Tempos atrás uma leitora e amiga questionou sobre a "inspiração" para meus textos. Ela comentou que tinha a impressão que sempre escrevo com base na observação de coisas que acontecem ao meu redor. De certa forma, é bem isso mesmo. Traduzo em palavras o que vejo, escuto ou mesmo o que sinto. Os textos são resultado de minhas observações, vivências. E as conclusões, posicionamentos que tenho, fruto do aprendizado, leituras e experiências - até mesmo de outros.
Na verdade, a vida nos concede diariamente muitas oportunidades de aprendizagem. Basta se dispor a ouvir os "sons" do mundo. Tudo nos ensina. Desde as conversas mais banais até as tantas vezes que nós, ou pessoas próximos de nós, "quebram a cara". Quando queremos parar, observar temos a chance de refletir, logo, aprender. Dia desses conversei com uma pessoa sobre seu relacionamento. De alguma forma, ela tem estado um tanto ausente e não dá conta de demonstrar seus sentimentos de maneira a fazer a outra pessoa se sentir segura - ou tranquila na relação. Ela concluiu: "acho que nunca aprendi a amar". Brinquei que o tempo em que está convivendo, dividindo sua vida com outro alguém, certamente já pôde ensinar muita coisa. Inclusive a maneira de amar, demonstrar amor. E completei que para isso bastaria observar um pouco mais seu modo de agir e o modo de agir do outro. A observação ensinaria. E muito. Acrescentei que se não buscasse esse aprendizado nunca seria feliz. Sei que o ato de parar e contemplar está fora de moda. A gente nunca observa na busca por aprender algo; observa-se para apontar erros, criticar. Entretanto, inverter essa lógica pode ser o começo de uma forma nova de viver, de entender de gente, da comunidade em que vivemos e do mundo que transcende o nosso umbigo.Mais que a reflexão dos fatos... Nossa vida, nossa história, nossas relações num mundo que precisa de Deus
quinta-feira, dezembro 23, 2010
quarta-feira, dezembro 22, 2010
Há professores que prestam um desserviço à educação
Sou professor e também por isso procuro defender os educadores, inclusive das críticas que meus filhos fazem a alguns deles. Hoje, minha pequena falava de uma professora. Ela só tem nove anos. Está longe de entender toda a complexidade do ser humano. Mas chama a atenção o que minha filha contava a respeito dessa mestre.
terça-feira, dezembro 21, 2010
Por um mundo mais simples
Embora entenda que tudo precisa de organização, tenho pavor de burocracia. O que pode ser simples fica difícil. Tudo por causa de uma rotina muitos vezes mal explicada e até desnecessária.
Ontem, por exemplo, enquanto acertava a rematrícula de meus filhos na escola que estudam, a diretora solicitou que providenciasse uma série de documentos - inclusive o básico, RG e CPF. Não resisti e questionei: - Mas por que preciso trazer esses documentos, se entreguei todos eles no ano passado? Na verdade, não foi apenas no ano passado. Meus filhos estão na mesma escola desde a pré-escola. Como o mais velho vai cursar o primeiro ano do Ensino Médio, dá pra ter uma ideia de quantas vezes já providenciei a papelada. Afinal, todo ano é a mesma coisa. Não responsabilizo a diretora. Por sinal, é uma pessoa maravilhosa, que admiro e respeito. Porém, não consigo entender essas coisas. Na faculdade em que leciono também dessas coisas. Papéis que a gente entrega todos os anos e precisa apresentar de novo e de novo... Faz parte da burocracia. Eu não faço parte do grupo de pessoas que consegue simplificar tudo. Até sou bem complicadinho. Ainda assim tenho tentado aprender a fazer da maneira mais fácil. E sonhado com um mundo menos complicado... Pra facilitar a vida da gente, pra sobrar mais tempo e pra garantir uma vida menos estressada.segunda-feira, dezembro 20, 2010
Entre despedidas, encontros e reencontros
Dia desses falei aqui sobre despedida... Falei sobre meus alunos. Mas aquele mesmo sentimento se repete noutras situações. Na última sexta-feira, dei um abraço em meu amigo e produtor Fábio Guillen. Foi o último dia dele na CBN Maringá. Ele é o novo contratado da Gazeta Maringá. A partir desta segunda-feira, o jovem jornalista assume novos desafios. Só posso desejar sucesso, com a certeza de que isso vai mesmo fazer parte da vida dele.
Enquanto alguns se vão, outros ficam mais próximos. É o caso de Carina Bernardino. Ao longo dos últimos anos, trabalhamos juntos algumas vezes. Porém, ela era responsável pela produção do jornal da tarde. Agora vai cuidar de nossas manhãs. Na verdade, nessas próximas semanas, estará comigo nos dois horários - manhã e tarde -, até que um novo amigo chegue para trabalhar com Gilson Aguiar. Por sinal, amigo mesmo. Meu aluno Diego Fernandes, ou Diego Drush, volta para a CBN, agora... pra ficar. É o ciclo da vida. Infelizmente, a gente nunca mantém as pessoas por perto para sempre. Por outro lado, felizmente, temos sempre o prazer de fazer novos amigos ou de reencontrá-los em situações especiais. Com idas e vindas, a vida segue. E nosso desejo é de que entre despedidas e encontros possamos ter amizades sinceras, companhias e companheiros que façam nossos dias valerem a pena. PS- Na foto, este blogueiro e a jornalista Carina Bernardino.sexta-feira, dezembro 17, 2010
Dezembro, estresse, festas, comida, balança... pra começar "tudo de novo"
Não lembro bem onde... Acho que foi no Fantástico. No último fim de semana, vi uma reportagem dizendo que dezembro é o mês mais estressante do ano. Achei alguma coisa sobre o assunto numa página da Veja. Com base numa pesquisa, a reportagem diz que o nível de estresse aumenta 75% no último mês do ano.
É bem razoável. A correria de dezembro é mesmo assustadora. Quem trabalha no comércio, trabalha várias horas a mais, atende uma quantidade imensa de cliente, ouve dezenas de desaforos e sobrevive sabe-se lá como. Quem vai às compras, vive o inverso. Encontra vendedores cansados, mal humorados e outros tantos consumidores impacientes. Além disso, faltam vagas de estacionamento, os preços são sempre mais altos etc etc. Dezembro é cansativo e estressante pra todo mundo - inclusive pra professor, principalmente por ver tantos alunos enlouquecidos com medo de serem reprovados. Enfim, só quem sai de férias no início do mês e viaja para uma praia, um hotel... consegue escapar dessa agitação toda. E tem a pressão por preparar as festas e por participar de festas. Já viu quantas festinhas são feitas neste mês? É amigo secreto, inimigo secreto, confraternização... Loucura geral! Junto com o estresse, tem comida demais. Uma combinação bombástica. Vive-se pior, come-se mais. É quase impossível escapar de dezembro sem ganhar alguns quilos. Mas faz parte desse nosso jeito maluco de ser. O curioso é que dezembro é só mais um mês. O último do ano, é verdade. Mas os dias que virão em janeiro apenas serão, como sempre foram, "um dia após o outro". E tudo pra chegar em dezembro novamente.Uma vida pra justificar
Já notou que estamos sempre nos justificando? Ou justificando atitudes, ações que realizamos ou deixamos de realizar? Dias atrás pensava sobre isto. Recordei inclusive de um texto que escrevi tempos atrás. Nele, falava de nossa constante busca por aprovação. Na tentativa de controlar o que as pessoas pensam de nós, vivemos a eterna busca por argumentos que expliquem nossos comportamentos.
Embora seja natural essa preocupação com a imagem - ou com a aprovação alheia -, eu diria que gastamos tempo e energia nessa tentativa quase inútil. Quase inútil, porque ainda que existam justificativas para tudo que fazemos (ou deixamos de fazer), nem sempre serão suficientes para o outro. A gente pode explicar um atraso, mas será que muda alguma coisa? Pode-se explicar um erro, mas é possível corrigi-lo? Pode-se explicar uma grosseria, mas será que põe fim à mágoa? Pode-se dizer "não fiz", mas é suficiente para pôr fim à desconfiança? Justificar nossos atos até pode ser um comportamento educado, gentil; uma forma de respeito ao outro. Mas quando se justifica em excesso talvez seja sintoma de insegurança, medo de perder, baixa auto-estima ou até mesmo incapacidade de fazer a coisa certa. Ainda penso que em alguns momentos o melhor a dizer é: "desculpe-me, errei; não vai mais acontecer". Ou ainda: "desculpe-me, mas não dou conta de atender você".quinta-feira, dezembro 16, 2010
Filhos mimados; filhos castrados
PS- A foto é só ilustrativa. Brincar com os filhos não os torna mimados. Rsrs.
quarta-feira, dezembro 15, 2010
Facebook e as novas experiências
Esse mundo tecnológico me assusta. Falava há pouco com o Murilo Battisti sobre o Facebook. Lembrávamos que, tempos atrás, só tínhamos um ao outro naquela rede social. Na época, chegamos a brincar que era preciso "destronar" o Orkut como rede mais popular. Afinal, nunca fomos fã do Orkut.
Depois de "viajarmos" nas lembranças, o Murilo encontrou a data do comentário que trocamos: 28 de janeiro de 2009. Tudo bem; vai fazer dois anos. Mas para tudo... Dois anos depois, o Orkut está em decadência e o Facebook, no Brasil, já ocupa uma posição invejável. E detalhe, com potencial para se tornar líder entre as redes. No meu caso, por exemplo, já tenho muito mais "amigos" pelo Facebook que pelo Orkut. Na verdade, vivemos o tempo da descoberta. O desejo no novo, da experiência, do diferente nos move. Não importa o quê, quando, onde, como e por quê. Tudo vence muito rápido, sai de moda e precisamos de uma novidade. Vale para o carro que compramos, a roupa que usamos, até para as pessoas com as quais nos relacionamos. Não há apego. Apenas queremos outras sensações; sensações ainda não sentidas. No caso do Facebook, é muito bem-vindo. A ferramenta é mais completa, funcional e oferece inúmeras possibilidades. Há outras tantas novidades que também facilitam a vida da gente. Considero apenas que não podemos perder a capacidade de apreciar o que há de bom entre as "velharias". Há coisas que precisam e devem ser preservadas. Para o nosso bem e bem de todos, viver é saber fazer boas escolhas.segunda-feira, dezembro 13, 2010
Na segunda, uma música
É isso. Então... vamos à música.
sexta-feira, dezembro 10, 2010
Meus alunos, minha vida
Não gosto de despedidas. E com meus alunos acabo sentindo essa sensação de "despedida" todas as vezes que concluem o terceiro ano da faculdade. Não trabalho com o último ano. Mantenho contato, mas a rotina de aulas, trabalhos e atendimentos praticamente se resume às ações burocráticas da coordenação dos Trabalhos de Conclusão de Curso.
Hoje, ao falar com um de meus alunos que se despedem do terceiro ano, senti esse aperto no coração. O aperto da despedida. No início da semana, já tinha tido esse mesmo sentimento ao falar com outra acadêmica. A gente acaba desenvolvendo uma relação que não é só aquela de professor-aluno. Até pela maneira como entendo o ensino, vou além e busco uma proximidade que tem muito afeto. Por isso, o fim de um ciclo acaba por ser uma despedida. É prazeroso ver que, ao longo dos três primeiros anos, pude exercer influência sobre a vida deles, oferecendo mais que ensino teórico e prático. É gostoso notar que muitos deles cresceram, ampliaram a visão de mundo, são mais ativos socialmente, alguns até engajados em questões pelas quais se vale lutar. Daqui algum tempo serão meus colegas de profissão. Jornalistas, assessores e até professores. Aqui comigo ficará sempre o sentimento de que não apenas passaram pelas minhas aulas; também fizeram parte da minha vida.
Meus alunos, minha vida
Não gosto de despedidas. E com meus alunos acabo sentindo essa sensação de "despedida" todas as vezes que concluem o terceiro ano da faculdade. Não trabalho com o último ano. Mantenho contato, mas a rotina de aulas, trabalhos e atendimentos praticamente se resume às ações burocráticas da coordenação dos Trabalhos de Conclusão de Curso.
Hoje, ao falar com um de meus alunos que se despedem do terceiro ano, senti esse aperto no coração. O aperto da despedida. No início da semana, já tinha tido esse mesmo sentimento ao falar com outra acadêmica. A gente acaba desenvolvendo uma relação que não é só aquela de professor-aluno. Até pela maneira como entendo o ensino, vou além e busco uma proximidade que tem muito afeto. Por isso, o fim de um ciclo acaba por ser uma despedida. É prazeroso ver que, ao longo dos três primeiros anos, pude exercer influência sobre a vida deles, oferecendo mais que ensino teórico e prático. É gostoso notar que muitos deles cresceram, ampliaram a visão de mundo, são mais ativos socialmente, alguns até engajados em questões pelas quais se vale lutar. Daqui algum tempo serão meus colegas de profissão. Jornalistas, assessores e até professores. Aqui comigo ficará sempre o sentimento de que não apenas passaram pelas minhas aulas; também fizeram parte da minha vida.quinta-feira, dezembro 09, 2010
Nossa dose diária de "bobagens"
Meu amigo Diego Drush publicou hoje no Twitter que todo mundo, de vez em quando, precisa consumir um pouco de porcaria. Para justificar, ele usou Umberto Eco. Não com essas palavras, mas o pensador italiano realmente admite que há uma carência psicológica, biológica por se consumir "bobagens". Quando trata disso, faz referência à produção artística e cultural. Eco, portanto, sustenta que não há problema em se ler, ouvir ou assistir coisas que, digamos assim, são vazias, superficiais, rasas. O argumento de Umberto Eco está no capítulo "A estrutura do mau gosto", do livro Apocalípticos e Integrados.
Não quero aqui entrar no teor da reflexão proposta pelo autor. Afinal, reconhecidamente, a produção artística e cultural - essa da grande mídia - contribui/colabora para a manutenção do que chamamos de alienação. Entretanto, essas mesmas "bobagens" estão no centro de nossas necessidades naturais. Como sobreviver depois de uma semana de muito trabalho e não se deixar levar por algum filme - ou mesmo novela - que nada tenha a dizer? Ou se reunir com amigos num churrasco e deixar de ouvir essas músicas que geralmente tocam em nossas rádios? Dá para imaginar o mesmo cenário - o churrasco - e, no som, uma sinfonia de Beethoven? Às vezes, precisamos nos deixar levar pelas fotos e fofocas de uma Caras, Contigo... Faz parte daquele relaxamento cerebral que parece aliviar a pressão do dia a dia. O mundo "cor de rosa" dos artistas e celebridades alimenta a ilusão, o imaginário, que também é característico do ser humano. As músicas anestesiam, tocam os sentimentos. As imagens que desfilam na tela tevê ou do cinema mexem com nossas emoções. E nós somos isso: razão, mas também emoção. Dentro do peito bate um coração que reclama sensações que essas "banalidades" proporcionam. O que devemos entender é o papel dessas "bobagens" em nossa vida. Embora necessárias, não devem ser consumidas sem a compreensão do vazio existencial que produzem. Nunca terão outro papel que não este: atender nossas emoções. E se dependemos delas pra viver, também não devemos ignorar a importância do conhecimento, do saber racional. Portanto, que as "bobagens" diárias que consumimos sejam administradas com moderação.quarta-feira, dezembro 08, 2010
Futebol e comportamento: algumas lições
Nada contra quem gosta de futebol. Eu até aprecio. Mas não consigo ficar duas horas diante da televisão para ver uma partida. O jogo tem que ser muito importante, e empolgante, para eu assistir um único tempo. Então, sou suspeito pra criticar o comportamento de alguns torcedores. Mas, como blog é blog, é pessoal, e aqui é quase meu diário na rede, posso me atrever a falar sobre o que gosto ou não gosto.
E uma das coisas que me incomoda é ver o torcedor falar o tempo todo durante o jogo, reclamar, xingar, acenar, pular no sofá. Vale para decisões? Digamos que sim. Vale para jogos do Brasil? Vale. Mas acho que cabe um certo bom senso, principalmente para partidas menos relevantes. Como pai de um corintiano, completamente passional, sei bem o que é ter um torcedor desses que falam, reclamam o tempo todo. Se depender do adolescente que tenho em casa, ele assiste tudo. Até jogos de varzea. E vai "brigar" com o juiz, falar que o atacante é "perna de pau", ficar nervoso com a zaga... E aí o negócio é ver o espetáculo dele; não do que passa em campo. Quando observo o comportamento dele e de outros tantos torcedores, não encontro razão alguma para tanta paixão. Particularmente, assisto esporte por diversão. Sem sofrimento. Não é o caso do meu filho e nem de outros tantos milhões de fãs de futebol e de outras modalidades. Porém, o que mais me chama a atenção é a maneira tão diferente como somos. É incrível ver como pessoas que vivem numa mesma casa podem agir de forma tão distinta. É a riqueza do ser humano. Compreender essas diferenças é o primeiro passo para o respeito e boa convivência seja numa família, seja no trabalho ou em qualquer outro ambiente. O maior erro que alguém pode cometer é tentar colocar todas as pessoas numa espécie de fôrma e esperar que se comportem de maneira semelhante.terça-feira, dezembro 07, 2010
Amizades preciosas
Gravei há pouco uma entrevista sobre amizade. Vai pro ar na próxima quinta-feira pela CBN Maringá. A discussão, com um certo tom filosófico, foi uma das melhores que tive neste último semestre. E me fez refletir um pouco mais sobre o que é amizade. Amizade tem a ver com amor. Mas não é a mesma coisa. Até porque amigo a gente escolhe; amor, não. O amor acontece; a amizade é uma opção e implica em interesses comuns.
Acontece que vivemos dias em que esse tipo de relação está em crise. Ninguém quer se comprometer - isso vale, inclusive, para o amor. Sem comprometimento, não há vínculo; sem vínculo, a amizade verdadeira não prospera. Além disso, embora as redes sociais permitam a aproximação, elas não garantem a amizade. Esta pode até nascer ou ser alimentada pelo facebook, twitter, orkut etc. Contudo, a superficialidade característica dessas redes não produz amizade. Afinal, amigo é aquele com quem a gente conta quando a "casa cai". Quando a gente faz uma bobagem enorme, identifica-se o verdadeiro amigo. Ele não abandona. Pode não apoiar seu erro, mas estende a mão. Quando o dinheiro acaba, quando se perde o emprego, quando se envelhece... descobre-se a amizade. Por isso, amigos são raros. Por isso, os poucos que conseguimos manter, são mais valiosos que as mais preciosas jóias.segunda-feira, dezembro 06, 2010
Pequenos ou grandes remendos para continuar vivendo
Fui pegar o cartão de uma das contas bancárias a fim de passar uns dados para o administrativo da empresa e me surpreendi com o estado do "coitado". Remendado, quebrado agora em mais um lugar e com os números e letras praticamente inelegíveis. Enquanto buscava uma fita adesiva para tentar salvar o velho cartão, fui levado a pensar em nossa vida. Fiquei imaginando: quantos de nós seguimos remendados e precisando de novos reparos pra continuar vivendo?
Todos temos problemas. Alguns deles deixam arranhões; outros causam feridas; e têm aqueles que chegam a nos quebrar por inteiro. Recuperar-se e continuar a jornada é necessário. Não dá para desistir de viver. Embora por vezes a vida possa perder o sentido, nada é mais precioso do que viver. Por isso, sempre vale insistir, tentar de novo - de preferência, de um novo jeito. Depois das fraturas que sofrermos, dos dias de tempestade, semelhante ao meu cartão bancário, é provável que, ao olharmos para o espelho, encontremos vários remendos. Talvez as letras já estejam um tanto apagadas. Quem sabe nem seja possível identificar algumas de nossas histórias, e outras até tenham que ser silenciadas pelas lembranças dolorosas. A ação do tempo e dos problemas corrompe o plástico do cartão, mas não é capaz de atingir a conta bancária. Por isso, se nossa alma resistir, teremos "saldo" (energia) e vida pra viver.sexta-feira, setembro 17, 2010
Por que os homens mentem?
Até para defender minha “espécie”, diria que homens e mulheres mentem. E não venham me dizer que mentem mais que elas. Talvez poderíamos afirmar que as mulheres são mais competentes que nós. Fingem melhor. Por isso, conseguem sustentar uma mentira e até convencer-nos que se trata de uma verdade.
Mas, vamos em frente… Não faremos aqui uma “guerra dos sexos”.
Do ponto de vista bíblico, estamos tratando de um pecado. Além de condenado nos escritos sagrados, a Bíblia sustenta que os adeptos desse comportamento não entrarão no reino dos Céus.
Embora relevante, não vou discutir o assunto sob essa perspectiva.
Entendo que tal hábito, além de nocivo para o próprio indivíduo, pode resultar em mágoas, tristezas, decepções. Contudo, acredito que ninguém pode sustentar que nunca faltou com a verdade. Por motivos humanamente justificáveis – ou não – todos nós já mentimos.
Mente-se para explicar um atraso, para se dar bem nos negócios, evitar confronto ou agradar alguém e até para conquistar uma pessoa. Podem ser repetidas para não magoar a mãe que errou na hora de botar o sal na comida ou para explicar o encontro com a amante. “Inocentes” ou não estão sempre ali, prontas para serem ditas.
Numa relação, homens podem mentir para parecem mais másculos, competentes ou até carinhosos. Ainda são capazes de fazer isso para atraírem uma mulher ou sustentarem a infidelidade. Afinal, querem parecer ativos, competem entre si e, numa cultura machista como a nossa, levá-las para a cama é motivo de orgulho.
A sedução muitas vezes não é um jogo sincero. Máscaras são usadas para ocultar a face real com suas contradições, defeitos, inseguranças, medos. Elogios e gentilezas acabam sendo feitos motivados por segundas intenções. A disposição para se esperar pelo outro nem sempre é paciência ou compreensão. Não há garantias de que o abraço carinhoso é amigo. O sorriso ou a voz suave escondem a verdade. A verdade oculta, mascarada pode ser única e exclusivamente o desejo por sexo – e não necessariamente o compromisso. A mulher torna-se apenas objeto de conquista, um prêmio.
Não há remédio para tais mentiras. Elas sempre serão estratégia repetida por muitos homens. Classificá-los todos como iguais – ou acreditar que nunca haverá gestos sinceros – também é cometer um erro. Por isso, sempre haverá oportunidade para se encontrar a pessoa certa, o homem certo.
Para essa minha amiga – e para outras mulheres que possam se interessar por este breve ensaio -, diria apenas que sejam menos inocentes, mais pacientes, prudentes e sábias. Nem sempre uma melodia faz uma canção. Nem todos os elogios, sorrisos e palavras são sinceros. A observação atenta, e não precipitada, pode resultar em boas escolhas e no encontro do parceiro ideal.
sexta-feira, setembro 10, 2010
Está tudo bem?
Dia desses, estava num velório. Observava as pessoas cumprimentando a viúva. De repente, chega um amigo da família. Ao falar com a mulher que tinha perdido o marido, logo tascou: “tudo bem com a senhora?”. Do meu canto, em silêncio, foi impossível não esboçar um sorriso. Aquele homem acabara de cometer uma gafe.
O fato só revela o quanto essa frase é repetida mais por um hábito do que necessariamente por uma preocupação real nossa com o que está sentindo a outra pessoa. Claro, existem exceções. Como também existem pessoas que, ao ouvir um “tudo bem?” já começam a expor toda sua vida. Ali desfilam os problemas no trabalho, no casamento, com vizinhos… enfim. E quem simplesmente quis ser educado, acaba ouvindo o que não esperava – ou não desejava. Afinal, o diálogo obvio é mais ou menos este:
- Tudo bem?
- Sim, tudo bem. E você?
- Está tudo bem, graças a Deus.
Gosto dessa troca de gentilezas. Como tantas outras pessoas, repito com freqüência. Mas confesso que a frase “está tudo bem” me incomoda um pouco. Às vezes, chego a evitar a resposta. Não pelo fato de não estar me sentindo bem, mas porque me pego pensando na profundidade do que representaria essa pergunta.
Sei. É meio filosófico isto, mas pare para pensar um pouco: o que é estar tudo bem? Não vale estar bem só de saúde. Também não pode ser apenas financeiramente. E se a saúde vai bem e a carteira também, ainda assim não dá para dizer: “está tudo bem”. Para essa condição se realizar, é preciso ir além.
Você pode ter dinheiro, mas estar infeliz com o emprego; pode ter uma boa casa, mas ter um péssimo casamento; ou pode ter um bom relacionamento com sua mulher, com seu marido, mas viver em tensão constante com a sogra; quem sabe está irritado porque seu carro vive dando problemas; ou ainda porque tem sonhos que nunca consegue realizar.
Estar tudo bem seria estar pleno. Numa condição de bem estar em todas as áreas da vida.
Não é possível viver sem os problemas cotidianos. Por isso, estar tudo bem é quase uma utopia. Sempre existirão espinhos. Alguns mais dolorosos; outros, menos. Mas estarão lá.
Uma resposta convicta, consciente – “está tudo bem!” – é quase um ato de fé. Também é uma necessidade, um motivo a se buscar, uma expressão, uma crença de que problemas existem, mas que nenhum deles é maior que a razão de nosso existir.
domingo, agosto 29, 2010
Dizer sim para a vida
Mas por que isso acontece? Há muitas razões. Entre elas, o medo de dizer “sim”.
Lembro-me de um filme que aborda esse tema. Em “Sim Senhor”, o ator e comediante Jim Carrey interpreta Carl Allen. A história começa apresentando algumas características do personagem. Ele surge como uma pessoa negativa, que vive reclamando. Reclama de tudo – das poucas oportunidades no trabalho até da namorada que o abandonou. Carl Allen parece um grande azarado – semelhante a muitas pessoas que conhecemos.
Tudo muda na vida dele após uma palestra de auto-ajuda. Como que hipnotizado pelo palestrante, o personagem de Jim Carrey passa a dizer “sim” para a vida. Ele responde afirmativamente a qualquer convite. Mesmo diante de situações inusitadas e duvidosas, Allen diz “sim”.
Embora trate do assunto de forma cômica e até pouco responsável, o filme é capaz de chamar nossa atenção para a maneira emburrada como muitas vezes recebemos os presentes que a vida nos dá.
Por medo ou insegurança, tem gente que sofre para dizer um “sim”. O “não” se repete em seus dias. A vida vai desfilando diante de seus olhos, mas vê tudo à distância. As oportunidades passam e a pessoa não consegue se apropriar de nenhuma delas. Chances reais são desperdiçadas pela incapacidade de superar os próprios limites.
Caro leitor, os “nãos” que permanecem em nossos lábios são barreiras que construímos entre nós e a vida que sonhamos. Podem nos roubar a chance de fazer boas amizades, conquistar um novo emprego ou mesmo de vivermos um grande amor.
Ninguém precisa e nem deve dizer “sim” para tudo. Temos o direito de responder “não” para uma proposta pouco responsável ou mesmo agressiva. Você não vai aceitar a “cantada” de um colega de trabalho apenas porque deseja dizer “sim” para a vida. Nem vai responder “sim” a uma proposta de emprego, se está feliz onde trabalha, tem boa remuneração, é reconhecido pela chefia e tem a possibilidade de construir uma
carreira estável e de sucesso.
Entretanto, ter mais disposição para ousar, experimentar é reconhecer que falar “sim” para a vida é abrir a janela para o futuro, para a vida que sempre que sonhamos, mas que por vezes rejeitamos com nosso negativismo e falta de fé.
domingo, junho 13, 2010
Palavras traduzem nossas emoções?
Um pensador russo, M. Bakhtin, apontou que a palavra é o modo mais puro e sensível da relação social. Também disse que preenche qualquer espécie de função ideológica: estética, científica, moral, religiosa. Entretanto, ressaltou que nem todos os fenômenos podem ser inteiramente substituídos por palavras.
Amo as palavras. Não tenho o talento de um João Ubaldo Ribeiro, com todo seu cuidado e esmero na escolha de cada uma delas para compor seus textos. Estou longe, muito longe dele. Porém, sinto-me encantado com seu poder mágico de sugerir o que vai no coração. Quando bem escolhidas, comovem, tocam. Também são capazes de polemizar, convencer, calar. É por isso que Bakhtin ressalta: a palavra é um signo neutro. Em qualquer contexto, servimo-nos delas para nos expressarmos.
Bem, não quero aqui desfilar argumentos da lingüística, da semiologia. Não é esta a intenção. Meu texto é apenas a expressão de uma vontade de pensar a palavra como esse instrumento que nos faz compreendidos pelo outro. Mas que, mesmo combinadas e recombinadas, nem sempre traduzem o que sentimos.
Por exemplo, como tratar do amor que uma mãe tem por seu filho? Teriam o poder de revelar tamanho sentimento? Como alguém apaixonado expressa a emoção de estar ao lado da pessoa amada? Como falar da saudade que aperta, que machuca e faz chorar? Como expressar a sensação de um abraço, que acalma, conforta e nos faz perder a noção de tempo e lugar? Como, depois de seis meses repetindo todos os dias “eu te amo”, garantir que a frase expresse com a mesma força tamanho sentimento?
Nossas emoções são maiores que as palavras. Elas sugerem, mas não refletem. Falar das coisas do coração não é o mesmo que pedir: “tire o copo da mesa, por favor” ou “você poderia me dizer quanto está custando essa televisão?”. Não é simples assim. Por isso, quando tratamos de coisas abstratas o universo da linguagem pode conspirar contra ou a nosso favor.
As palavras, depois de ditas ou escritas, passam a ter vida própria. Já não nos pertencem. São do mundo, pertencem ao outro – ao leitor ou ao ouvinte. Por isso, ganham novos sentidos. Muitas vezes, diferentes demais daquilo que desejávamos. Não dá para controlar.
Esta é uma das riquezas desse signo. Elas são experimentadas de acordo com nossas vivências. Sentimos cada uma delas de uma forma. Isto é mágico. Por um lado, podemos concentrar todos os nossos desejos na composição das frases mais lindas e tocarmos alguém; por outro, nossa poesia pode simplesmente ser ignorada.
Porém, essa magia também guarda perigos. Mais que deixar de alcançar nossos objetivos, um enunciado é passível de ser compreendido de maneira distorcida. Não raras vezes, alguém se chateia com algo que falamos. Muitas vezes, a intenção era dizer uma coisa, mas o outro entendeu diferente. Brigas acontecem, mágoas ficam guardadas no peito. Pior é que, em algumas situações, somos incapazes de reconhecer que não somos donos do discurso. E que a fala ganha sentidos no outro. É o ouvinte, leitor que dá o significado.
A compreensão do encanto das palavras, sua incompletude na tradução de nossas emoções, a autonomia dos sentidos são aspectos fundamentais e transformadores, inclusive nas relações humanas. Tornar-nos-íamos mais compreensivos com o outro se pudéssemos perceber que a vida que se expressa em palavras não é a mesma que se passa no coração.
terça-feira, junho 08, 2010
Escravos da imagem
Hoje, há cursos específicos que ensinam a ter postura. Não se trata simplesmente de etiqueta. A ideia é treinar as pessoas a fim de se tornarem seres relacionais, capazes de se adequarem aos diferentes ambientes. Se o problema está na incapacidade de convivência com a mulher, namorada etc, manda o sujeito para a terapia ou para um curso de noivos/casais. Não sabe trabalhar em equipe? Capacitação nele! Passa imagem de arrogante, prepotente ou egoísta? Treinamento resolve. Na verdade, com a orientação adequada, qualquer pessoa consegue melhorar bastante sua imagem e garantir o sucesso desejado – seja na vida pessoal, amorosa ou profissional.
Todos nós carecemos de máscaras. Elas escondem nossas fragilidades, silencia nossos impulsos irracionais. Não há quem as dispense completamente. São fundamentais. Precisamos para “engolir alguns sapos”, preservar amizades, não agredir aqueles que amamos, evitar mágoas… Sem maquiarmos nossa verdadeira face, a convivência social se tornaria impossível. Afinal, as pessoas que mais rejeitamos são justamente aquelas que se dizem as mais “verdadeiras”.
Quem costuma dizer “eu não levo desaforo pra casa”, geralmente se torna irritante e a evitamos. Ninguém gosta de ser agredido. Ninguém se sente bem ao lado de quem fala demais e não mede as palavras. O trato com o que vamos dizer e com a maneira com que falamos é um princípio fundamental para o estabelecimento e manutenção dos relacionamentos. Trata-se, portanto, de uma máscara que usamos. Se não nos preocupássemos com o outro ou com o que vão pensar de nós, agiríamos da mesma forma? Talvez não.
Queremos causar uma boa impressão. É natural. Afinal, buscamos no outro nossa afirmação e identidade. Muito daquilo que acreditamos que somos é referenciado pelo que falam de nós. Poucos podem dizer “não ligo para o que pensam de mim”. Talvez até relevamos a opinião que alguns têm a nosso respeito, mas, por outro lado, não dá para negar que vamos considerar a imagem que construímos – ainda que em apenas certos meios ou diante de algumas pessoas.
Nada disso é ruim. Faz parte de nossa vida. É necessário. Somos frutos do meio. Não estamos sozinhos no mundo. Entretanto, muitas vezes nos tornamos reféns de nossa imagem. Quando isso acontece, temos um problema. Perdemos a identidade. Deixamos de ser o que somos para viver como querem que vivamos. Pode até parecer interessante durante algum tempo, pois é desejável a aprovação do outro. Mas aos poucos a infelicidade bate à porta e o que era bonito se torna feio, o que era claro fica escuro, a vida fica amarga e os dias passam a ser uma grande mentira.
Não há uma receita para escapar do risco de se tornar escravo de sua própria imagem. Contudo, uma dica pode ajudar: conhecer-se. Quem se conhece, percebe o que dá prazer, o que causa satisfação e é capaz de avaliar até que ponto as máscaras são necessárias. Elas podem até nos ajudar a viver melhor, mas não podemos permitir que ocultem quem verdadeiramente somos, silenciando nossos sonhos, desejos, escondendo nosso caráter e personalidade.