes de trânsito e não equipamentos). Motoristas que param em fila dupla, que trocam de faixa de forma abrupta, que não sabem estacionar, que entram na via desrespeitando a preferência são algumas das infrações mais comuns.

Essa combinação – engenharia ruim, falta de fiscalização e motorista ruim ou mal educado – é trágica. Muitos acidentes, gente ferida, mortes e trânsito comprometido. É impossível não se estressar. Eu sinto dor no estômago toda vez que penso em sair de casa. Mas não tem jeito. São pelo menos seis “viagens”/dia. Quase 50 quilômetros rodados.

Por isso, é impossível não idealizar uma vida onde tudo esteja perto, ao alcance. Na Isto É, há exemplos de pessoas que têm tudo nos limites de uma quadra – ou no máximo em duas ou três. A pessoa caminha até o trabalho, faz curso, leva o filho para escola, realiza compras etc sem necessidade de carro, moto ou transporte coletivo.

Mas morar perto de tudo custa caro. É privilégio de poucos. No meu caso, só sonho. Sonho meu e da família, acalentado na periferia – longe de tudo e meio que esquecida pelo poder público.