Blog do Ronaldo

terça-feira, setembro 08, 2009

Os riscos da intimidade na rede

Uma professora foi demitida após ter um vídeo que a mostra dançando divulgado no Youtube. Uma bela atriz global foi à delegacia registrar queixa contra o ex-marido por causa do sumiço de uma máquina fotográfica. Nela estavam fotos íntimas. Dois rapazes conversam animadamente no Twitter, ignorando os demais seguidores, mas ali deixando marcas de um relacionamento homossexual.

Os três casos têm semelhanças, embora cada um deles esteja numa fase diferente. Em comum, o fato de não terem cuidado com as novas ferramentas tecnológicas.

Vamos entender… A professora mencionada tem apenas 28 anos. É jovem, bonitona, solteira. Até dias atrás dava aulas para crianças de cinco anos numa escola particular de Salvador, Bahia. Em junho passado, foi ao show de pagode da banda O Troco. Não tinha idéia que uma diversão momentânea causaria tanto sofrimento.

O hit do grupo é a música “Todo Enfiado”. Em cada apresentação, o cantor convida pessoas da platéia para fazerem, no palco, a coreografia. A dança é provocativa e, num trecho, o vocalista puxa o vestido da candidata e segura sua calcinha reforçando a frase de efeito da música. Quem sobe ao palco conhece cada movimento da dança sexual. E lá estava a professora. Só não imaginava que pudesse se transformar numa “celebridade” do Youtube (várias pessoas gravaram sua performance e colocaram o vídeo na internet).

A divulgação levou vizinhos, gente do bairro e pais de alunos a conhecerem o lado noturno da educadora. Além de ser hostilizada, obrigada a mudar de endereço, foi demitida. A escola alega que a jovem era boa funcionária, mas precisava preservá-la.

A instituição fez a coisa certa? Não sei. Ninguém tem direito de invadir a privacidade alheia. Nela, cada um faz o que desejar. Por outro lado, o que era privado tornou-se público e as crianças precisam ter no educador um modelo.

Mas, de uma coisa sei: a professora está arrependida. Não imaginava estar sendo filmada. Não faria de novo. Entretanto, agora é tarde. A dança dela está lá pra quem quiser ver. E já viram mais de 100 mil pessoas. A vida dessa jovem mudou de rumo por ter se exposto por apenas três ou quatro minutos.

E a atriz? Esta ainda não foi envergonhada publicamente. Contudo, teme experimentar o drama conhecido pela professora. Por isso, quer a máquina fotográfica de volta. A preocupação não é com o equipamento; são com as fotos sensuais que ali estão arquivadas.

Já os rapazes não pensam nisso. Talvez não se deram conta que a vida, a intimidade deles é observada por algumas dezenas de seguidores do Twitter e por quem quiser dar uma olhadela no microblog. São marcas que às vezes permitem tratamento preconceituoso ou mesmo a perda de oportunidades de trabalho. Não por causa da homossexualidade, mas pela incapacidade de se preservarem.

Na verdade, nas três situações temos um quadro típico da atualidade. As ferramentas tecnológicas são encantadoras, fascinantes e nos abrem inúmeras possibilidades. Os equipamentos digitais fotografam, filmam e tem tantas outras funções que, por um instante, pode parecer inocente se deixar expor diante das lentes.

Com os blogs, Orkut, Twitter, Facebook, Youtube etc temos ferramentas que democratizaram o processo de comunicação. Todo mundo pode produzir conteúdo. Desconhecidos se transformam em celebridades. No entanto, a diversão às vezes custa caro. É impossível dimensionar as consequências da divulgação na rede de algo íntimo, privado. Por isso, um pouco de cautela, pudor, bom-senso, racionalidade ainda é o melhor que se tem a fazer.

sexta-feira, setembro 04, 2009

Um olá, uma música...

Estou fechando a conta da semana...
Vou aproveitar o fim de semana para ver meus pais, sogros, a família.
São eles as coisas mais preciosas para mim.

Fico impressionado com os hábitos contemporâneos.
Assustado em ver que muita gente já não preza a família.
Tem gente que consegue ficar meses, anos, sem ver os pais.
Outros acham casamento algo descartável.
Particularmente, não consigo me ver sem essa referência.
É meu chão, minha razão de viver.

Bem, mas hoje não é dia de produzir uma reflexão sobre o assunto.
Já falo com frequência sobre este tema por aqui.

Nesta sexta, quero apenas deixar uma música pra você ouvir.
É do Kleber Lucas. Um dos meus cantores preferidos.
E a canção me encanta... Sugiro, inclusive, o DVD do Kleber.
Comunhão, é o que tem essa música.

Bom fim de semana a todos!

quinta-feira, setembro 03, 2009

O blog da Novo Tempo de Maringá

Estou apaixonado pelo blog da Novo Tempo de Maringá.
Coisas de Bia... A locutora da emissora.
Ela é criatividade, inovadora e, por sua iniciativa, a NT criou um blog.
E está o maior sucesso.
Diariamente, dezenos de leitores passam pela página.
Muita agente aproveita para fazer download dos programas.
Legal mesmo!

Gosto dos blogs.
Não apenas porque estou postando há quatro anos...
Mas pelo que representam essas páginas.
Sinceramente, é muito melhor que manter um site.

Portanto, parabéns à Bia e a Novo Tempo.

terça-feira, setembro 01, 2009

As oportunidades nossas de cada dia

Elas estão ali... Bem próximas, diante de nós, basta agarrá-las. Se as abraçarmos, sonhos podem se realizar, toda uma vida pode ser completamente diferente. Elas são as oportunidades. Não as encontramos todos os dias. Em algumas fases, são mais frequentes. Noutras, quase ausentes. Mas desfilam para todos. O que faz de uns mais “sortudos” e de outros, “azarados”, é a capacidade de vê-las e alcançá-las.

O que me impressiona é a ausência de percepção de que as oportunidades existem. Infelizmente, vamos perder algumas delas. Não tem jeito. Por medo, timidez, ansiedade, precipitação, miopia etc, certas chances que a vida nos oferece simplesmente ficarão no reino do “e se”. E se eu tivesse pedido aquela moça em namoro? E se eu tivesse aceitado aquele emprego? E se eu tivesse falado com o fulano? O “e se” não existe. É só uma hipótese para especularmos diante de algo que não volta mais.

Lembro de um amigo que gostava muito de uma garota durante o período escolar. Era apaixonado por ela. Via na jovem tudo que gostaria de encontrar numa mulher. Sentia ciúmes dos relacionamentos que ela mantinha. Observou e até a confortou nas vezes que terminou namoros. Sabia que podia ser o cara que a garota procurava. Mas a convivência e amizade o impediram de dar o passo decisivo. Ele nunca perguntou: “você quer namorar comigo?”. Vale dizer que essa pergunta, hoje, caiu em desuso, mas, na época, era fundamental para começar um relacionamento.

No dia em que se casou, a garota estava lá. Não como noiva, mas no papel de madrinha. Nunca soube se ela aceitaria ficar com ele. Perdeu a chance de ser feliz? Talvez não. A vida quem sabe tenha sido generosa dando-lhe uma outra companheira. Mas a pergunta ficou: “como seria se tivesse tido coragem de vencer o medo e a pedisse em namoro?”. Teria dado certo? Ou seria trágico? Nunca saberá.

Entretanto, não se perdem oportunidades apenas nos relacionamentos. Na vida profissional sobram exemplos de pessoas que poderiam ter conquistado sucesso, mas esbarraram numa certa inocência ou na pouca crença de que são capazes. Às vezes a chance está lá, mas a pessoa não acredita. Tem ocasiões que falta tão pouco - quem sabe algumas horas de dedicação a mais, um pouco de comprometimento, demonstração de vontade, disciplina, rigor com horários, ousadia, criatividade. No entanto, a pessoa não consegue ver que o momento decisivo está diante dela.

Isto acontece muito com nossos jovens. É natural. A adolescência, a juventude são feitas de erros e acertos. São os erros que contribuem para a construção do indivíduo. São os erros que nos capacitam a ter melhores critérios de julgamento, mais experiência. Certamente, decisões que tomo hoje poderão causar arrependimento amanhã. E, se fossem tomadas amanhã, a escolha poderia ser outra.

Ainda assim, entendo que há um caminho de sabedoria. Quando se trilha por ele, é mais fácil descobrir e se apropriar das oportunidades que a vida oferece. Mas a sabedoria é algo que se conquista por meio do estudo, da observação, da capacidade de ouvir, de buscar conselhos, da escolha de boas amizades, do respeito e atenção aos mais velhos.

segunda-feira, agosto 31, 2009

Trabalhando muito... Correndo atrás do vento

Vi hoje um estudo que revela o desejo dos trabalhadores de se aposentarem aos 55 anos. Na verdade, metade dos entrevistados respondeu que gostaria de parar de trabalhar nessa idade. É compreensível. Também não acharia ruim me aposentar aos 55. Gosto de trabalhar, sou apaixonado pelo que faço, mas não ter que me preocupar com trabalho; pelo contrário, ter uma renda garantida aos 55 anos, me parece algo bastante razoável.

Esse desejo de se aposentar numa idade ainda produtiva tem algumas razões. Entendo que a maioria das pessoas trabalha mais que gostaria. Todo mundo precisa trabalhar, sente-se produtivo. Mas a jornada de trabalho geralmente vai além do limite físico. Por conta disso, falta tempo para família, lazer, relacionamentos. Com isso, planos e projetos são feitos para o período da aposentadoria.

As pessoas passam a viver em função disso. Trabalham, trabalham e ficam sonhando com o que farão quando se aposentarem. Aquela viagem dos sonhos, o aprendizado de uma atividade nova - pintura, música etc -, o exercício físico, enfim, tudo vai sendo transferido para o pós-aposentadoria.

Logo, é compreensível que as pessoas queiram parar de trabalhar aos 55 anos. Estão cheias de planos. Querem realizá-los, mas sabem que a rotina do dia-a-dia as consomem. É necessário se aposentar. Mas tem que ser numa idade em que a vida esteja plena. Ainda haja tempo para conquistar o que hoje não se pode alcançar.

Entretanto, embora o desejo de aposentar exista, pouca gente poderá cruzar os braços numa fase tão produtiva da vida. Com o envelhecimento da população, sabe-se que as demandas da Previdência Social são crescentes. Não há dinheiro para bancar tanta gente sem fazer nada, recebendo mensalmente do governo. Por isso, há projetos engavetados de reforma da previdência... Todos eles contando com uma idade mínima para aposentadoria acima dos limites da legislação atual.

Portanto, quem vive sonhando em realizar projetos apenas quando se aposentar está deixando de viver. Na verdade, está abrindo mão do aqui e agora. Poderíamos ainda dizer, que essas pessoas estão perdendo a chance de experimentarem o projeto de Deus. E eu me incluo neste grupo. Afinal, também trabalho demais, corro muito e tenho deixado a vida passar.

No entanto, temos que reconhecer que o tempo é este. Tudo mais, como diz o sábio Salomão, é vaidade. É correr atrás do vento.

sexta-feira, agosto 28, 2009

Republicando... Manual de Convivência

Este tema foi reprisado ontem na Novo Tempo. Alguns ouvintes e leitores pediram que voltasse a disponibilizar o texto. Cá está...

Numa de minhas últimas aulas falei sobre os personagens que assumimos para a convivência em sociedade. Cada um de nós precisa de uma certa maquiagem para se relacionar. Não se trata necessariamente de uma máscara, de viver uma mentira. Apenas ter atitudes convenientes para preservar o outro e a nós mesmos.

É verdade que algumas pessoas assumem máscaras. Mostram uma cara, mas são totalmente diferentes daquilo que procuram revelar. Isto é nocivo. Patológico. Precisa de tratamento.

Entretanto, para o bom relacionamento em sociedade temos que assumir personagens. Faz parte do manual básico de convivência. Por exemplo, se alguém te convida para jantar e a refeição não está das mais saborosas, por delicadeza você não vai dizer que a comida estava ruim.

Quando sua esposa/namorada corta os cabelos e chega toda feliz da vida em casa, tudo que você não deve fazer é dizer que ficou feio. Além de acabar com a alegria dela, você vai chateá-la. Algo totalmente desnecessário. Afinal, o cabelo já está cortado e não há muito o que fazer a não ser aceitar o novo visual.

Essas são práticas simples, básicas, que não tornam você um mentiroso. Pelo contrário. Vão inclusive ao encontro da recomendação bíblica de que devemos ser cautelosos no falar. Delicados ao falar. E mais que isso, não devemos falar demais.

No entanto, muita gente sofre de incontinência verbal. São pessoas que justificam: “isso é da minha personalidade. Eu sou assim mesmo. Eu falo o que penso”. Claro, todo mundo tem direito de falar o que quer, mas essa não deveria ser a nossa atitude. Essa pseudo-sinceridade magoa, entristece e não traz felicidade. Portanto, se você mantém o hábito de falar tudo que vem à mente, sugiro que repense seus valores. Sugiro que reflita mais de dez vezes antes de abrir a boca - ou escrever. O outro não tem a obrigação de ouvir seus acessos de sinceridade…

quinta-feira, agosto 27, 2009

Ministros a serviço do próprio bolso

Sou cristão, mas às vezes sinto vergonha de dizer que pertenço a uma igreja.
O comportamento de certas denominações causa constrangimento.
Vi há pouco no blog da Nani a cópia de um folheto.
Numa parte dele, a imagem que você vê abaixo.

Infelizmente, ter uma igreja virou mesmo um bom negócio.
Com a promessa de bênçãos, prosperidade, tem muitos líderes enganando os fiés.
Serão cobrados naquele dia...

Nada inédito

Gente, não deu para gravar um programa novo para a Novo Tempo.
Hoje era dia de novidade na Rede.
Não deu...
Ontem, ficamos sem internet, telefone, rede...
Nossa dependência das tecnologias, deixa-nos na mão em alguns momentos.
Foi o que aconteceu.
O papo é uma reprise.
Uma boa reprise, já que apresento nosso "Manual de Relacionamentos".

terça-feira, agosto 25, 2009

Assédio sexual no consultório médico

Quem está seguro? Após as denúncias e prisão preventiva do médico Roger Abdelmassih, quem pode sustentar que não sente nenhum friozinho na barriga quando o tema é assédio sexual no consultório médico?

Por natureza, sou desconfiado. Desconfio de tudo e de todos. Obviamente, isto não me faz bem. Muitas vezes fico afastado das pessoas e gente com a qual poderia ter uma boa amizade também prefere manter comigo um relacionamento mais formal, pouco caloroso.

Essa minha desconfiança sempre me fez olhar para os consultórios médicos como um ambiente especializado para tratamentos de saúde, mas passível de revelar a face cruel do homem. Entendo que o médico deve ser um cidadão moral, ético – como qualquer outro. Contudo, exatamente por ser humano é frágil, fraco, capaz de agir impulsivamente, logo, criminosamente.

Caro leitor, não me entenda mal. Este texto não é uma declaração contra esses profissionais. Conheço dezenas deles, respeito-os, sei da seriedade e competência revelada no exercício de suas atividades. Não tenho nenhum elemento que possa colocar em xeque a idoneidade de médicos da nossa região. Mas ainda assim me pergunto: quem está seguro?

doutor_rogerRoger Abdelmassih era o médico das estrelas. Um homem conceituado. Amigo de Roberto Carlos, Hebe Camargo, Pelé; responsável pelo atendimento de gente do nível do ex-presidente Fernando Collor de Mello e a mulher, Caroline; Carlos Alberto de Nóbrega e Andréa; Moacir Franco e Daniela; o apresentador Gugu Libertado e a mãe de seus filhos, Rose. A lista é extensa. São mais de 7 mil bebês que vieram ao mundo por meio dos trabalhos realizados na clínica do especialista.

Entretanto, o fato de atuar há quase 40 anos, de ser um médico conceituado, a maior autoridade em reprodução assistida do país, dono de uma clínica poderosa, milionária, hoje, não representa absolutamente nada. Para as supostas vítimas do doutor Roger, tanta fama e poder só contribuíram para a disseminação do medo e do silêncio por tantos anos. Na prática, o status de Abdelmassih lhe deu uma autoridade que o mantinha imune a toda e qualquer acusação.

Ninguém ainda pode dizer que Roger Abdelmassih cometeu os crimes listados – estupro, assédio sexual e até mesmo pesquisas questionáveis, ilegais. Mas sua história contribui para causar medo. Afinal, o médico parece ser aquele ser deixado por Deus para auxiliar homens e mulheres a ter uma vida melhor – sofrer menos, aliviar a dor, realizar o sonho de ter um filho.

Quantos pacientes diariamente entram num consultório médico vendo ali um semi-deus? Alguém capaz de quase tudo? Por isso, sentem-se menores e colocam-se à disposição para realizar todo e qualquer tipo de procedimento. Então, como aceitar que nesse mesmo espaço convivam um anjo e um monstro?

Não há o que dizer a respeito da conduta médica. É desnecessário mencionar o código de ética. Tal código é só um documento. Ter formação numa determinada área não significa a vivência de artigos, incisos, parágrafos listados num papel qualquer. Este profissional, semelhante a outro, carece ser apenas um ser moral. No consultório, no balcão da loja, no guichê do banco, na publicação de uma notícia etc, espera-se apenas que não façamos ao outro aquilo que não gostaríamos que alguém fizesse a nós.

domingo, agosto 23, 2009

Mexi de novo no visual do blog

Desculpa aí...
Mexi de novo no visual do blog.
Estou vivendo minha eterna insatisfação com este espaço.
Quero que ele seja mais que um blog para divulgar os textos de rádio do Fato Pensado.
A ideia é dialogar com o leitor...
Apresentar-me como num diário aberto, sem censura.

Exagero?
Talvez.

Mas a proposta é construir algo que permita mais que manter um simples blog para se ler um texto ou outro que tenha causado interesse em quem me acompanha pela Novo Tempo.

sexta-feira, agosto 21, 2009

Uma música, uma mensagem

Gosto de Kirk Franklin. É verdade... Ele é polêmico, estiloso, desagrada os mais tradicionais, mas a música de Kirk alcança muita gente que nunca ouviria de Jesus por métodos, digamos, convencionais. Aqui disponibilizo uma bela canção, inspiradora.

quinta-feira, agosto 20, 2009

Pais frouxos, filhos dominadores

Vivemos tempos de indisciplina. Total, irrestrita, ampla e, talvez, permanente. Não sei se poderia dizer que se trata do verdadeiro “mal do século”, mas a ausência de regras – ou a incapacidade de estabelecê-las – nos faz observar o crescimento de uma geração autoritária, dominadora.

Talvez o parágrafo acima revele uma visão catastrófica. Mas é assim que avalio o cenário construído pelos pais “modernos”. A mesma frouxidão moral que notamos na política, existe na esfera educacional doméstica. Pais frouxos, incapazes de fazer valer critérios básicos de comportamento.

Estou longe de ser um pai-modelo. E, distante de ter uma família-modelo. Entretanto, ainda entendo que adultos somos nós, pais. Crianças são crianças; seres em formação. A autoridade é nossa. Somos nós que temos mais vivência, experiência, discernimento. Não são as crianças. Elas são lindas, encantadoras, a “coisa mais lindinha do papai”, mas não mandam. Ou pelo menos não deveriam.

Na verdade, este é o problema. Elas não deveriam mandar. Contudo, tenho visto filhos com dois anos fazerem os pais de “gato e sapato”. É ridículo, mas fico notando mães correndo atrás de suas crianças, perdidas, desesperadas, descontroladas, incapazes de conter um ser tão pequeno. Afinal, quem é a mãe?

Como alguém de dois, três anos pode dominar completamente um adulto com mais de 20 ou 30 anos? Chega a ser engraçado vê-las gritando com suas crianças. Deixam os pequenos neuróticos, ainda mais agitados e irritadiços, mas não conseguem dar conta de dominar os filhos.

Pelo lado deles, os homens fazem “cara de paisagem”, alguns até tentam falar grosso, mas caem diante dos reizinhos após poucas frases teimosas ou de insistências. Também não são capazes de resistir ao charminho das crianças e acabam achando tudo bonitinho. Mal sabem eles que podem estar contribuindo para as crianças de hoje se tornarem monstros amanhã.

Muitos pais de hoje são frouxos, não porque deixarem de bater nos filhos. De maneira alguma. Dia desses ouvi uma mãe confessar a uma amiga: “não sei mais o que fazer. Já briguei, já bati, deixei de castigo, só falta espancar”. Detalhe, a fera a ser domada tem apenas dois anos. Esses pais são frouxos, pois são inseguros, incoerentes. Não possuem um projeto de educação para os filhos. Não tem nada a ver com correção física.

Na verdade, o que reina na proposta disciplinar das crianças é o amadorismo. É verdade que nenhuma delas vem com manual de instrução. Mas, se para tudo nos preparamos, por que a educação dos pequenos é feita na base do “achismo”? Vai dar errado mesmo. Os pais devem saber o que querem para os filhos. Precisam dialogar, estudar, conversar com gente que reúne condições de aconselhar e aplicar a disciplina em comum acordo. Quando a mãe diz algo, o pai sustenta. Mesmo se alguém estiver errado.

Os filhos reconhecem as contradições e conflitos disciplinares. Eles nascem “programados” para testar nossos limites. E, diferente de nós, são persistentes. Ganham fácil a disputa, se, do outro lado, não houver educadores prontos para o desafio. O processo disciplinar se dá numa arena entre gladiadores. No entanto, o cenário não é de briga. Não é uma luta para saber quem é o mais forte. É um embate, apenas porque de um lado está um pequeno ser que reclama desesperado por formação.

terça-feira, agosto 18, 2009

Programete apresentado na Rede Novo Tempo

Amigos, abaixo disponibilizo o audio do programete que foi ao ar pela Rede Novo Tempo.

Displicente

Gente, ando displicente com este blog. Não é fácil produzir para tantos espaços. Dar conta de produzir e manter no ar o principal jornal da maior emissora de notícias de Maringá, a CBN, preparar e dar aulas, manter um blog de comentários e notícias, o Twitter, escrever regularmente artigos para jornal e mais o Fato Pensado... Enfim, é tarefa árdua. Sem contar as atividades rotineiras na igreja.

Por isso, peço desculpas aos leitores por não dar atenção necessária a este blog. Às vezes, até mesmo os programas que vão ao ar na Rede Novo Tempo ficam fora deste espaço. Espero que tenham paciência enquanto vamos conciliando as tarefas e continuem nos visitando nesta "casa".

quarta-feira, agosto 12, 2009

Sexo está na lista de termos mais buscados pelas crianças na internet

Já disse aqui noutras ocasiões que pais que desconhecem as novas ferramentas tecnológicas e não controlam o conteúdo acessado pelos filhos vivem à margem da vida da molecada. Pois bem... Agora temos mais um estudo que reforça a tese de que os adultos ignoram o que suas crianças andam fazendo.

Uma pesquisa realizada pela companhia de segurança de computadores Symantec Corp identificou que "sexo" é o quarto termo mais buscado pelas crianças na internet. Junto com "sexo", aparece "pornografia". Assustador? Nem tanto. Eles têm curiosidade. Buscam respostas. Os pais nem sempre estão prontos e dispostos a conversar com os filhos sobre esses temas. Como, hoje, todas as respostas podem ser encontradas no Google, lá estão eles pesquisando o que lhes interessa. Somado a isso, os pais não entendem quase nada de internet e redes sociais. E quando conhecem, acham que só os filhos dos outros procuram páginas de conteúdo adulto.

terça-feira, agosto 11, 2009

Mulheres otimistas vivem mais e melhor

Uma pesquisa realizada por cientistas americanos revela que mulheres otimistas vivem mais. O estudo é curioso, importante. Entretanto, não é difícil concluir que pessoas que estão de bem com o mundo têm mais qualidade de vida.

Já temos dito aqui que quem vive amargurado, reclamando de tudo, quase sempre traz para o corpo uma série de problemas. E o contrário também é verdadeiro. Gente feliz consegue ter melhor controle da pressão arterial, geralmente está livre de depressão, ansiedade, estresse. Enfim, sofre menos.

sexta-feira, agosto 07, 2009

Um apelo por tolerância

Vivemos um tempo em que supostamente as pessoas se respeitam mais, aceitam a diversidade, lidam bem os com os gêneros. Pelo menos este parece ser o discurso dominante. Somos todos iguais. A Constituição sustenta tal tese. Mais que a própria carta magna, há leis para garantirem o respeito ao outro. Mas existe de fato a aceitação?

Não creio nisto. Desde a infância, o diferente é agredido. Na escola, a vítima pode ser o negro, o pardo, o mais pobre, o tímido, o gordinho, o gago, o que fala errado, o que se veste “mal”, aquele que tem trejeitos e é tido como homossexual... Na verdade, passam-se as fases da vida e o comportamento preconceituoso, discriminatório só muda de lugar. Existe um abismo entre o discurso oficial de tolerância e nossas atitudes no dia-a-dia.

Egoístas como somos temos pouca disposição para aceitar o outro. Parece estar no nosso DNA o desejo de excluir. Queremos os diferentes bem longe de nós. Contudo, o mal é menor quando apenas nos afastamos. Noutras tantas ocasiões, falamos mal, caçoamos, perseguimos. Talvez por isso esteja tão na moda falar em assédio moral. E ele não acontece apenas na relação chefe-empregado. Colegas de trabalho praticam tal crime. Na infância, o termo para essa agressão é outro. Vem do inglês. Chama-se Bullying.

Uma outra forma clara da não aceitação do outro é observada na internet. Tenho dito que a rede revela o que há de mais cruel no caráter do homem. Tudo aquilo que as pessoas às vezes sentem desejo de dizer, mas não o fazem face a face, deixam extravasar em emails, comentários e textos publicados na web. É assustador.

Vejo, por exemplo, nos blogs – onde o espaço para o comentário é privilegiado -, agressões não adjetiváveis. Dá até a impressão que o autor seria capaz de praticar um ato de violência física, eliminar o outro. Chega a causar medo. Tem textos que me fazem pensar: o que uma pessoa dessas faria se estivesse num regime autoritário com o poder nas mãos?

Quando voltamos na história e apresentamos as atitudes de governantes ditatoriais, muitos ficam indignados, sentem revolta, questionam: como alguém é capaz de tal coisa? Concordo. Não é possível conceber que seres humanos torturavam seus iguais por coisas tão banais e, às vezes, por puro prazer de fazer o outro sofrer.

Entretanto, hoje revelamos a mesma face cruel em atitudes que procuramos esconder atrás de nossa máscara social. Apresentamo-nos como defensores da igualdade, da aceitação, da democracia, mas, no anonimato, ofendemos, agredimos pelo simples fato de o outro ser diferentes de nós – ou por ter opinião contrária. Na verdade, não queremos entender o outro. Desejamos um mundo desenhado à nossa maneira.

Fazemos isso, inclusive, com nossos filhos. Queremos que eles sejam como nós. Às vezes dá tão certo que a molecada reproduz nossa arrogância e despejam toda maldade contra inocentes que sequer têm a chance de se defender.

Sabe, este texto não tem a intenção de concluir nada. Apenas fazer pensar... Pensar no quanto somos mesquinhos e hipócritas. Nosso discurso é de tolerância, mas será que a praticamos? Falamos em espírito democrático, mas temos vivido a democracia?

A vida é mesmo cheia de contradições. Mas há espaço para nos tornamos melhor como seres humanos.

quinta-feira, agosto 06, 2009

É bom ficar sem fazer nada...

Ouça o programete apresentado na Rede Novo Tempo

Eles estão lá, mas nasceram no meio de nós

Quando saia para almoçar, uma mulher me abordou. Ela queria dizer que leu um texto meu no jornal. Tratava-se de um desses artigos que escrevo com regularidade. Geralmente publico no blog, no Hoje Notícias e falo no programa que mantenho em rede nacional na Novo Tempo.

Felizmente, essa senhora não foi a única pessoa que já me procurou para falar sobre essas reflexões. Do contrário, estaria um tanto frustrado. Afinal, são nesses textos que revelo um pouco do que sou, do que penso e do que entendo ser essencial para termos uma vida melhor.

É prazeroso saber que alguém gasta alguns minutos refletindo sobre a existência, sua relação com o mundo, com a sociedade, o cuidado com os filhos etc etc. Isto, a partir de um texto que você escreveu. Mas isso não é o mais importante. Entendo esse tipo de atividade como uma contribuição efetiva para a construção de um ser humano com ideais mais nobres. É uma maneira de falar ao coração.

O exercício do jornalismo é apaixonante. Entretanto, penso que não é apenas a abordagem de questões políticas e econômicas que torna a profissão relevante. Pelo contrário. A história revela que o tal do quarto poder influencia a vida humana, mas faz pouco pelos homens.

Veja o caso da política. Muitos de nós perdemos a fé nos políticos. E com razão. No Brasil, por exemplo, a pressão exercida pela mídia tem efeito próximo de zero sobre muitos deles. O senador e ex-presidente José Sarney é um deles. Poucas vezes na história do país alguém foi alvo de uma campanha tão forte da mídia. Mesmo assim, segue no poder. Seus aliados garantem sustentação.

Mais curioso é ouvir de Sarney que não há motivos para se preocupar. As classes C, D e E não sabem o que é a crise. A afirmação parece uma forma de mostrar forças, nos afrontar e dizer “estou pouco me ‘lixando’ com vocês, jornalistas”.

Situações como essa nos levam a pensar que somos muito mais úteis à sociedade quando nos colocamos a serviço do ser humano. Quando refletimos sobre solidão, relacionamentos, consumismo, novas tecnologias, educação, pais e filhos etc mexemos com a vida das pessoas. Conseguimos resultados.

Quer dizer que devemos abandonar de vez a crítica ao poder político? Não. Mas é preciso reconhecer que muitas vezes a insistência em determinados temas apenas causam desgastes desnecessários, inclusive emocionais. Afinal, como disse o Sarney, as classes C, D e E não conhecem a crise. Ou seja, estamos numa campanha perdida, já que eles continuarão no poder.

Como mudar isto? Investindo no ser humano. Gente que consegue dar conta de seus conflitos, começa se encontrar como ser humano e passa a ver o mundo com outros olhos. Talvez aí esteja pronto para abandonar a crítica vazia e assumir, com sensibilidade social, uma posição equilibrada, ética, moral que o faça não aceitar mais conviver com gente do “tipo político”, mas que só está lá, porque nasceu aqui, no meio de nós.

Leitura do dia

Amo ao SENHOR, porque ele ouviu a minha voz e a minha súplica. Porque inclinou a mim os seus ouvidos; portanto, o invocarei enquanto viver (Salmos 116:1-2).

Bom dia... Ótima quinta-feira!

quarta-feira, agosto 05, 2009

Uma música pra hoje

Semanas atrás descobri o primeiro CD de Mariana Valadão. Irmã da Ana Paula (Diante do Trono) e do André, a caçula da família fez um disco encantador. Mariana tem uma voz belíssima, suave, um timbre um pouco infantil, mas extremamente agradável. O repertório é dos melhores. Ouça uma das canções.

terça-feira, agosto 04, 2009

A música e alguns de seus efeitos

Gosto de música. Não de qualquer música. Até não tenho problemas quanto aos ritmos. Mas a ausência de uma linguagem musical rica, variada, letra criativa, me incomoda.

Numa das disciplinas que trabalho com meus alunos discuto a música sob a perspectiva estética. A gente fala muito sobre os valores musicais e sua importância como forma de refletir os valores da sociedade de uma época. Na sociedade contemporânea, é impossível não refletir sobre como as regras de mercado afetaram a produção artística.

Mas a questão da música vai além dessa coisa de ser boa ou não. Até por que há visões variadas a respeito do assunto. Tem gostos e gostos. O que me parece importante é perceber nesta arte uma ferramenta não apenas para expressar nossos sentimentos e até para filosofar. A música é um instrumento poderoso para amenizar a dor, o sofrimento das pessoas.

Cada vez mais estudos apontam que tal arte ajuda na recuperação de doentes, desperta nas pessoas o desejo de voltarem a sorrir, reduz os níveis de estresse, tranquiliza, combate a ansiedade. O detalhe é que não é qualquer tipo de música. Muito disso que anda tocando nas rádios e nos equipamentos de sons dos carros que circulam pelas cidades tem efeito inverso - geralmente alienante.

PS- Por sinal, por que quem toca músicas em alto volume sempre tem gosto duvidoso?

sexta-feira, julho 31, 2009

Definida a data para o fim da nova gripe: 10 de agosto

As autoridades paranaenses consultaram os "deuses" e conseguiram descobrir quando o vírus da nova gripe vai deixar de ser transmitido. Pelo menos é isso que entendi com a decisão de fechar as escolas da rede pública de ensino e as universidades estaduais. Embora entenda a necessidade atitudes preventivas, não há justificativa para a suspensão das aulas. Não há nada que possa sustentar a tese de que o risco hoje é maior que o que enfrentaremos em meados de agosto.

Creio que parte da sociedade está agindo de maneira irracional. Certas atitudes apenas reforçam o pânico. Todo um alarde por informações desencontradas, equivocadas. O vírus da Influenza A tem a mesma capacidade de transmissibilidade das demais gripes. E mata menos.

Portanto, ao que parece, pelo por enquanto, tem demonstrado bom-senso as autoridades municipais. Estão fazendo o correto. As aulas serão mantidas nas escolas e creches de Maringá, sem deixar de reforçar atitudes preventivas – incentivar a higiene pessoal (lavar as mãos), locais sempre arejados e limpos etc -, encaminhando para a rede de saúde alunos e familiares que apresentem sintomas da gripe.

PS- Em Maringá, parte da rede particular também optou por seguir o calendário normal de aulas.

quinta-feira, julho 30, 2009

Um imperativo: saia do automático

Há dias mantenho num balcão de minha casa uma revista. Ela está lá, sem abrir. A publicação tem uma linha editorial que não desperta meu interesse. Mas na capa tem a chamada para uma reportagem que leio todos os dias. É como se fosse uma frase a ser lembrada. Um alerta. Diz assim: “Saia do automático para encher a vida de alegria”.

Não li o texto interno da revista. Para mim, essa frase já basta. Ela é mais importante que qualquer dica. Ela é imperativa: “saia do automático”. A chamadinha da capa me diz que, se quero encher meus dias de alegria, preciso romper com o jeito automático de viver.

A frase está lá. Eu a vejo todos os dias. Pelo menos duas ou três vezes. Nesta semana, essa mensagem é significativa demais. Estou carregando um peso enorme por que de forma inesperada surgiu um novo desafio profissional que há muito tempo venho esperando. Entretanto, não vejo como equilibrar o sonho de “sair do automático” e assumir mais um compromisso. Ou dou conta do que estou fazendo ou aceito a proposta e me torno um robô.

Gosto demais de ser desafiado. Queria fazer muito mais do que faço. Queria escrever mais textos a cada dia, ler mais livros, estudar mais, descobrir novas coisas, dominar outros assuntos, dar mais aulas, orientar mais alunos, estar mais presente no dia-a-dia da CBN... Queria mais. No entanto, esbarro no tempo, no relógio, nas limitações físicas, no compromisso com a vida, com a família e na responsabilidade que tenho com as pessoas que esperam meu comprometimento profissional.

Busco acertar. E acertar passa pela tentativa diária de atender o imperativo: “saia do automático”. É uma escolha. Uma opção que tem custos. Mais que financeiros. Entretanto, acredito nas compensações. A recompensa de encher a vida de alegria é a mais esperada. Viver feliz é o que sonhamos. É o que dá sentido a nossa existência.

O trabalho, os compromissos profissionais, a realização de projetos de toda ordem fazem bem ao espírito. É bom se sentir útil. A gente gosta de saber que nossas habilidades são valorizadas. Afinal, também buscamos reconhecimento. Essa busca vem de uma necessidade intrínseca ao ser humano. Queremos ser amados, admirados, desejados.

Mas, ainda que tudo isso faça um bem enorme ao coração, é insuficiente para “encher a vida de alegria”. A longo prazo, os compromissos vão corroendo nossa existência. Aos poucos, o sentimento é de solidão, abandonado. É como se fossemos programados para nos relacionar, para ter momentos de lazer, descanso, diversão – sem esquecer de cuidar da espiritualidade. Por isso, há momentos em que há necessidade de frear, dizer não, cuidar da agenda a fim de garantir tempo para viver outras emoções.

terça-feira, julho 28, 2009

Os desafios impostos pelas novas tecnologias

As novas ferramentas tecnológicas são surpreendentes. Hoje estava refletindo sobre a relação Blog X Twitter e concluía que esta nova mania na rede está aos poucos minando os blogs. A gente começa a escrever nos blogs apenas os textos mais elaborados – aqueles que necessitam de um espaço maior para ser desenvolvidos.

Encontrei um texto inclusive que falava sobre a morte dos blogs e um dos "profetas" dizia ter trocado seu blog pelo Posterous, um serviço ainda pouco conhecido por aqui (todo em inglês). Pois bem, resolvi testá-lo. E gostei do encontrei. Um único texto foi replicado em meu blog pessoal, no Twitter e em minha conta no Facebook.

Bem, mas este não é o assunto deste texto. Quero ir um pouco mais longe... Pretendo refletir sobre as novas tecnologias e as condições que reunimos para dar conta de tantas novidades. Particularmente sou um curioso e conheço como funciona muita coisa hoje disponível na internet. As redes sociais são minhas ferramentas favoritas.

É verdade que nem sempre consigo atualizar tudo e nem produzir conteúdos novos, significativos. Ainda assim, sei trabalhar com a maioria desses serviços.

O principal ponto da discussão é exatamente este: dominar essas ferramentas é necessário, mas até que ponto conseguimos interagir com todas essas novidades? Difícil.

Entendo ser fundamental conhecer a dinâmica da internet e muito do que ela nos oferece, principalmente porque nossas crianças, nossos adolescentes e jovens não encontram dificuldades para trabalhar com tudo aquilo que é desafiador para nós, os mais velhos. Já disse aqui noutra ocasião que pais que ignoram as tecnologias e pouco sabem sobre o universo disponível na internet correm maior risco de perder os filhos.

O que perdem primeiro é o respeito. Rapidamente a molecada vai te achar um dinossauro, um ser de outro mundo - por desconhecer o mundo dele, a linguagem que utilizam. Chega a ser engraçado... Esses garotos falam em Português, mas parecem dialogar em “javanês”. E os pais ficam alheios – literalmente, alienados.

Mas a coisa é muito mais complexa. Pais que desconhecem o mundo das tecnologias, da internet, das redes sociais não sabem por onde andam seus filhos. Afinal, a garotada não precisa sair de casa para estar perdida. Pode estar vivendo um mundo paralelo, nocivo e até criminoso dentro do próprio quarto.

Entretanto, como dar conta da vida cotidiana e ainda aprender a respeito desse novo mundo que se constrói, se destrói e se reconstrói a cada dia? Está aí a receita que eu também gostaria de encontrar. Para tudo que temos é preciso gastar tempo. E quando dedicamos atenção a algo, algum setor de nossa vida pode deixar de ser prioridade.

Então, minha sugestão é tentar ler sobre esses temas. Testar aos poucos cada novidade. Procurar ler publicações especializadas e buscar fazer disso uma rotina. Ninguém aprende tudo de um dia para o outro. Nem vai dar conta de dominar todas as ferramentas. Mas é necessário testar, experimentar, ousar. Errar talvez seja um verbo que você vai conjugar bastante. Ainda assim, vale a pena tentar.

Ah... se você leu este texto, mas entendeu pouca coisa, saiba que você é um belo analfabeto digital. Passou da hora de correr atrás e aprender o mais rápido possível o manual básico nas novidades que certamente seus filhos, sobrinhos, netos já sabem há muito tempo.

segunda-feira, julho 27, 2009

Leitura do dia

Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais, e lhes sucede a mesma coisa; como morre um, assim morre o outro; e todos têm o mesmo fôlego, e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade. Todos vão para um lugar; todos foram feitos do pó, e todos voltarão ao pó (Eclesiástes 3:19-20).

Bom dia... Ótima semana!

sexta-feira, julho 24, 2009

Espetáculo e fé, nossa experiência com Deus

Hoje é o penúltimo dia da Semana de Oração com o pastor Paulo Melo, na Igreja Adventista Central de Maringá. Ele prefere chamar de projeto, a Oficina do Coração. Concordo com ele. Não temos uma semana tradicional de oração. É algo bem distinto, ousado, surpreendente.

A igreja está lotada todas as noites. Não lotada nos termos que a gente geralmente conhece. É algo incomum. Tem telão no salão jovem, gente em pé, outras tantas pessoas sentadas no chão para acompanhar a programação. Um belo espetáculo de fé.

Com exceção de terça-feira, tenho acompanhado os cultos e participado diretamente, já que ministro o louvor. Às 19h30, a igreja está repleta. É quando começamos a cantar. E o público responde. Algo fantástico. Afinal, é sofrido conduzir o louvor em dias normais. Parte do público geralmente é apático e quase não se envolve com a adoração. Às vezes, tenho a impressão de ter um enorme peso das costas. Saio do púlpito com dores. Mas nesta semana tem sido diferente. Ninguém reclama da música empolgante e ritmada e muito menos de o culto ter mais de duas horas de duração. Ontem, por exemplo, terminou 22h20.

Confesso que gostaria de ver na minha igreja comportamento semelhante se reproduzindo após o fim desse projeto. Fico imaginando como será o culto do próximo domingo, quando estivermos no ritmo normal. Será que as pessoas cantarão com a mesma vibração? Dirão amém a cada afirmação do pregador?

Também no domingo estarão de volta ao culto nossos irmãos mais tradicionais. Eles estão ausentes nesta semana. Não aparecem. Devem estar incomodados com tudo que está acontecendo. Devem preferir ficar em casa, longe do barulho das músicas, dos sermões ousados, dos jovens mormóns apresentados como exemplos de envolvimento no evangelismo, dos vídeos com famosos.

Alguns acham que há muito espetáculo e pouca mensagem. É verdade. O pastor Paulo tem promovido um grande espetáculo. Mas noto que em meio a tudo que ocorre, ele apresenta a Bíblia e mensagens duras que geralmente têm sido evitadas em nossos púlpitos. Por isso, vemos tantas decisões. Na última quarta-feira, por exemplo, foram cerca de 50 pessoas que aceitaram o convite - não apenas de entregarem a vida a Jesus, mas mostraram-se dispostas a passar pelo batismo.

É uma verdadeira revolução. Volto a dizer, espero que venha para ficar. E nossos irmãos defensores da fé apática possam também experimentar algo novo na relação com Deus.

Foto: Dina Karla (ANP)

quinta-feira, julho 23, 2009

Em defesa das bicicletas

Numa semana de descobertas, estou conhecendo o movimento identificado como Bicicletada. Por aqui, a coisa ganhou uma certa organização. Embora não tenha “dono”, diretor de evento ou qualquer função parecida, gente que gosta de pedalar se une para mostrar que é legal deixar o carro em casa e andar de bicicleta. Cerca de 300 cidades já recebem o movimento.

A “brincadeira” começou há 17 anos em São Francisco, nos Estados Unidos. Por lá o nome é Critical Mass – ou, Massa Crítica. Toda última sexta-feira do mês, por volta das seis horas da tarde, ciclistas se encontram numa pracinha da cidade. Ciclistas da cidade inteira. Gente que não se conhece, mas que curte a ideia de pedalar. Quando o grupo se torna grande, consistente, sai pelas ruas de São Francisco sem destino certo, invadindo espaços, ocupando o lugar dos carros e motos e promovendo um ato público de resistência aos veículos.

Nem todo mundo gosta da Massa Crítica. Por serem centenas de ciclistas juntos e interromperem o trânsito, invadirem ruas e avenidas importantes de São Francisco num horário complicado – seis da tarde -, existem pessoas que acusam os ciclistas de prejudicaram o trânsito. Mas as reclamações não são maiores que as conquistas do movimento. Sem bandeiras ou protestos formais, o Critical Mass, com irreverência e diversão, tem estimulado parte da população daquela cidade americana a usar a bicicleta como meio de transporte.

As magrelas talvez sejam a melhor alternativa para os atuais problemas de trânsito. Embora muitos gestores públicos defendam o transporte coletivo, o ônibus está longe de reunir as vantagens do uso das bicicletas. Para começar, elas garantem liberdade. Semelhante aos veículos motorizados, o proprietário pode chegar e sair no momento desejado e percorrer o destino que bem entender.

No entanto, no Brasil estamos longe de reconhecer esse tipo de transporte. Primeiro, por causa do nosso olhar preconceituoso. O carro está associado a status. Logo, andar de bicicleta é coisa de pobre. Imagina só um vendedor chegar numa empresa de bicicleta?! É bem provável que o cliente o considere um vendedor “pé-de-chinelo” – ou mesmo não o receba. Então, uma das coisas a fazer é mudar a visão cultural de nossa gente.

Mas há outros desafios. Faltam pistas exclusivas, lugares para guardá-las (os chamados bicicletários). Poucas empresas oferecem locais para banho e troca de roupas. Teatros, parques e até academias também não têm espaços apropriados para os ciclistas. Nossas ruas são esburacadas, não há sinalização específica e os motoristas desrespeitam quem pedala.

Em São Francisco, a Massa Crítica tem provocado mudanças. Na Europa, há avanços significativos. Quem sabe por aqui a Bicicletada possa ajudar a mudar essa realidade. E mais bicicletas estejam nas ruas.

terça-feira, julho 21, 2009

Superando muralhas construídas ao redor do coração



Descobri que 20 de julho era Dia do Amigo no início da manhã desta segunda-feira. Quando chegava ao prédio onde trabalho, as zeladoras falavam sobre amizade e me dirigiram um breve comentário a respeito do tema. Sabia que existia tal comemoração, mas nunca marquei a data. Ter amigos é algo que prezo e busco, contudo vivo intensamente as contradições do mundo contemporâneo – onde é mais fácil relacionar-se com muitos que viver intensamente um contato afetivo profundo e verdadeiro.

Já escrevi aqui noutros ocasiões a respeito desse nosso jeito maluco de passar pela vida. Estamos próximos, porém, sozinhos. Temos perdido nossas horas, nossos dias diante da tela de um computador. Mesmo o uso habitual do telefone pouco ajuda na construção de sinceras amizades. Isto tudo corrói nosso coração e nos transforma em homens e mulheres de gelo. Na verdade, nossa natureza egoísta acaba se revelando de maneira cruel e a maior vítima é o próprio indivíduo que se esconde atrás das máscaras que utiliza para sobreviver.

Ser humano significa ser sensível. Permitir as emoções, revelar-se, mostrar o que vai dentro do peito são atividades inerentes ao homem. No entanto, a rotina do dia-a-dia, o pouco tempo, a competição, a necessidade de se proteger ou preservar-se nos transformam em quase-máquinas. Sinto-me assim em alguns momentos. Sinto-me numa roda viva em que tudo acontece no automático. É como se estivesse fazendo as mesmas coisas todos os dias e fosse incapaz de sentir emoções.

Às vezes temo repetir o enredo do filme Click, onde o personagem só percebe que perdeu tudo o que mais amava e passou pela vida sem experimentar relações reais quando estava velho e perto da morte. Felizmente, ele teve uma nova chance para recomeçar. Nós não temos. A vida longe das telas do cinema é única e só temos o aqui e agora.

Este Dia do Amigo me fez pensar um pouco mais nisto. Sei que esta reflexão talvez não seja extensiva a todo mundo. Tem gente que sabe driblar seus medos, a timidez e outros tantos sentimentos que criam barreiras para a construção de relacionamentos reais. Essas pessoas, muitas vezes, são capazes até mesmo de estender a mão e colaborar para que outros descubram o poder de uma boa amizade. Ainda assim, compartilho aqui algumas de minhas divagações… Quem sabe para ajudar a mim mesmo. Ou alguém que mesmo distante também carece superar as muralhas que construiu ao redor do coração.

segunda-feira, julho 20, 2009

Leitura do dia

Tudo sucede igualmente a todos: o mesmo sucede ao justo e ao perverso; ao bom, ao puro e ao impuro; tanto ao que sacrifica como ao que não sacrifica; ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento. Este é o mal que há em tudo quanto se faz debaixo do sol: a todos sucede o mesmo (Eclesiástes 9:2-3).

Bom dia... Ótima semana!

domingo, julho 19, 2009

Tu és santo

Em nossa igreja estamos em plena semana de oração. O pastor Paulo Melo é o responsável por conduzir a igreja ao longo desses dias. É a Oficina do Coração, um projeto idealizado por ele que tem abençoado muita gente.

Uma das músicas escolhidas pelo pastor é Tu és santo, uma versão de You are holy, de Michael W. Smith. Aqui disponibilizo a canção original pra ouvir e recordar.

quinta-feira, julho 09, 2009

O som que invade nossos ouvidos

Quando ando pelas ruas não presto muita atenção nas pessoas. Caminho sempre envolto em meus pensamentos e quase não noto o que se passa a minha volta. Mas de uns dias pra cá, tenho observado que para os poucos rostos que olho, há um fone de ouvido conectado ao ouvido. Claro, usar aparelhos de MP3, 4, 5... ipod... não é novidade. Por sinal, nas lojas de eletrônicos encontramos modelos cada vez mais baratos e modernos.

Também já vi vários textos questionando o uso abusivo desses aparelhinhos. Eles vão deixar esse pessoal com problemas auditivos. Todo mundo surdo por causa do excesso de som. Não somos dotados de mecanismos que resistam a tanto barulho.

Contudo, hoje me chamou atenção uma garota que compartilhou comigo o elevador. Ela parecia carregar duas caixas de som nos ouvidos. Talvez a jovem não tenha notado. Eu ouvi Michael Jackson como se estivesse num animado salão de festa. Não posso dizer que me senti desrespeitado (até gosto da música que tocava...). Mas confesso que me sentiria muito mais confortável se o ambiente não tivesse sido invadido pelo som alto do aparelho que a moça carregava em seus ouvidos.

Fato Pensado destaca importância do bom humor

Ouça aqui o programete desta quinta-feira

Música do dia

Faz tempo que eles não produzem nada relevante, mas os músicos do Novo Som já fizeram muita coisa bonita e que continua nos inspirando. Ouça a música que separei para esta quinta-feira.

Leitura do dia

O ânimo sereno é a vida do corpo, mas a inveja é a podridão dos ossos (Provérbios 14:30).

Bom dia... boa quinta-feira!

terça-feira, julho 07, 2009

A reverência e o celular na igreja


Texto do programete apresentado na Rede Novo Tempo

Falei no último programa que gostaria de tratar aqui de algo que considero grave: gente na igreja com aparelho de celular ligado e, pior, tocando. Bem amigo, particularmente, não consigo me acostumar... Celular tocando durante o culto me incomoda profundamente.

Tenho observado que em quase todos os programas da igreja tem celular tocando. O que acontece com esse povo? Levar o aparelho para o templo já é um enorme desrespeito. Mantê-lo ligado, uma agressão. Agora mantê-lo ligado sem estar no vibracall é algo que não consigo adjetivar.

Nossa ouvinte Lidiane entrou em contato com a gente através do nosso blog. Ela recordou que há 10 anos, quase ninguém tinha celular. E todo mundo vivia muito bem sem o aparelho.

A Lidiane também contou que, na igreja dela, foi necessário promover uma campanha para que os membros desligassem o celular. Mas ela também diz que a campanha não adiantou muita coisa... Às vezes, na hora da oração, tem celular tocando.

O que a Lidiane me escreveu vejo também em minha igreja. Recordo que no último sábado, enquanto o professor passava a lição bíblica, duas vezes ouvi o toque de celulares. Não foi um único aparelho. Foram dois num espaço de cinco ou seis minutos.

Reverência... Nosso povo tem faltado com a reverência a Deus. Tem gente que parece achar que está num clube. Conversa o tempo todo, desloca-se pelo templo sem a mínima preocupação em estar ou não tirando a atenção dos outros e, com a dependência doentia do celular, mantém o aparelho ligado durante o culto.

Sinceramente não sei o que essas pessoas fazem na igreja. Vão lá fazer o quê? Tenho certeza que não é adorar a Deus. O verdadeiro adorador é reverente. Logo, não levaria o telefone para a igreja. E se fosse imprescindível carregar o equipamento, teriam ao menos um pouco de bom senso: manteriam o celular no silencioso.

Cito apenas dois exemplos... Se você vai a uma entrevista de emprego e seu celular toca, certamente terá dificuldades para conquistar a vaga. É um ato de desrespeito com seu interlocutor. Se você via a uma audiência com um juiz, além de manter o celular desligado, procura vestir-se adequadamente e evita até movimentos bruscos. Por que na igreja é diferente? Por que a pessoas respeitam homens, mas tratam Deus como se fosse um “banana”?

Peço desculpas se a comparação ofendeu você. Mas não consigo acreditar que Deus se sente confortável em notar tamanha irreverência em nossos templos. Não consigo ver Deus tolerando o toque de celulares durante a adoração.

Leitura do dia

A testemunha verdadeira livra almas, mas o que se desboca em mentiras é enganador (Provérbios 14:25).

Bom dia... Ótima terça-feira!

segunda-feira, julho 06, 2009

Música do dia

Para começar a semana, posto aqui uma das músicas que mais mexem comigo. É inspiradora. Ajuda-nos a crer nas promessas do Senhor.

Leitura do dia

O que despreza ao seu vizinho peca, mas o que se compadece dos pobres é feliz (Provérbios 14:21).

Bom dia... Ótima semana!

sexta-feira, julho 03, 2009

Às sextas, todo mundo trabalha sem roupas

Está todo mundo louco... Para melhorar a integração entre funcionários de uma empresa de marketing, um psicólogo sugeriu que todo mundo trabalhasse sem roupas às sextas-feiras. A ideia foi adotada. Toda sexta é dia de gente pelada na companhia. A justificativa é que, ao tirar as roupas, os funcionários perdem a inibição e se tornam mais honestos - passam a conviver sem "máscaras".

A proposta não sofreu resistências. Está todo mundo feliz da vida sem roupas. E o negócio deu tão certo que se transformará num documentário a ser exibido no próximo dia 9 numa rede de tv a cabo do Reino Unido.

Cá com meus botões, só espero que a moda não pegue.

Leitura do dia

A casa dos perversos será destruída, mas a tenda dos retos florescerá (Provérbios 14:11).

Bom dia… boa sexta-feira!

quinta-feira, julho 02, 2009

Celular na igreja: quer ajudar?

Quero falar sobre este assunto no próximo programa. Você tem alguma história para compartilhar? Tem alguma opinião a respeito das pessoas que levam celular à igreja?

Será um prazer saber o que você pensa. Quero reproduzir algumas opiniões no próximo programa.

O preço que se tem de pagar


Texto do programete FATO PENSADO apresentado na Rede Novo Tempo

Na minha atividade como professor, ouço todo tipo de coisa. Desde alunos que falam frases de efeito para ganhar nossa confiança até reclamações das mais variadas pela “rotina maçante” da vida acadêmica. Não tenho problemas com isso. Não fico frustrado e nem me sinto culpado pela lista de exigências que apresento aos alunos.

Fui estudante em circunstâncias difíceis. Durante boa parte da minha vida, conciliei trabalho e escola. Foi assim no Ensino Fundamental, depois no então Segundo Grau. Quando cursei a faculdade e fiz especialização, já estava casado, tinha filhos... Ainda assim, posso me orgulhar de ter feito o melhor. Por isso, conheço onde cada um deles pode chegar.

Mas este comentário não é para falar de mim. Cada pessoa tem suas prioridades e sabe de seus limites e possibilidades. Meu objetivo é chamar atenção para o preço que temos a pagar por nossas escolhas.

Quando alguém se dispõe a alcançar um objetivo deve entender que outras coisas deixarão de ser feitas. Ninguém consegue dar conta, de maneira satisfatória, das inúmeras atividades acadêmicas sem abrir mão de alguns prazeres. Será preciso perder horas de sono, ficar finais de semana em casa diante do computador e até mesmo deixar de curtir férias. Não tem jeito. É o custo de uma escolha. Pode até não ser o que se sonhava... Afinal, queremos realizar nossos sonhos sem ter de abandonar certos prazeres. Mas isso não é possível. O bom desempenho acadêmico requer desprendimento, empenho, horas de dedicação.

Na verdade, o preço pago pelo estudante que sonha se diferenciar, conseguir mais que o canudo, é o mesmo que se cobra do profissional que deseja alcançar mais que um salário no fim do mês. O custo é semelhante ao que se tem pagar para ter filhos educados, uma família feliz. Ninguém consegue ter tudo ao mesmo tempo. O tal do equilíbrio não existe. Quem busca ter tudo apenas se confunde e não vive intensamente absolutamente nada. Sempre ficará em dívida com a balança da vida.

Por sinal, essa história de equilíbrio, esse discurso de que devemos equilibrar as coisas é uma grande mentira. Equilíbrio não é dar a mesma atenção a tudo que fazemos. Se alguém dedicar o mesmo tempo que concede a cada coisa que faz em sua rotina, certamente faltará tempo em seu dia ou não fará nada que preste. O equilíbrio é um estado emocional. É reconhecer que se a gente quer o sucesso profissional, a vida pessoal terá de sofrer perdas. Ou o inverso... Reconhecer que se a família é o mais importante, teremos de conviver com menos dinheiro e menos reconhecimento profissional. Equilíbrio é ter a capacidade de reconhecer esses limites e viver em paz.

Isso vale para nossos alunos. Equilíbrio é ficar em paz sabendo que, na vida acadêmica, ou se tem desempenho ou tempo para os prazeres da vida pessoal.

Uma música

Escolhi para esta quinta-feira uma bela canção do grupo Celtic Woman. Espero que você goste.

Leitura do dia

O coração conhece a sua própria amargura, e da sua alegria não participará o estranho (Provérbios 14:10).

Bom dia... Ótima quinta-feira!

quarta-feira, julho 01, 2009

Arcebispo de Pernambuco é destituído

Lembra daquele arcebispo de Pernambuco que excomungou profissionais de saúde e a família daquela menina de nove anos que abortou o filho por ter sido violentada pelo padrasto? Pois bem... O monsenhor José Cardoso Sobrinho foi desligado da igreja. A decisão foi do Papa Bento XVI. Contudo, não foi nenhuma punição ao religioso. Ele apenas se aposentou, digamos assim.

Antes mesmo do ocorrido, o arcebispo já havia renunciado ao cargo (por idade). A renúncia precisava ser aceita pelo papa. Agora foi. Mas a história dele já ficou manchada. Faltou sensibilidade ao bispo no caso. Promover a excomunhão pública pelo aborto da garota, vítima de violência sexual, foi uma segunda punição à menina e aos familiares.

Agradecimento

Ontem fiz um pedido especial aos ouvintes da Rede Novo Tempo. Após o programete, ao divulgar o endereço deste blog, convidei os amigos a participarem por aqui e acompanharem nossas mensagens - inclusive, interagindo. Deu certo. Mais gente veio até o blog. Recebi até email comentando sobre o assunto que apresentamos na Novo Tempo. Então, muito obrigado a todos.

Uma música

Leitura do dia

Foge da presença do homem insensato, porque nele não divisarás lábios de conhecimento (Provérbios 14:7).

Bom dia... Ótima quarta-feira!

terça-feira, junho 30, 2009

Discutindo a mídia na igreja



Texto do programete FATO PENSADO apresentado na Rede Novo Tempo.

Estive no último sábado conversando com os jovens e membros de uma de nossas igrejas sobre a influência da mídia. Foi muito agradável estar com amigos e irmãos no Jardim Iguaçu, em Maringá. O papo sobre mídia foi produtivo. Falei por cerca de uma hora. Mas passou rápido demais e, ao que parece, as pessoas foram tocadas por aquilo que ouviram.

Procuramos estabelecer a mesma dinâmica de minhas aulas na faculdade. Nada de microfone e nem cerimônias desnecessárias. Afinal, a formalidade existente em nossas igrejas impede que assuntos sérios sejam discutidos com a profundidade que merecem.

Durante a palestra (Com apoio da Bianca, minha aluna e locutora da Novo Tempo), mostramos imagens ousadas de revistas, filmes e da televisão. Exemplos de como a mídia faz parte de nossa vida e nos afeta direcionando nosso olhar para os relacionamentos que temos com a vida, com o mundo e até mesmo com a nossa família.

Falei, por exemplo, da maneira glamourosa que a mídia trata da homossexualidade. A coisa é retratada de forma tão equivocada e desrespeitosa que parece melhor gostar de uma pessoa do mesmo sexo que manter um relacionamento heterossexual.

Bem, mas por que estou compartilhando essa história com você? Por uma razão muito simples... A mídia faz parte de nossa vida mais que qualquer outra coisa. Gastamos mais tempo com televisão, internet, rádio, jornal, revistas que com qualquer outra coisa. Poucas pessoas dedicam mais tempo à família, por exemplo. Geralmente estamos mais tempo de olho no que a mídia nos oferece do que dedicamos atenção aos nossos familiares, amigos e, principalmente, a Deus.

Isto significa que a mídia exerce influência em nossa vida – mais até que os ensinos recebidos de nossos pais, de nossos irmãos e dos escritos sagrados. Isto significa que é hora de investirmos mais tempo refletindo sobre o impacto da mídia na vida das pessoas. Temos urgência de levar essas discussões para nossos templos. Devemos falar menos de teologia e nos dedicarmos muito mais a aplicação da teologia ao dia-a-dia das pessoas.

Não é difícil constatar que teorizamos muito a religião. Enquanto isso, o mundo entra em nossa casa através da mídia de forma tal que o discurso midiático parece mais verdadeiro que os sermões de nossos líderes religiosos. É fácil constatar que nossas crianças, nossos adolescentes e jovens acreditam mais naquilo que vêem na tevê ou nas revistas que nos sermões de nossos pastores e professores dos departamentos infantis.

Por isso, espero sinceramente ter a chance de voltar a tratar da mídia em nossas igrejas. Sonho com o dia em que nossos líderes abram mais espaço nas igrejas para analisar e debater o que seus membros estão vendo, ouvindo e lendo no dia-a-dia. Se assim não fizermos, corremos o risco de ter a fé esvaziada por rituais pouco producentes, mantendo igrejas lotadas com gente sem compromisso com Deus, já que as pessoas têm sido corrompidas pelo discurso midiático - sabiamente utilizado pelo inimigo de nossas almas.

* Baseado em post já publicado neste blog.

Leitura do dia

A mulher sábia edifica a sua casa, mas a insensata, com as próprias mãos, a derriba (Provérbios 14:1).

Bom dia... boa terça-feira!

segunda-feira, junho 29, 2009

Celular na igreja

Não consigo me acostumar... Celular tocando durante o culto é "pra acabar". Tenho observado que em quase todos os programas da igreja tem celular tocando. O que acontece com esse povo? Levar o aparelho para o templo já é um enorme desrespeito. Mantê-lo ligado, uma agressão. Agora mantê-lo ligado sem estar no vibracall é algo que não consigo adjetivar.

Reverência... Nosso povo tem faltado com a reverência a Deus. Tem gente que parece achar que está num clube. Conversa o tempo todo, desloca-se pelo templo sem a mínima preocupação em estar ou não tirando a atenção dos outros e, com a dependência doentia do celular, mantém o aparelho ligado durante o culto.

Sinceramente não sei o que essas pessoas fazem na igreja. Vão lá fazer o quê? Tenho certeza que não é adorar a Deus. O verdadeiro adorador é reverente. Logo, não levaria o telefone para a igreja. E se fosse imprescindível carregar o equipamento, teriam ao menos um pouco de bom senso: manteriam o celular no silencioso.

Leitura do dia

Quem anda com os sábios será sábio, mas o companheiro dos insensatos se tornará mau (Provérbios 13:20).

Bom dia… boa semana!

sábado, junho 27, 2009

Um fim de tarde abençoado

Foi muito agradável estar com amigos e irmãos no Jardim Iguaçu. O papo sobre mídia foi produtivo. Falei mais que imaginava - por cerca de uma hora. Mas passou rápido demais e, ao que parece, as pessoas gostaram do que ouviram.

Procuramos estabelecer a mesma dinâmica de minhas aulas na faculdade. Nada de microfone e nem cerimônias desnecessárias. Afinal, é a formalidade existente em nossas igrejas que impede que assuntos sérios sejam discutidos com a profundidade que merecem.

Com apoio da Bianca, minha aluna e locutora da Novo Tempo, mostramos imagens ousadas de revistas, filmes e da televisão. Exemplos de como a mídia faz parte de nossa vida e nos afeta direcionando nosso olhar para os relacionamentos que temos com a vida, com o mundo e até mesmo com a nossa família.

Falei, por exemplo, da maneira glamourosa que a mídia trata da homossexualidade. A coisa é retratada de forma tão equivocada e desrespeitosa que parece melhor gostar de uma pessoa do mesmo sexo que manter um relacionamento heterossexual.

Bem, espero repetir esse tipo de papo noutras ocasiões, em outras igrejas. Penso que é hora de falarmos menos de teologia e dedicarmos muito mais a aplicação da teologia ao dia-a-dia das pessoas. Teorizamos muito a religião. Enquanto isso, o mundo entra em nossa casa através da mídia de forma tal que o discurso midiático parece mais verdadeiro que os sermões de nossos líderes religiosos.

sexta-feira, junho 26, 2009

Nas garras da mídia

Nesse sábado terei o privilégio de falar com a moçada do Jardim Iguaçu (Maringá). Será um papo legal. Vamos tratar da influência da mídia. Nada muito diferente daquilo que a gente já sabe, mas parece não acreditar. Vou mais uma vez manter a tese principal: na maioria das vezes a mídia não manipula; nós é que somos manipulados. Afinal, permitimos que isto aconteça. Sentar diante da tevê, ler uma reportagem, ter contato com o conteúdo midiático passivamente sempre causa estragos. Vamos tentar ampliar essa discussão amanhã, às 17h.

Nova estreia

Meu primeiro blog foi aberto em setembro de 2005. De lá pra cá escrevi milhares de posts. É sério. Só no atual “Blog do Ronaldo” são mais de 3,5 mil textos.

Gosto de escrever. Curto demais a ideia de expressar-me, mas minha página atual sofre um monitoramento que inibe uma exposição real do que penso, do que sou. Sou jornalista, professor e, para o bem ou para o mal, conhecido na cidade. Meu blog possui link na página da CBN Maringá. Logo, não me sinto confortável de discutir nele minha vida, minha religião, minha fé.

Por isso, estou me desafiando a tornar este espaço mais um local para reproduzir os textos do Fato Pensado. Quero refletir aqui minha vida, minha fé, minha busca por Deus. A intenção é voltar a divulgar este espaço. Claro, não será divulgado entre aqueles que apenas acompanham meu trabalho jornalístico na cidade de Maringá. Apenas para amigos e pessoas que acompanham minhas reflexões pela Rede Novo Tempo.

Espero com isto sentir-me mais à vontade para escrever. Quero superar a necessidade de manter uma máscara para tratar de determinados assuntos. A proposta é romper com mitos, discutir abertamente certas questões - ainda que possam contrariar a opinião de alguns.

É uma página pessoal, que intenciona refletir minhas crenças. Mas fundamentalmente minha vontade de construir e ser um templo santo.

quinta-feira, junho 25, 2009

Gugu fecha com a Record por R$ 300 milhões

O capitalismo é o lugar do fantástico, do surpreendente. O espaço que garante oportunidade de se fazer dinheiro, de se tornar o melhor e, ao mesmo tempo que se faz dinheiro, pode se perder tudo. Também é o cenário da desigualdade, onde muitos ganham pouco e poucos, ganham muito.

Vejo, por exemplo, a notícia de que Gugu Liberato foi contratado pela Record. Ele já fechou com a emissora. Estará nas telas da Record a partir de abril de 2010. Lá, vai receber cerca de R$ 300 milhões em salários. Mas o valor pode crescer ainda mais - dependendo dos resultados que apresentar, da publicidade que atrair e dos produtos que licenciar.

Ele merece? Não sei. Ele tem história na tevê (pra todos os gostos - até de supostamente faltar com a ética), dá audiência, é criativo e certamente poucas pessoas poderiam ocupar seu lugar. Entretanto, a questão é mais ampla. É justo alguém ganhar tanto? Veja o caso do Faustão... Dia desses, o apresentador renovou com a Globo. O novo contrato dele vai até 2017. O salário é de aproximadamente R$ 5 milhões/mês.

Eu posso estar errado, mas creio que há um descompasso com a realidade. O capitalismo permite isso. Contudo, entendo que por mais que haja competência, não se pode premiá-la de maneira tão desigual.

Esse universo das celebridades é um mundo fora da realidade. Mas não é único. No meio corporativo também há diferenças intoleráveis. E no Brasil elas são ainda mais visíveis. Penso ser inadmissível um gari ganhar menos de R$ 600/mês enquanto um cara que não sai do escritório recebe R$ 100 mil.

Não é só uma questão de competência e qualificação... Sempre concordarei que a eficiência, o preparo merece remuneração diferenciada. Mas não pode haver tanta diferença. O dinheiro que sobra para um acaba faltando para o outro.

terça-feira, junho 23, 2009

O papel ridículo de algumas Ong's

Ninguém pode negar a importância das Ongs. Entretanto, algumas delas defendem bandeiras indefensáveis. Por exemplo, publiquei ontem no Twitter um breve texto:

- Algumas ONGs não têm mesmo o que fazer. Criticar o Obama porque ele matou uma mosca é pra acabar.

Quem não viu a reportagem, merece algumas explicações. Creio que ao menos a matéria do Barack Obama matando uma mosca em rede de tevê você deve ter visto. Mas, voltando ao assunto, o fato motivou uma Ong a protestar contra o presidente americano.

O grupo Peta anunciou que vai presentear Obama com um “cata-mosquito”. Não, não é um “mata-mosquito”. Trata-se de um instrumento para capturar VIVOS os mosquitos. Também não é para guardá-los em cativeiro. O “aparelho” serve para capturá-los visando devolvê-los à natureza.

A Ong não gostou da atitude de Obama. Ele matou a mosca. Deveria tê-la mantido viva. Piada de muito mau gosto.

Claro, a “piada” ganhou repercussão em vários veículos de comunicação. Afinal, faz parte daquele grupo de fatos/acontecimentos que se adequam aos critérios de divulgação da mídia. É imprevisível, surpreendente, absurdo, tolo e até cômico. Logo, é notícia.

Todo mundo tem direito de defender a bandeira que quiser. Contudo, atitudes como essa banalização, ridicularizam o papel das Ongs. Estas têm função importante na atual estrutura da sociedade. Mas o chamado terceiro setor perde credibilidade toda vez que alguém que se apega a alguma tolice e resolve publicizá-la.

Na verdade, muitos desses grupos que defendem a vida, os animais, o meio ambiente etc têm se dado ao trabalho de tornar piada assuntos sérios. As questões ambientais, por exemplo, requerem respostas práticas da sociedade. No entanto, quando alguém se dá ao trabalho de defender, por exemplo, que as pessoas façam “xixi no banho” (os caras têm até site) para diminuir o consumo de água colocam em xeque a credibilidade e prejudicam a defesa de outras bandeiras sérias.

Talvez haja necessidade de mais razão e menos emoção no discurso desses organismos não governamentais. Uma pitada de realidade não faz mal a ninguém. É preciso ter bom-senso e noção do ridículo.

terça-feira, junho 16, 2009

Ser bi está na moda?



A Época desta semana traz uma reportagem com o sugestivo título: “Ser bi está na moda”. Nela, a revista revela que mulheres famosas têm anunciado a bissexualidade como estratégia de marketing e promoção pessoal. A Época lista algumas das famosas que nos últimos meses se declararam bissexuais – ou seja, gostam de se relacionar com homens e mulheres.

O grande questionamento feito pela reportagem é “afinal, trata-se da liberação de um desejo feminino ou de estratégia de marketing?”. A própria revista responde: as duas coisas. Vivemos dias em que o preconceito é menor. Por isso, é mais fácil assumir-se homossexual (ou bissexual). Por outro lado, dizer que é bissexual dá mídia – principalmente para quem já tem certa fama. Esse tipo de declaração espontânea também mexe com o imaginário masculino, já que sabidamente se trata de uma das fantasias de muitos homens.

Outra pergunta que a reportagem tenta responder é: o que acontece com a cabeça das milhares de adolescentes anônimas – mulheres em formação – que assistem esse tipo de espetáculo produzido pelas famosas? Difícil responder. A própria Época não apresenta nada muito conclusivo. Apenas lembra que, nessa idade, garotos e garotas são potenciais imitadores.

Cá com meus botões, acho a questão bastante delicada. Tenho visão muito particular sobre o assunto. Entendo que a mídia tem glamourizado a homossexualidade. Não se trata de auxiliar no combate ao preconceito. Há um exagero que beira o desrespeito a heteros e homossexuais. O tratamento da mídia dado ao tema geralmente trabalha os dois extremos: ou ridiculariza a homossexualidade, principalmente através do humor, criando estereótipos; ou a torna modelo de vida.

No caso das declarações dessas celebridades, penso no poder de influência sobre os adolescentes. Os fãs geralmente formam grupo de pessoas passível de serem guiados por seus ídolos. É claro, cada um faz o que quer da vida. Mas o fascínio que exercem sobre garotos e garotas tão imaturos coloca em risco o curso natural da vida – pode estimular uma experiência que não seria vivida se não fosse pela ilusão provocada pela cega necessidade de imitar.

quarta-feira, junho 10, 2009

Ensino obrigatório de 17 anos. Pra quê?



Com certa frequência temos discutido aqui que a educação não é assunto levado a sério em nosso país. A educação como política pública só é uma realidade no discurso. Está longe de ser uma prática.

A última iniciativa fantasiosa é a obrigatoriedade da escola até os 17 anos. Teoricamente, as crianças, hoje, tem que estar nas salas de aula até os 14 anos. Com a nova proposta de emenda constitucional, votada no início desse mês de junho, enquanto não completarem 17 anos, os adolescentes brasileiros não devem deixar a escola.

É bonito falar. Mas vergonhoso reconhecer que é só mais uma garantia constitucional que não se aplicará a vida prática do cidadão brasileiro. Não é difícil obter dados no próprio Ministério da Educação que revelam que um percentual extremamente significativo de crianças deixam as salas de aula antes de completarem a oitava série.

Há várias razões para a chamada evasão escolar. Elas vão desde a necessidade de trabalhar até a desmotivação, desinteresse.

É sabido que muitos meninos e meninas precisam ajudar financeiramente os pais. Como são famílias miseráveis e sem consciência da importância da educação, preferem estimular os filhos a trabalhar, abandonando a escola.

No caso desses adolescentes que não gostam de estudar, também falta o reconhecimento da necessidade da escolarização e da apropriação do conhecimento.

Um aspecto curioso é que em ambos os casos existe o componente familiar. Na verdade, estudos recentes indicam que em 80% dos casos tanto a nota do aluno quanto o abandono da escola têm origem no ambiente domicilar. Ou seja, dentro da casa do aluno. Por isso, dá para dizer que falta engajamento dos pais. Como não conseguem transferir aos filhos o quão fundamental é a educação, eles abandonam a sala de aula.

Embora entenda como algo desejável, sustento que ampliar a obrigatoriedade do ensino não muda a realidade. Claro, deve ser um alvo a alcançar. Mas, primeiro, precisamos ter políticas públicas que possam garantir que todos cumpram pelo menos a legislação atual de se frequentar a escola até os 14 anos.

A luta contra a evasão escolar passa pelo convencimento de crianças, adolescentes e seus pais. Eles precisam ver a escola como um ambiente rico em conhecimento e que promove a cidadania. Este é o caminho.

Políticas públicas para a educação carecem ser ampliadas à comunidade. Há necessidade de um trabalho de convencimento, de integração Estado, comunidade e escola. Do contrário, seguiremos criando novas leis e mantendo-as apenas como papéis sem nenhum valor.

terça-feira, junho 02, 2009

Professores: profissão de risco



A revista Isto É desta semana traz uma reportagem sobre a profissão de professor. Com base em diferentes estudos, a publicação sugere que professor é uma atividade de risco. Não é difícil entender. Não são raros os professores que já sofreram ameaças. E a lista de educadores vítimas de violência cresce a cada dia.

A reportagem ainda trouxe outros dados. Por causa dos atos de agressão e ameaças, a maioria dos professores perdeu o estímulo de dar aulas. Muitos se sentem num quadro semelhante ao de pânico quando atravessam os portões da escola ou a porta da sala de aula. Em classe, mais de 67% acredita ter perdido a autoridade. Eles não conseguem controlar a molecada. Para manter o mínimo de respeito, vários dele gastam parte do tempo gritando com os estudantes.

Outro dado: 84,2% dos educadores acreditam que seus alunos não prestam atenção na aula e nem valorizam o conteúdo apresentado.

Quadro tão devastador gera estresse. Em outros casos, depressão. O déficit de professores no Brasil é grande. Faltam educadores. Certas disciplinas, como matemática, física, química e até geografia e história, carecem de novos profissionais. Mas, se a remuneração nunca foi atrativa, o risco de agressão e o sentimento de ser ignorado em sala desmotiva potenciais candidatos a educador.

É lamentável. Quem segue em sala de aula ou é idealista ou insiste na profissão por não encontrar outra alternativa. Mas o pior é notar a passividade de nossas autoridades e o alheamento de nossa parte. Se as autoridades governamentais pouco fazem para mudar a realidade, nós também somos responsáveis pela instalação do caos na educação.

A violência que acontece nas escolas é reflexo de uma sociedade que vê na escola um local para se aprender a ler e escrever – ou para aprender uma profissão. Tem ainda uma parcela significativa da população que olha para as instituições de ensino como depósitos de crianças – um ambiente em que se deixa o filho enquanto o pai e a mãe trabalham.

Há saída para situação tão apocalíptica? Talvez sim. Passa, primeiro, pela educação dentro de casa. Filhos disciplinados são alunos respeitosos, que reconhecem a autoridade do professor. Mas para avançarmos é preciso mais. Nós, adultos, devemos nos envolver com a escola. Buscar identificar os problemas, dialogar com professores, coordenadores de ensino e diretores. Identificadas as principais deficiências, devemos cobrar das autoridades as mudanças necessárias.

Nossa tarefa não é tão simples, mas é plenamente possível. O que não podemos é apenas nos indignarmos com dados tão negativos da educação e nos mantermos passivos. Notícias tristes como essa de que nossos professores estão desmotivados por serem agredidos física ou verbalmente deveriam mexer conosco a ponto de tomarmos uma atitude – talvez a primeira delas seria procurarmos identificar quais são os problemas da escola de nossos filhos… O que não podemos aceitar é que continuemos recolhidos em nossas casas, tecendo críticas, mas nada fazendo além de ler, ouvir ou assistir o noticiário.

terça-feira, maio 19, 2009

É possível viver bem com pouco?



Meio que por acaso esbarrei numa reportagem de dezembro de 2008 da revista Época. O assunto é instigante. Um daqueles temas que mexem com você, pois estão na pauta de suas preocupações. A reportagem tem um título sugestivo: “Viver bem com pouco”.

Confesso que este é mais um dos meus desejos de consumo. Vivo com pouco. Mas vivo sob o manto da eterna insatisfação. Claro, não sou o único. Muita gente tem renda muito maior que a minha e também está insatisfeito. Mas a Época trouxe depoimentos e falas de gente comum e de especialistas que sustentam a tese de que “foi-se a era de esbanjar e ostentar”. Essas pessoas argumentam que “a nova ordem global impõe consumir com parcimônia e priorizar a recompensa emocional”.

De verdade, espero que isso se torne mesmo uma nova ordem global. A pressão para que conquistemos sucesso, dinheiro e fama é tanta que não conseguimos descansar. Felicidade hoje é traduzida em números. Lembro até de uma frase: “Dinheiro não traz felicidade. Manda buscar”. A frase sintetiza os valores de uma época. Transferimos para o dinheiro todas nossas expectativas, nossos projetos e vivemos para conquistá-lo.

Mas o novo conceito, de “viver bem com pouco”, tem conquistado adeptos. Gente disposta a abrir mão do dinheiro e dos prazeres que ele supostamente proporciona para experimentar a vida sob um ângulo novo e pouco conhecido.

A proposta de “viver bem com pouco” é ampla. Vai desde a maneira como nos alimentamos até a forma como nos relacionamos com os amigos, com a família, com nossos filhos.

Essas pessoas entendem que o prazer não está naquilo que consumimos. Elas acreditam que o prazer é experimentado em coisas simples, como passar horas batendo papo com os amigos, sem necessidade de ter nada para comemorar. Ou simplesmente ficar em casa mais tempo com os filhos.

Na alimentação, por exemplo, há muito tempo transformamos nossas refeições em algo pouco significativo. Só paramos para apreciar os alimentos quando organizamos um almoço ou um jantar especial. O trivial almoço, café da manhã ou o lanche da tarde se tornaram uma obrigação, feitos pela necessidade física.

O ato de tomar um banho é mais uma questão de higiene que algo que possa nos proporcionar prazer. Conversar com um amigo só é bom se não temos mais nada pra fazer. E ainda precisa ser regado por bebidas e comida.

Tudo isso acontece porque queremos casas e carros luxuosos. Vivemos sob a ditadura da beleza. Os corpos devem ser belos, bem cuidados em salões de beleza e estética, por médicos dermatologistas e devidamente vestidos com roupas de marcas famosas. Nosso computador, nosso celular não bastam ser funcionais, precisam ter a mais avançada tecnologia para chamarmos atenção ou causarmos inveja nos colegas, amigos e inimigos.

Os objetivos que temos para a vida estão quase todos relacionados a necessidade de conquistar mais, ter mais. Isso causa ansiedade e frustração. Afinal, poucos terão tudo que sonham. E mesmo se conquistarmos o que desejamos ainda assim vamos perceber que continuaremos insatisfeitos. Motivo? Não são coisas que dão prazer. São pessoas, gente, relacionamentos, filhos, família, Deus. Nossa felicidade passa pela conquista da liberdade, pela sensação de paz interior. Isto não pode e nunca será proporcionado por riquezas ou bens materiais.

quinta-feira, maio 14, 2009