Gosto demais dos textos da jornalista Eliane Brum. Embora seja necessário gastar tempo para ler o que ela escreve, vale a pena cada palavra. Nesta semana, a coluna dela na Época trata de algo que anda em falta, a gentileza. Falta-nos disposição para sermos gentis. Ocupados demais, estamos sempre mau humorados. Entretanto, a gentileza que nos falta sentimos sua ausência nos outros. Às vezes, em pequenas coisas. Mas, como diz Brum:
- Até é possível reivindicar boa educação – embora seja cada vez mais difícil. Mas é impossível exigir gentileza.
A falta de gentileza parece ter relação com algo que já discuti aqui, nossa disposição à intolerância. Não é difícil notar que as pessoas pouco praticam a tolerância. Sintoma do individualismo, que também rouba do homem sua capacidade de ser gentil.
E, por incrível que pareça, ainda que possamos racionalizar e considerar naturais tais sintomas da sociedade pós-moderna, a ausência de determinados comportamentos pode ser sentida, pois nossa humanidade reclama por bondade.
- Se cada um de nós fizer uma reconstituição mental do nosso dia, hoje mesmo, vai perceber que o pior dele foi causado porque não foram gentis conosco nem fomos gentis com os outros. Desde o bom dia que faltou, o por favor que não foi dito, a buzina desnecessária no trânsito, a cara fechada, o sorriso que economizamos, a ajuda que poderíamos ter dado e não demos, ou ainda a que não recebemos, o elogio que não veio, a crítica que deveria ter sido feita para somar, mas foi programada para massacrar, o veneno que escorreu da nossa boca e da dos outros. Uma soma de pequenos e desnecessários gastos de energia que só serviram para nos intoxicar.
Eliane Brum continua:
- Hoje, tratar mal as pessoas, marchar pelos corredores, fechar a cara, não dar bom dia e dizer coisas duras sem nenhum cuidado parece ser um atributo dos poderosos. Quase uma virtude.
Lamentável, não?
Talvez, para concluir, seja necessário lembrar o que é ser gentil. Afinal, se já não mais encontramos gentileza, é importante recordar.
Gentileza é o exercício cotidiano de vestir a pele do outro. É cuidar não de alguém, mas de qualquer um. Mesmo que ele não seja nosso parente, mesmo que seja um estranho. Cuidar por nada. Sem precisar de motivo. Cuidar por cuidar. [...] O resgate desta gratuidade, de algo que é dado sem esperar nada em troca, é o que faz nosso mundo estremecer.
Mais que a reflexão dos fatos... Nossa vida, nossa história, nossas relações num mundo que precisa de Deus
sexta-feira, outubro 09, 2009
quinta-feira, outubro 08, 2009
Já passamos das 200 postagens
Não tinha notado...
A mensagem anterior foi a de número 200 neste blog.
Não é muita coisa perto do Blog do Ronaldo.
Por lá, completo 4 mil postagens ainda esta semana.
Mas considero uma vitória.
Por vários motivos.
Entre eles, porque manter um blog já é tarefa difícil.
Dois, quase impossível.
Mas vamos em frente.
E obrigado aos leitores.
A mensagem anterior foi a de número 200 neste blog.
Não é muita coisa perto do Blog do Ronaldo.
Por lá, completo 4 mil postagens ainda esta semana.
Mas considero uma vitória.
Por vários motivos.
Entre eles, porque manter um blog já é tarefa difícil.
Dois, quase impossível.
Mas vamos em frente.
E obrigado aos leitores.
segunda-feira, outubro 05, 2009
Emoção ou razão? Eis a questão
Produzi um texto que deve ser gravado para o Fato Pensado desta semana. Faz parte de um "grupo de textos" que identifico como sendo filosóficos. Não esta filosofia estudada na academia. Mas da filosofia cotidiana, que busca respostas para as grandes questões da vida humana.
Espero que tenha uma boa leitura.
--
O que é melhor? Deixar-se guiar pelas emoções ou se dirigir pela razão? A primeira vista, parece difícil responder. Quem se deixa guiar pelas emoções, experimenta momentos de puro prazer. Por outro lado, aceita os riscos de suas escolhas, quase sempre precipitadas.
Mas a vida de quem prefere conter as emoções e fazer escolhas racionais pode parecer bastante sem graça. Poupa-se da dor, mas sempre sobra espaço para aquela pergunta inconveniente: e se tivesse feito o que dizia meu coração?
Sabe, tenho prazer em filosofar a respeito da vida. Entendo que pensar alto a respeito de temas como este é uma forma de filosofia. Filosofia cotidiana, aplicada às questões humanas. Assuntos que nem sempre paramos para refletir. Entretanto, como fugir de temas tão importantes? Este, por exemplo: afinal, o que é melhor? Deixar-se guiar pelas emoções ou se dirigir pela razão?
Todos nós experimentamos ambas respostas. Há momentos em que optamos por fazer tudo aquilo que desejamos; noutras ocasiões, estamos mais racionais. Somos capazes de avaliar as consequências e optar pelo caminho mais seguro.
Porém, tenho a impressão que em momentos decisivos da vida a razão nos escapa. Somos traídos por nossas emoções. A paixão é um desses sentimentos capazes de nos cegar. E ela nasce no peito de qualquer pessoa. A paixão não escolhe suas vítimas. Há ocasiões em que é maravilhoso apaixonar-se. Noutras, pode se colocar uma ou mais vidas a perder.
Deixa eu explicar melhor… Tem gente incapaz de acreditar que alguém que possui uma família, um bom casamento, vive feliz na relação, seja capaz de apaixonar-se por outra pessoa. Mas esta é uma verdade para muitos maridos e mulheres. Às vezes, tudo parece perfeito. O coração está repleto… De repente, um novo alguém surge e arrebata seus pensamentos. Esse alguém parece tirar seus pés do chão.
Loucura, não? No entanto, há milhares de histórias de pessoas que já viveram tais sentimentos. É pecado? Creio que depende da maneira como se vive este momento. Vai se deixar levar pelos sentimentos? Ou optar por negar o coração? A resposta é decisiva. Em situações como esta se tem muita coisa em jogo. De um lado, a promessa de uma nova emoção, de puro prazer. E do outro? Manter tudo como está.
Nas ilusões do coração se tem a impressão que há mais ganhos quando se escolhe a primeira opção. Entretanto, nem sempre o coração tem razão. A alegria da novidade se transforma em dor assim que a lente de aumento da paixão se quebra e a realidade cotidiana revela toda sua face.
A novidade perde o encanto, e as perdas – da família, dos filhos, de amigos, da comunidade – se mostram mais dolorosas do que se podia imaginar. Nada se resolve da maneira desejada e o sofrimento impede que se viva o sonho idealizado quando houve o encantamento por aquele novo alguém.
Talvez você diga: mas é sempre assim? Reconheço, há exceções. Mas em especial no exemplo citado, deixar-se guiar pelas emoções é optar por provocar mágoas, dores, sofrimento, desejo de vingança. É ainda aceitar o risco de ter o remorso como companheiro.
Espero que tenha uma boa leitura.
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O que é melhor? Deixar-se guiar pelas emoções ou se dirigir pela razão? A primeira vista, parece difícil responder. Quem se deixa guiar pelas emoções, experimenta momentos de puro prazer. Por outro lado, aceita os riscos de suas escolhas, quase sempre precipitadas.
Mas a vida de quem prefere conter as emoções e fazer escolhas racionais pode parecer bastante sem graça. Poupa-se da dor, mas sempre sobra espaço para aquela pergunta inconveniente: e se tivesse feito o que dizia meu coração?
Sabe, tenho prazer em filosofar a respeito da vida. Entendo que pensar alto a respeito de temas como este é uma forma de filosofia. Filosofia cotidiana, aplicada às questões humanas. Assuntos que nem sempre paramos para refletir. Entretanto, como fugir de temas tão importantes? Este, por exemplo: afinal, o que é melhor? Deixar-se guiar pelas emoções ou se dirigir pela razão?
Todos nós experimentamos ambas respostas. Há momentos em que optamos por fazer tudo aquilo que desejamos; noutras ocasiões, estamos mais racionais. Somos capazes de avaliar as consequências e optar pelo caminho mais seguro.
Porém, tenho a impressão que em momentos decisivos da vida a razão nos escapa. Somos traídos por nossas emoções. A paixão é um desses sentimentos capazes de nos cegar. E ela nasce no peito de qualquer pessoa. A paixão não escolhe suas vítimas. Há ocasiões em que é maravilhoso apaixonar-se. Noutras, pode se colocar uma ou mais vidas a perder.
Deixa eu explicar melhor… Tem gente incapaz de acreditar que alguém que possui uma família, um bom casamento, vive feliz na relação, seja capaz de apaixonar-se por outra pessoa. Mas esta é uma verdade para muitos maridos e mulheres. Às vezes, tudo parece perfeito. O coração está repleto… De repente, um novo alguém surge e arrebata seus pensamentos. Esse alguém parece tirar seus pés do chão.
Loucura, não? No entanto, há milhares de histórias de pessoas que já viveram tais sentimentos. É pecado? Creio que depende da maneira como se vive este momento. Vai se deixar levar pelos sentimentos? Ou optar por negar o coração? A resposta é decisiva. Em situações como esta se tem muita coisa em jogo. De um lado, a promessa de uma nova emoção, de puro prazer. E do outro? Manter tudo como está.
Nas ilusões do coração se tem a impressão que há mais ganhos quando se escolhe a primeira opção. Entretanto, nem sempre o coração tem razão. A alegria da novidade se transforma em dor assim que a lente de aumento da paixão se quebra e a realidade cotidiana revela toda sua face.
A novidade perde o encanto, e as perdas – da família, dos filhos, de amigos, da comunidade – se mostram mais dolorosas do que se podia imaginar. Nada se resolve da maneira desejada e o sofrimento impede que se viva o sonho idealizado quando houve o encantamento por aquele novo alguém.
Talvez você diga: mas é sempre assim? Reconheço, há exceções. Mas em especial no exemplo citado, deixar-se guiar pelas emoções é optar por provocar mágoas, dores, sofrimento, desejo de vingança. É ainda aceitar o risco de ter o remorso como companheiro.
sexta-feira, outubro 02, 2009
Saciando a sede de eternidade
Kleber Lucas é um dos meus cantores favoritos. Do seu último DVD, tem várias músicas que curto bastante. Uma delas, com uma mensagem bastante significativa, disponibilizo neste post. "Mulher de Ló" lembra uma passagem bíblica importante. Entretanto, a letra da canção provoca uma reflexão mais ampla. Kleber diz algo significativo. Veja:
Quem provou do amor de Deus e da unção do seu espírito
E bebeu água da vida e saciou a sua sede de eternidade
não poderá olhar pra trás jamais
Isto é significativo demais para mim. Faz-me pensar na experiência da eternidade. Salomão diz que Deus colocou no coração do homem o desejo de eternidade. Portanto, quem não provar do amor dEle, não tiver o coração cheio de Cristo, nunca se sente satisfeito. Fraquejamos sempre que tiramos o olhar do Salvador. Ou quando ainda não experimentamos de forma ampla e completa a salvação ofertada pelo Pai em Cristo Jesus.
Ouça, alegre-se e reflita.
Quem provou do amor de Deus e da unção do seu espírito
E bebeu água da vida e saciou a sua sede de eternidade
não poderá olhar pra trás jamais
Isto é significativo demais para mim. Faz-me pensar na experiência da eternidade. Salomão diz que Deus colocou no coração do homem o desejo de eternidade. Portanto, quem não provar do amor dEle, não tiver o coração cheio de Cristo, nunca se sente satisfeito. Fraquejamos sempre que tiramos o olhar do Salvador. Ou quando ainda não experimentamos de forma ampla e completa a salvação ofertada pelo Pai em Cristo Jesus.
Ouça, alegre-se e reflita.
segunda-feira, setembro 28, 2009
Os desafios de uma convivência a dois
Recebi esta semana uma ligação. Estranha, preciso reconhecer. Do outro lado, um homem falava sobre um texto que escrevi a respeito dos divórcios, separações. Ele parecia abatido. Tinha lido meu texto e queria falar sobre o assunto. Leu meu texto na internet. Era de São Paulo. Mas não consegui atendê-lo. A ligação no celular estava ruim. Não pude ouvi-lo, conversar sobre suas queixas.
Entretanto, entendi que ele queria que eu falasse mais sobre divórcio. Após desligar, fiquei imaginando… O que homem precisava? Estaria desesperado? Estaria pensando em se separar? Será que seu casamento já acabou? Não tenho as respostas. Mas sei que milhares de famílias estão se desfazendo todos os dias. São homens e mulheres que sonharam ter uma vida feliz, mas encontraram desilusão.
Tenho uma visão conservadora a respeito dos casamentos. Penso de acordo com os princípios bíblicos. Creio que duas pessoas devem se unir por amor e se tornarem um só ser. Por isso, defendo que a decisão de se casar seja um ato racional, responsável, consequente. Afinal, ninguém é obrigado a subir ao altar. Trata-se de uma escolha. E escolhas não se fazem de afogadilho.
Contudo, nem sempre é assim que acontece. Tem gente que namora dez anos. O casamento não dura seis meses. Talvez por que, muitas vezes, toma-se a decisão já imaginando: “se não der certo, separo”. É um direito. A lei permite. Até mesmo Cristo reconheceu o direito ao divórcio. Mas o que me impressiona é a incapacidade de alguns de exercitar a paciência e pôr em prática o amor.
O casamento pode ser qualquer coisa, menos algo fácil. Homem e mulher são diferentes por natureza. Num relacionamento, outras diferenças aparecem. São aquelas originadas na formação de cada um. Coisas simples… Por exemplo, um tem o hábito de tomar café pela manhã; o outro não. Um costuma jantar – arroz, feijão, carne, salada etc. O outro prefere um lanchinho.
Tem aqueles que são organizados. Separam meias, camisas, blusas, cuecas, calcinhas por cor. Os sapatos ficam divididos entre os de uso para o trabalho, para ocasiões informais, para festas… Já o conjugê é daqueles que vê problema em deixar tudo misturado. Esquece a toalha molhada por sobre a cama, bebe água na boca da garrafa…
Sabe, geralmente são as pequenas coisas que destroem um casamento. As pequenas diferenças, com o tempo, tornam-se irreconciliáveis. Chega um ponto que um não tolera o outro. As brigas ficam cada vez mais frequentes e as separações, inevitáveis.
É a solução? Depende. Acontece que na maioria das vezes os problemas que motivaram a separação acompanham os sujeitos. A pessoa sai do casamento, mas leva consigo o egoísmo, a intolerância, a mesquinhez e todos os outros sentimentos que não permitiram o sucesso da convivência a dois.
Entretanto, entendi que ele queria que eu falasse mais sobre divórcio. Após desligar, fiquei imaginando… O que homem precisava? Estaria desesperado? Estaria pensando em se separar? Será que seu casamento já acabou? Não tenho as respostas. Mas sei que milhares de famílias estão se desfazendo todos os dias. São homens e mulheres que sonharam ter uma vida feliz, mas encontraram desilusão.
Tenho uma visão conservadora a respeito dos casamentos. Penso de acordo com os princípios bíblicos. Creio que duas pessoas devem se unir por amor e se tornarem um só ser. Por isso, defendo que a decisão de se casar seja um ato racional, responsável, consequente. Afinal, ninguém é obrigado a subir ao altar. Trata-se de uma escolha. E escolhas não se fazem de afogadilho.
Contudo, nem sempre é assim que acontece. Tem gente que namora dez anos. O casamento não dura seis meses. Talvez por que, muitas vezes, toma-se a decisão já imaginando: “se não der certo, separo”. É um direito. A lei permite. Até mesmo Cristo reconheceu o direito ao divórcio. Mas o que me impressiona é a incapacidade de alguns de exercitar a paciência e pôr em prática o amor.
O casamento pode ser qualquer coisa, menos algo fácil. Homem e mulher são diferentes por natureza. Num relacionamento, outras diferenças aparecem. São aquelas originadas na formação de cada um. Coisas simples… Por exemplo, um tem o hábito de tomar café pela manhã; o outro não. Um costuma jantar – arroz, feijão, carne, salada etc. O outro prefere um lanchinho.
Tem aqueles que são organizados. Separam meias, camisas, blusas, cuecas, calcinhas por cor. Os sapatos ficam divididos entre os de uso para o trabalho, para ocasiões informais, para festas… Já o conjugê é daqueles que vê problema em deixar tudo misturado. Esquece a toalha molhada por sobre a cama, bebe água na boca da garrafa…
Sabe, geralmente são as pequenas coisas que destroem um casamento. As pequenas diferenças, com o tempo, tornam-se irreconciliáveis. Chega um ponto que um não tolera o outro. As brigas ficam cada vez mais frequentes e as separações, inevitáveis.
É a solução? Depende. Acontece que na maioria das vezes os problemas que motivaram a separação acompanham os sujeitos. A pessoa sai do casamento, mas leva consigo o egoísmo, a intolerância, a mesquinhez e todos os outros sentimentos que não permitiram o sucesso da convivência a dois.
quinta-feira, setembro 24, 2009
Ricos, pobres, desigualdade
O rico gasta em três dias o que o pobre gasta em um ano. Este é o retrato da desigualdade revelado nas primeiras análises feitas pelo Ipea, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, com base nos dados do Pnad, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, realizada pelo IBGE.
Quando vi a notícia, republiquei no Twitter. Acrescentei um breve comentário. Apontei: é revoltante. Não, não fico revoltado com os gastos dos ricos. Reconheço que muitos esbanjam, jogam dinheiro fora. Entretanto, o que leva à indignação é a desigualdade. Enquanto alguns têm muito, outros têm tão pouco. E os que vivem com pouco são a maioria.
Esta semana conversei com um pós-doutor em Economia da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp. Falávamos sobre a diferença entre crescimento e desenvolvimento econômico. As duas coisas, conceitualmente, são diferentes. Historicamente, o Brasil é uma máquina de crescimento. Entretanto, segue patinando quando o assunto é desenvolvimento.
O crescimento implica na geração de riquezas. O tamanho do PIB, o Produto Interno Bruto. Mas, quando não disciplinado, planejado, não beneficia a todos.
Já desenvolvimento é algo mais complexo, amplo. Estamos falando do crescimento de riquezas que resulta na promoção humana, que dá garantia mínima de acesso de um povo aos bens e serviços gerados por uma nação. E isto efetivamente não ocorre no país.
Entre 1930 e 1980, o Brasil foi um dos campeões mundiais em crescimento econômico. Superamos até mesmo o Japão, uma das mais importantes economias do mundo. Mas quanto avançamos na distribuição de nossas riquezas?
Boa parte da população não tem trabalho digno. Não tem renda suficiente para atender as necessidades básicas do homem – alimento, moradia, saúde, educação. Aqui não relacionamos sequer o direito ao lazer, fundamental para que a vida não se torne um fardo.
O governo federal argumenta que gasta bilhões em políticas públicas de promoção humana. O Bolsa Família é uma dessas alternativas. É preciso reconhecer, as pessoas atendidas ao menos conseguem ter alimento na mesa. E há, teoricamente, a contrapartida da educação. Mas é suficiente? Não. Chega ser uma agressão ao ser humano acreditar que o Estado cumpre seu dever ao oferecer, em média, 50 dólares/mês às famílias em situação de risco.
O dever do Estado é reduzir a distância entre ricos e pobres. Isto não se faz acabando com os ricos, como se tentou fazer no passado nos chamados países comunistas. Faz-se como resultado de políticas públicas que garantam condições iguais a ricos e pobres, e de intervenção direta em questões fundamentais como, por exemplo, o acesso à moradia. A contradição chega ser intrigante. Quem pode pagar, tem casa; quem não pode, depende do aluguel – ou vive de favor ou ainda nas favelas.
E os tributos? Um estudo recente revelou: o pobre é quem, proporcionalmente, paga mais impostos. E a educação? Os menos favorecidos dependem da educação pública, que, lamentavelmente, tem pouca qualidade. Na saúde? Vai para o SUS. Quando precisa de tratamento especializado, fica meses até anos na fila de espera.
Superar tamanha desigualdade deve ser vista como prioridade. Não apenas pelo governo. Deveríamos nos sentir responsáveis. As consequências afetam a nação. E o maior exemplo é a escalada da violência.
Quando vi a notícia, republiquei no Twitter. Acrescentei um breve comentário. Apontei: é revoltante. Não, não fico revoltado com os gastos dos ricos. Reconheço que muitos esbanjam, jogam dinheiro fora. Entretanto, o que leva à indignação é a desigualdade. Enquanto alguns têm muito, outros têm tão pouco. E os que vivem com pouco são a maioria.
Esta semana conversei com um pós-doutor em Economia da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp. Falávamos sobre a diferença entre crescimento e desenvolvimento econômico. As duas coisas, conceitualmente, são diferentes. Historicamente, o Brasil é uma máquina de crescimento. Entretanto, segue patinando quando o assunto é desenvolvimento.
O crescimento implica na geração de riquezas. O tamanho do PIB, o Produto Interno Bruto. Mas, quando não disciplinado, planejado, não beneficia a todos.
Já desenvolvimento é algo mais complexo, amplo. Estamos falando do crescimento de riquezas que resulta na promoção humana, que dá garantia mínima de acesso de um povo aos bens e serviços gerados por uma nação. E isto efetivamente não ocorre no país.
Entre 1930 e 1980, o Brasil foi um dos campeões mundiais em crescimento econômico. Superamos até mesmo o Japão, uma das mais importantes economias do mundo. Mas quanto avançamos na distribuição de nossas riquezas?
Boa parte da população não tem trabalho digno. Não tem renda suficiente para atender as necessidades básicas do homem – alimento, moradia, saúde, educação. Aqui não relacionamos sequer o direito ao lazer, fundamental para que a vida não se torne um fardo.
O governo federal argumenta que gasta bilhões em políticas públicas de promoção humana. O Bolsa Família é uma dessas alternativas. É preciso reconhecer, as pessoas atendidas ao menos conseguem ter alimento na mesa. E há, teoricamente, a contrapartida da educação. Mas é suficiente? Não. Chega ser uma agressão ao ser humano acreditar que o Estado cumpre seu dever ao oferecer, em média, 50 dólares/mês às famílias em situação de risco.
O dever do Estado é reduzir a distância entre ricos e pobres. Isto não se faz acabando com os ricos, como se tentou fazer no passado nos chamados países comunistas. Faz-se como resultado de políticas públicas que garantam condições iguais a ricos e pobres, e de intervenção direta em questões fundamentais como, por exemplo, o acesso à moradia. A contradição chega ser intrigante. Quem pode pagar, tem casa; quem não pode, depende do aluguel – ou vive de favor ou ainda nas favelas.
E os tributos? Um estudo recente revelou: o pobre é quem, proporcionalmente, paga mais impostos. E a educação? Os menos favorecidos dependem da educação pública, que, lamentavelmente, tem pouca qualidade. Na saúde? Vai para o SUS. Quando precisa de tratamento especializado, fica meses até anos na fila de espera.
Superar tamanha desigualdade deve ser vista como prioridade. Não apenas pelo governo. Deveríamos nos sentir responsáveis. As consequências afetam a nação. E o maior exemplo é a escalada da violência.
sexta-feira, setembro 18, 2009
Qual é o papel dos maridos?
Vez ou outra a gente esbarra naqueles assuntos que parecem não render. Mas ainda se gasta tempo para encontrar uma resposta satisfatória. Identificar, por exemplo, o perfil ideal de marido é tarefa das mais difíceis. Até porque essas revistas femininas que falam de nós apresentam uma visão estereotipada do par perfeito.
Essas reportagens mostram um objeto a ser consumido (não muito diferente daquelas que nos apresentam as mulheres ideais). Não um homem concreto, para ser companheiro, pais dos filhos, para se viver por toda uma vida. Esse parceiro real tem contradições, falhas e nem sempre atende todas expectativas. Afinal, é ser humano. E ser humano é ser falho.
Homens e mulheres são assim. Quem espera o par perfeito apenas vê a vida passar. Nunca vai encontrar o príncipe encantado. Homens e mulheres de verdade têm oscilações de humor, má vontade, ficam doentes, sentem ciúmes, irritam-se, brigam, perdem a hora, batem o carro, ficam desempregados, perdem dinheiro, reprovam em concurso público, são egoístas, tímidos, falam demais… Enfim, seres humanos têm defeitos. Também estão cheio de virtudes. Basta ter disposição para identificá-las.
Entretanto, na relação homem-mulher às vezes fico observando a incapacidade de alguns deles de serem maridos. Fico imaginando se não deveriam passar por um cursinho preparatório. Confesso que tenho dó delas.
Não quero dizer que sou uma autoridade no assunto. Minha mulher, às vezes, também reclama de mim. Mas, como não há manual de marido perfeito, sinto-me no direito de dar meus pitáculos.
Observo algumas relações e vejo o quanto são exigidas nas obrigações familiares. Posso assegurar que tem alguns homens que merecem pena. São explorados por suas mulheres. No entanto, o inverso também é verdadeiro.
Tem marido incapaz de cuidar de um filho enquanto a esposa está fora. Conheço um que deixa a filha sozinha durante boa parte dos domingos enquanto ele joga futebol e faz churrasco com os amigos. A mulher trabalha, o marido vai se divertir e a criança fica em casa.
Sei de outro que nunca está com a esposa. A mulher carrega os filhos para todos os lados. Leva para a escola, busca, depois fica com as crianças na empresa durante toda a tarde. E ele? O marido dorme até perto das oito horas, vai trabalhar e prefere almoçar com a mãe dele a estar com a família. Só aparece à noite, quando os pequenos já estão dormindo.
Lembro de um marido que sempre está cansado. Nunca vi nada igual. Ele não tem tempo. O tempo dele é para o trabalho e para ficar de papo pro ar diante da TV. A mulher trabalha o dia inteiro, às vezes, no fim de semana. Mas o camarada é que está cansado. Ele chega antes dela em casa. Contudo, não pode ir ao supermercado fazer compras. Não busca uma encomenda pra ela. Ele usa o carro. Ela depende do transporte coletivo – e de favores dos amigos.
Talvez alguém diga: por que essas mulheres toleram esses homens? Não sei. Sei apenas que uma relação é feita de concessões e gentilezas. A paciência é um exercício diário. Entretanto, tem homens que parecem não ter se dado conta de suas responsabilidades. Casamento é sexo? Também. É necessário, fundamental na relação. Mas ser marido é cooperar, colaborar – inclusive nos afazeres domésticos. Quem pensa diferente não deveria se casar.
Essas reportagens mostram um objeto a ser consumido (não muito diferente daquelas que nos apresentam as mulheres ideais). Não um homem concreto, para ser companheiro, pais dos filhos, para se viver por toda uma vida. Esse parceiro real tem contradições, falhas e nem sempre atende todas expectativas. Afinal, é ser humano. E ser humano é ser falho.
Homens e mulheres são assim. Quem espera o par perfeito apenas vê a vida passar. Nunca vai encontrar o príncipe encantado. Homens e mulheres de verdade têm oscilações de humor, má vontade, ficam doentes, sentem ciúmes, irritam-se, brigam, perdem a hora, batem o carro, ficam desempregados, perdem dinheiro, reprovam em concurso público, são egoístas, tímidos, falam demais… Enfim, seres humanos têm defeitos. Também estão cheio de virtudes. Basta ter disposição para identificá-las.
Entretanto, na relação homem-mulher às vezes fico observando a incapacidade de alguns deles de serem maridos. Fico imaginando se não deveriam passar por um cursinho preparatório. Confesso que tenho dó delas.
Não quero dizer que sou uma autoridade no assunto. Minha mulher, às vezes, também reclama de mim. Mas, como não há manual de marido perfeito, sinto-me no direito de dar meus pitáculos.
Observo algumas relações e vejo o quanto são exigidas nas obrigações familiares. Posso assegurar que tem alguns homens que merecem pena. São explorados por suas mulheres. No entanto, o inverso também é verdadeiro.
Tem marido incapaz de cuidar de um filho enquanto a esposa está fora. Conheço um que deixa a filha sozinha durante boa parte dos domingos enquanto ele joga futebol e faz churrasco com os amigos. A mulher trabalha, o marido vai se divertir e a criança fica em casa.
Sei de outro que nunca está com a esposa. A mulher carrega os filhos para todos os lados. Leva para a escola, busca, depois fica com as crianças na empresa durante toda a tarde. E ele? O marido dorme até perto das oito horas, vai trabalhar e prefere almoçar com a mãe dele a estar com a família. Só aparece à noite, quando os pequenos já estão dormindo.
Lembro de um marido que sempre está cansado. Nunca vi nada igual. Ele não tem tempo. O tempo dele é para o trabalho e para ficar de papo pro ar diante da TV. A mulher trabalha o dia inteiro, às vezes, no fim de semana. Mas o camarada é que está cansado. Ele chega antes dela em casa. Contudo, não pode ir ao supermercado fazer compras. Não busca uma encomenda pra ela. Ele usa o carro. Ela depende do transporte coletivo – e de favores dos amigos.
Talvez alguém diga: por que essas mulheres toleram esses homens? Não sei. Sei apenas que uma relação é feita de concessões e gentilezas. A paciência é um exercício diário. Entretanto, tem homens que parecem não ter se dado conta de suas responsabilidades. Casamento é sexo? Também. É necessário, fundamental na relação. Mas ser marido é cooperar, colaborar – inclusive nos afazeres domésticos. Quem pensa diferente não deveria se casar.
terça-feira, setembro 15, 2009
Sensações que experimentei na igreja
O texto abaixo não é meu. Mas é daqueles que nos prendem e fazem pensar. Sinto dia e noite a sensação de que falta muito para ser aceito na presença de Deus. Por isso, é bom observar - ainda que a distância - a experiência do outro, as frustrações, as mesmas decepções, dúvidas e tentativas de acerto.
--
Não posso ser totalmente ingrato ao meu passado dentro da "i"greja. Tanto quanto não posso ser ingrato com meus namoricos de adolescente. Me ocorre agora uma lembrança, ou melhor lembro-me de sensações que já não sinto mais. Sensações boas, perigosas e efêmeras...
Minha vida dentro das enfeitadas construções sagradas me trouxe muita bagagem da qual me orgulho. Embora possa questionar a estrada que peguei, e aceder que existia uma melhor trilha, não mudaria o meu caminho em detrimento de onde estou. Não posso dizer que não gostaria de não ter experimentado tudo o que vivi. Não, seria hipocrisia minha...
Lembro da sensação de viver uma dicotomia. De achar que vivia o Céu no fim de semana e voltava ao mundo de Segunda à Sexta - Sábado era o esperado culto de jovens. Aquilo para mim era o Reino, era a Igreja, era a Noiva, era Deus conosco... como na música que canta o Pe. Marcelo, não sabia se a igreja subiu ou se o Céu desceu... Era a minha sensação, minha experimentação espiritual mais pungente. Provavelmente aqueles cultos repletos de contrição coletiva, choramingos, berros extravagantes e línguas era fruto do louvor que estava "fluindo". E isso pra mim era deveras espiritual...
Eu ficava ali, na bateria, apenas observando, enquanto tocava (ou como dizia, ministrava), a igreja ceder aos nossos artífices de conduzir a massa em adoração... todos com os olhos fechados, faces enrugadas e espremidas, todos provocados pelo clima de "intimidade" com Deus. Às vezes, eu nem estava em êxtase, mas, fingia só para "induzir" a congregação. Os que não entravam no "mover", tínhamos por menos espirituais, ou no mínimo haviam cometido algum pecado durante a semana. É claro que, muitas vezes, eu próprio havia pecado durante toda a semana, mas, no Sábado eu me arrependia e orava para que Jesus me lavasse com o Seu sangue e me purificasse de todo pecado. Realmente o que fazia me confessar era a noção de "Presença" de Deus no fim de semana. Uma sensação que não experimentava durante o meio da semana e que me permitia procrastinar e pecar, confiante que Deus me perdoaria poucos minutos antes de "ministrar" louvor em "Sua Casa"...
Para mim, culto com "Presença" de Deus era culto com muito louvor, muita adoração extravagante e uma pregação tocante e, preferivelmente, com bastante eloquência e domínio das emoções dos espectadores... E, claro, se o louvor se estendesse naturalmente em resposta da congregação, ultrapassando o horário da pregação, isso era sinal de que o povo estava sedento de Deus! E se o pastor fizesse cara feia porque o louvor estendera-se era porque estava resistindo à direção do Espírito...
Aquele finalzinho de ministração de louvor, com aquela música Enche este lugar, e toda a igreja prostrada e declarando seu amor a Deus, chorando, gemendo, gritando... e a música ia se esvaindo devagar (sabíamos como criar um clima), iam sobrando apenas os sniff, sniff... Era uma sensação tão boa! Na verdade não desejava que aquilo acabasse ali, salvo quando estava atormentado pela culpa de algum pecado que me impedia de entrar naquele "mover" e, eu esperava que aquele lenga, lenga moroso terminasse o quanto antes!
É desta sensação de que me recordo agora... de forma nostálgica até! Sensação de Céu, de lá-fora-está-tudo-bem-obrigado, de não-me-preocupo-com-nada-porque-estou-"adorando"! E que me fazia desgostar tanto de ter que deixar aquele prédio sagrado para tornar à minha casa com minha mãe "descrente" e minhas irmãs "desviadas" e todo o "inferno" que vivia lá dentro. Claro, se minha referência de Céu era o culto, para mim o inferno era em casa: responsabilidade, relacionamento para cuidar, diálogo para administrar, tarefas para cumprir, problemas para superar, gente para amar, gente para odiar, gente para perdoar, falta de dinheiro para se preocupar... vida para viver! E sem abundância por sinal! Minha vontade era ficar recluso dentro da "i"greja, eu até tinha as chaves do templo! De maneira que para não ficar em casa, ficava lá dentro, ouvindo música, adorando, orando... FUGINDO!
Toda essa experiência religiosa era tão gostosa quanto ficar com as meninas(geralmente esse era o pecado de que devia me arrepender no fim de semana)! Aqueles beijos sem compromisso que elevavam a adrenalina (geralmente tinham que ser escondidos), que me causavam momentos de prazer, de satisfação efêmera... e que me fazia ir atrás de mais meninas pra ficar! Eu era dependente daquilo tudo... porque era como um ópio para mim! Uma válvula de escape, tal como beijar descompromissadamente (e, como não podia passar disso até o casamento, também descarregava de outra forma, o que também era um pecado frequente nas confissões antes de "ministrar"), tal como usar uma droga para fugir dos meus problemas, era assim que me viciava na "i"greja!
Mas, como disse, não posso ser ingrato nem com os beijos, frutos de imaturidade, nem com a experimentação religiosa e relacionamento com Deus de outrora, frutos de ingenuidade! Foram experiências que me trouxeram aprendizado e sensações arrebatadoras... mas, que não posso mais desfrutar porque cresci... e aprendi que não posso fugir da vida e achar que estarei seguro no interior de um templo, no ócio de um culto ou no ativismo de um ministério!
Agora sei que a Presença de Deus se faz em mim em todo o tempo, e essa noção de Deus Comigo, me ajuda a distanciar o pecado com maior eficiência e autenticidade. Não fujo mais da vida... mas, recebo a proposta de Cristo que veio para que eu tenha vida - viva- em abundância. Isso significa não ceder aos caprichos, problemas e relacionamentos que ela traz e não fugir como um covarde que não tem em quem confiar seu destino. Cristo é comigo, a quem (que) temerei?
Enxergo agora que se o Reino de Deus se resume aos mimos que experimentamos num culto, o mundo estaria sem esperança! Sei que o Reino já se estabelece nas nossas vidas à partir do momento que acedemos que Cristo reine em nós, tornando-nos Sua moradia! E implantando o Seu Reino aqui na Terra para que, quando Ele regresse, seja como no Céu!
Hoje, não preciso experimentar beijinhos (ou amassos) escondidos com cada gatinha diferente por aí, tenho com quem me RELACIONAR em compromisso, confiança e fidelidade. Hoje não preciso me entorpecer num ambiente sagrado achando que estou me relacionando com Deus... e esperar uma semana para experimentar outra vez a mesma sensação! Não preciso de lugar, hora, dia, ou programação com gente para me RELACIONAR com Deus!
Nem só de sensações boas viverá o homem...
Fonte: Pavablog
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Não posso ser totalmente ingrato ao meu passado dentro da "i"greja. Tanto quanto não posso ser ingrato com meus namoricos de adolescente. Me ocorre agora uma lembrança, ou melhor lembro-me de sensações que já não sinto mais. Sensações boas, perigosas e efêmeras...
Minha vida dentro das enfeitadas construções sagradas me trouxe muita bagagem da qual me orgulho. Embora possa questionar a estrada que peguei, e aceder que existia uma melhor trilha, não mudaria o meu caminho em detrimento de onde estou. Não posso dizer que não gostaria de não ter experimentado tudo o que vivi. Não, seria hipocrisia minha...
Lembro da sensação de viver uma dicotomia. De achar que vivia o Céu no fim de semana e voltava ao mundo de Segunda à Sexta - Sábado era o esperado culto de jovens. Aquilo para mim era o Reino, era a Igreja, era a Noiva, era Deus conosco... como na música que canta o Pe. Marcelo, não sabia se a igreja subiu ou se o Céu desceu... Era a minha sensação, minha experimentação espiritual mais pungente. Provavelmente aqueles cultos repletos de contrição coletiva, choramingos, berros extravagantes e línguas era fruto do louvor que estava "fluindo". E isso pra mim era deveras espiritual...
Eu ficava ali, na bateria, apenas observando, enquanto tocava (ou como dizia, ministrava), a igreja ceder aos nossos artífices de conduzir a massa em adoração... todos com os olhos fechados, faces enrugadas e espremidas, todos provocados pelo clima de "intimidade" com Deus. Às vezes, eu nem estava em êxtase, mas, fingia só para "induzir" a congregação. Os que não entravam no "mover", tínhamos por menos espirituais, ou no mínimo haviam cometido algum pecado durante a semana. É claro que, muitas vezes, eu próprio havia pecado durante toda a semana, mas, no Sábado eu me arrependia e orava para que Jesus me lavasse com o Seu sangue e me purificasse de todo pecado. Realmente o que fazia me confessar era a noção de "Presença" de Deus no fim de semana. Uma sensação que não experimentava durante o meio da semana e que me permitia procrastinar e pecar, confiante que Deus me perdoaria poucos minutos antes de "ministrar" louvor em "Sua Casa"...
Para mim, culto com "Presença" de Deus era culto com muito louvor, muita adoração extravagante e uma pregação tocante e, preferivelmente, com bastante eloquência e domínio das emoções dos espectadores... E, claro, se o louvor se estendesse naturalmente em resposta da congregação, ultrapassando o horário da pregação, isso era sinal de que o povo estava sedento de Deus! E se o pastor fizesse cara feia porque o louvor estendera-se era porque estava resistindo à direção do Espírito...
Aquele finalzinho de ministração de louvor, com aquela música Enche este lugar, e toda a igreja prostrada e declarando seu amor a Deus, chorando, gemendo, gritando... e a música ia se esvaindo devagar (sabíamos como criar um clima), iam sobrando apenas os sniff, sniff... Era uma sensação tão boa! Na verdade não desejava que aquilo acabasse ali, salvo quando estava atormentado pela culpa de algum pecado que me impedia de entrar naquele "mover" e, eu esperava que aquele lenga, lenga moroso terminasse o quanto antes!
É desta sensação de que me recordo agora... de forma nostálgica até! Sensação de Céu, de lá-fora-está-tudo-bem-obrigado, de não-me-preocupo-com-nada-porque-estou-"adorando"! E que me fazia desgostar tanto de ter que deixar aquele prédio sagrado para tornar à minha casa com minha mãe "descrente" e minhas irmãs "desviadas" e todo o "inferno" que vivia lá dentro. Claro, se minha referência de Céu era o culto, para mim o inferno era em casa: responsabilidade, relacionamento para cuidar, diálogo para administrar, tarefas para cumprir, problemas para superar, gente para amar, gente para odiar, gente para perdoar, falta de dinheiro para se preocupar... vida para viver! E sem abundância por sinal! Minha vontade era ficar recluso dentro da "i"greja, eu até tinha as chaves do templo! De maneira que para não ficar em casa, ficava lá dentro, ouvindo música, adorando, orando... FUGINDO!
Toda essa experiência religiosa era tão gostosa quanto ficar com as meninas(geralmente esse era o pecado de que devia me arrepender no fim de semana)! Aqueles beijos sem compromisso que elevavam a adrenalina (geralmente tinham que ser escondidos), que me causavam momentos de prazer, de satisfação efêmera... e que me fazia ir atrás de mais meninas pra ficar! Eu era dependente daquilo tudo... porque era como um ópio para mim! Uma válvula de escape, tal como beijar descompromissadamente (e, como não podia passar disso até o casamento, também descarregava de outra forma, o que também era um pecado frequente nas confissões antes de "ministrar"), tal como usar uma droga para fugir dos meus problemas, era assim que me viciava na "i"greja!
Mas, como disse, não posso ser ingrato nem com os beijos, frutos de imaturidade, nem com a experimentação religiosa e relacionamento com Deus de outrora, frutos de ingenuidade! Foram experiências que me trouxeram aprendizado e sensações arrebatadoras... mas, que não posso mais desfrutar porque cresci... e aprendi que não posso fugir da vida e achar que estarei seguro no interior de um templo, no ócio de um culto ou no ativismo de um ministério!
Agora sei que a Presença de Deus se faz em mim em todo o tempo, e essa noção de Deus Comigo, me ajuda a distanciar o pecado com maior eficiência e autenticidade. Não fujo mais da vida... mas, recebo a proposta de Cristo que veio para que eu tenha vida - viva- em abundância. Isso significa não ceder aos caprichos, problemas e relacionamentos que ela traz e não fugir como um covarde que não tem em quem confiar seu destino. Cristo é comigo, a quem (que) temerei?
Enxergo agora que se o Reino de Deus se resume aos mimos que experimentamos num culto, o mundo estaria sem esperança! Sei que o Reino já se estabelece nas nossas vidas à partir do momento que acedemos que Cristo reine em nós, tornando-nos Sua moradia! E implantando o Seu Reino aqui na Terra para que, quando Ele regresse, seja como no Céu!
Hoje, não preciso experimentar beijinhos (ou amassos) escondidos com cada gatinha diferente por aí, tenho com quem me RELACIONAR em compromisso, confiança e fidelidade. Hoje não preciso me entorpecer num ambiente sagrado achando que estou me relacionando com Deus... e esperar uma semana para experimentar outra vez a mesma sensação! Não preciso de lugar, hora, dia, ou programação com gente para me RELACIONAR com Deus!
Nem só de sensações boas viverá o homem...
Fonte: Pavablog
quinta-feira, setembro 10, 2009
Os riscos da intimidade na rede - II
Abaixo, o texto que vai ao ar no próximo programa.
Dia desses falei aqui sobre os riscos da divulgação de nossa intimidade na internet. O assunto é mesmo sério, complexo. Afinal, ninguém está isento de se tornar vítima na rede mundial de computadores. Dependendo da situação, há risco inclusive de desmoralização. Não há privacidade. Famosos e não famosos, gente importante ou anônima podem ter suas histórias exploradas na rede.
Tempos atrás uma mulher fez uma fotografia da família. Nada demais. Apenas uma bela imagem. Ela colocou numa das redes sociais. A imagem estava aberta. Qualquer pessoa podia vê-la. Meses depois, essa senhora fez uma viagem. Foi até outro país. Enquanto fazia compras num supermercado foi surpreendida… Encontrou a foto da família dela no anúncio de um produto.
Felizmente, foi algo sem grandes consequências. Embora o uso da foto, sem autorização, seja passível de uma discussão judicial – com direito à indenização -, essa mulher não sofreu perdas. A família não sofreu uma exposição vergonhosa.
Mas nem todos os desfechos são semelhantes. Talvez você até conheça história de famosos brasileiros que já tiveram suas fotos usadas, criminosamente, em materiais de divulgação de pornografia. Luma de Oliveira foi uma das vítimas. Juliana Paes, também. A atriz global chegou a estampar a capa de um filme pornô.
Na verdade, as diferentes ferramentas tecnológicas acabaram com a privacidade. Alguém que esteja passeando na praia pode ter sua foto, um vídeo seu, divulgado na internet. Isto, sem que a pessoa saiba. Que o diga Daniela Cicarelli… A modelo e apresentadora foi pega numa situação constrangedora, íntima. A gente pode até argumentar: isso não é o tipo de coisa que se faz numa praia. Mas mesmo quem não está fazendo absolutamente nada semelhante a Cicarelli pode ser vítima da rede.
Por exemplo, tem gente que não se sente confortável diante das câmeras. Acha que está gordo, não gosta do nariz, tem vergonha da careca… Enfim, um amigo, colega ou conhecido pode fotografá-lo e expor sua imagem nas redes sociais. A performance num salão de festas e até na igreja, muitas vezes, é alvo das câmeras digitais. Em pouco tempo o vídeo estará no Youtube. Para o bem ou para o mal.
A desastrosa apresentação da Vanusa ao cantar o Hino Nacional é uma prova concreta de que não há limites na internet. Tivesse acontecido anos atrás, o máximo que teria ocorrido à cantora seriam algumas notas nos jornais locais, um ou outro comentário. Passado algum tempo, a própria Vanusa poderia citar o fato como uma de suas maiores gafes nesses programas com famosos. Ficaria nisso. Entretanto, a cantora virou alvo de chacota. Tudo porque a rede não conhece limites.
Por isso, o mais recomendado ainda é: não faça nada que possa lhe trazer constrangimento ou vergonha. É difícil alegar inocência. Estamos sendo vigiados. Há câmeras por todos os lados. Não devemos ficar paranóicos, mas é preciso reconhecer que, hoje, não apenas nossas “quedas” ou “trombadas” têm chance de ficar “famosas” nas Vídeo Cassetadas do Faustão.
Dia desses falei aqui sobre os riscos da divulgação de nossa intimidade na internet. O assunto é mesmo sério, complexo. Afinal, ninguém está isento de se tornar vítima na rede mundial de computadores. Dependendo da situação, há risco inclusive de desmoralização. Não há privacidade. Famosos e não famosos, gente importante ou anônima podem ter suas histórias exploradas na rede.
Tempos atrás uma mulher fez uma fotografia da família. Nada demais. Apenas uma bela imagem. Ela colocou numa das redes sociais. A imagem estava aberta. Qualquer pessoa podia vê-la. Meses depois, essa senhora fez uma viagem. Foi até outro país. Enquanto fazia compras num supermercado foi surpreendida… Encontrou a foto da família dela no anúncio de um produto.
Felizmente, foi algo sem grandes consequências. Embora o uso da foto, sem autorização, seja passível de uma discussão judicial – com direito à indenização -, essa mulher não sofreu perdas. A família não sofreu uma exposição vergonhosa.
Mas nem todos os desfechos são semelhantes. Talvez você até conheça história de famosos brasileiros que já tiveram suas fotos usadas, criminosamente, em materiais de divulgação de pornografia. Luma de Oliveira foi uma das vítimas. Juliana Paes, também. A atriz global chegou a estampar a capa de um filme pornô.
Na verdade, as diferentes ferramentas tecnológicas acabaram com a privacidade. Alguém que esteja passeando na praia pode ter sua foto, um vídeo seu, divulgado na internet. Isto, sem que a pessoa saiba. Que o diga Daniela Cicarelli… A modelo e apresentadora foi pega numa situação constrangedora, íntima. A gente pode até argumentar: isso não é o tipo de coisa que se faz numa praia. Mas mesmo quem não está fazendo absolutamente nada semelhante a Cicarelli pode ser vítima da rede.
Por exemplo, tem gente que não se sente confortável diante das câmeras. Acha que está gordo, não gosta do nariz, tem vergonha da careca… Enfim, um amigo, colega ou conhecido pode fotografá-lo e expor sua imagem nas redes sociais. A performance num salão de festas e até na igreja, muitas vezes, é alvo das câmeras digitais. Em pouco tempo o vídeo estará no Youtube. Para o bem ou para o mal.
A desastrosa apresentação da Vanusa ao cantar o Hino Nacional é uma prova concreta de que não há limites na internet. Tivesse acontecido anos atrás, o máximo que teria ocorrido à cantora seriam algumas notas nos jornais locais, um ou outro comentário. Passado algum tempo, a própria Vanusa poderia citar o fato como uma de suas maiores gafes nesses programas com famosos. Ficaria nisso. Entretanto, a cantora virou alvo de chacota. Tudo porque a rede não conhece limites.
Por isso, o mais recomendado ainda é: não faça nada que possa lhe trazer constrangimento ou vergonha. É difícil alegar inocência. Estamos sendo vigiados. Há câmeras por todos os lados. Não devemos ficar paranóicos, mas é preciso reconhecer que, hoje, não apenas nossas “quedas” ou “trombadas” têm chance de ficar “famosas” nas Vídeo Cassetadas do Faustão.
terça-feira, setembro 08, 2009
Os riscos da intimidade na rede
Uma professora foi demitida após ter um vídeo que a mostra dançando divulgado no Youtube. Uma bela atriz global foi à delegacia registrar queixa contra o ex-marido por causa do sumiço de uma máquina fotográfica. Nela estavam fotos íntimas. Dois rapazes conversam animadamente no Twitter, ignorando os demais seguidores, mas ali deixando marcas de um relacionamento homossexual.
Os três casos têm semelhanças, embora cada um deles esteja numa fase diferente. Em comum, o fato de não terem cuidado com as novas ferramentas tecnológicas.
Vamos entender… A professora mencionada tem apenas 28 anos. É jovem, bonitona, solteira. Até dias atrás dava aulas para crianças de cinco anos numa escola particular de Salvador, Bahia. Em junho passado, foi ao show de pagode da banda O Troco. Não tinha idéia que uma diversão momentânea causaria tanto sofrimento.
O hit do grupo é a música “Todo Enfiado”. Em cada apresentação, o cantor convida pessoas da platéia para fazerem, no palco, a coreografia. A dança é provocativa e, num trecho, o vocalista puxa o vestido da candidata e segura sua calcinha reforçando a frase de efeito da música. Quem sobe ao palco conhece cada movimento da dança sexual. E lá estava a professora. Só não imaginava que pudesse se transformar numa “celebridade” do Youtube (várias pessoas gravaram sua performance e colocaram o vídeo na internet).
A divulgação levou vizinhos, gente do bairro e pais de alunos a conhecerem o lado noturno da educadora. Além de ser hostilizada, obrigada a mudar de endereço, foi demitida. A escola alega que a jovem era boa funcionária, mas precisava preservá-la.
A instituição fez a coisa certa? Não sei. Ninguém tem direito de invadir a privacidade alheia. Nela, cada um faz o que desejar. Por outro lado, o que era privado tornou-se público e as crianças precisam ter no educador um modelo.
Mas, de uma coisa sei: a professora está arrependida. Não imaginava estar sendo filmada. Não faria de novo. Entretanto, agora é tarde. A dança dela está lá pra quem quiser ver. E já viram mais de 100 mil pessoas. A vida dessa jovem mudou de rumo por ter se exposto por apenas três ou quatro minutos.
E a atriz? Esta ainda não foi envergonhada publicamente. Contudo, teme experimentar o drama conhecido pela professora. Por isso, quer a máquina fotográfica de volta. A preocupação não é com o equipamento; são com as fotos sensuais que ali estão arquivadas.
Já os rapazes não pensam nisso. Talvez não se deram conta que a vida, a intimidade deles é observada por algumas dezenas de seguidores do Twitter e por quem quiser dar uma olhadela no microblog. São marcas que às vezes permitem tratamento preconceituoso ou mesmo a perda de oportunidades de trabalho. Não por causa da homossexualidade, mas pela incapacidade de se preservarem.
Na verdade, nas três situações temos um quadro típico da atualidade. As ferramentas tecnológicas são encantadoras, fascinantes e nos abrem inúmeras possibilidades. Os equipamentos digitais fotografam, filmam e tem tantas outras funções que, por um instante, pode parecer inocente se deixar expor diante das lentes.
Com os blogs, Orkut, Twitter, Facebook, Youtube etc temos ferramentas que democratizaram o processo de comunicação. Todo mundo pode produzir conteúdo. Desconhecidos se transformam em celebridades. No entanto, a diversão às vezes custa caro. É impossível dimensionar as consequências da divulgação na rede de algo íntimo, privado. Por isso, um pouco de cautela, pudor, bom-senso, racionalidade ainda é o melhor que se tem a fazer.
Os três casos têm semelhanças, embora cada um deles esteja numa fase diferente. Em comum, o fato de não terem cuidado com as novas ferramentas tecnológicas.
Vamos entender… A professora mencionada tem apenas 28 anos. É jovem, bonitona, solteira. Até dias atrás dava aulas para crianças de cinco anos numa escola particular de Salvador, Bahia. Em junho passado, foi ao show de pagode da banda O Troco. Não tinha idéia que uma diversão momentânea causaria tanto sofrimento.
O hit do grupo é a música “Todo Enfiado”. Em cada apresentação, o cantor convida pessoas da platéia para fazerem, no palco, a coreografia. A dança é provocativa e, num trecho, o vocalista puxa o vestido da candidata e segura sua calcinha reforçando a frase de efeito da música. Quem sobe ao palco conhece cada movimento da dança sexual. E lá estava a professora. Só não imaginava que pudesse se transformar numa “celebridade” do Youtube (várias pessoas gravaram sua performance e colocaram o vídeo na internet).
A divulgação levou vizinhos, gente do bairro e pais de alunos a conhecerem o lado noturno da educadora. Além de ser hostilizada, obrigada a mudar de endereço, foi demitida. A escola alega que a jovem era boa funcionária, mas precisava preservá-la.
A instituição fez a coisa certa? Não sei. Ninguém tem direito de invadir a privacidade alheia. Nela, cada um faz o que desejar. Por outro lado, o que era privado tornou-se público e as crianças precisam ter no educador um modelo.
Mas, de uma coisa sei: a professora está arrependida. Não imaginava estar sendo filmada. Não faria de novo. Entretanto, agora é tarde. A dança dela está lá pra quem quiser ver. E já viram mais de 100 mil pessoas. A vida dessa jovem mudou de rumo por ter se exposto por apenas três ou quatro minutos.
E a atriz? Esta ainda não foi envergonhada publicamente. Contudo, teme experimentar o drama conhecido pela professora. Por isso, quer a máquina fotográfica de volta. A preocupação não é com o equipamento; são com as fotos sensuais que ali estão arquivadas.
Já os rapazes não pensam nisso. Talvez não se deram conta que a vida, a intimidade deles é observada por algumas dezenas de seguidores do Twitter e por quem quiser dar uma olhadela no microblog. São marcas que às vezes permitem tratamento preconceituoso ou mesmo a perda de oportunidades de trabalho. Não por causa da homossexualidade, mas pela incapacidade de se preservarem.
Na verdade, nas três situações temos um quadro típico da atualidade. As ferramentas tecnológicas são encantadoras, fascinantes e nos abrem inúmeras possibilidades. Os equipamentos digitais fotografam, filmam e tem tantas outras funções que, por um instante, pode parecer inocente se deixar expor diante das lentes.
Com os blogs, Orkut, Twitter, Facebook, Youtube etc temos ferramentas que democratizaram o processo de comunicação. Todo mundo pode produzir conteúdo. Desconhecidos se transformam em celebridades. No entanto, a diversão às vezes custa caro. É impossível dimensionar as consequências da divulgação na rede de algo íntimo, privado. Por isso, um pouco de cautela, pudor, bom-senso, racionalidade ainda é o melhor que se tem a fazer.
sexta-feira, setembro 04, 2009
Um olá, uma música...
Estou fechando a conta da semana...
Vou aproveitar o fim de semana para ver meus pais, sogros, a família.
São eles as coisas mais preciosas para mim.
Fico impressionado com os hábitos contemporâneos.
Assustado em ver que muita gente já não preza a família.
Tem gente que consegue ficar meses, anos, sem ver os pais.
Outros acham casamento algo descartável.
Particularmente, não consigo me ver sem essa referência.
É meu chão, minha razão de viver.
Bem, mas hoje não é dia de produzir uma reflexão sobre o assunto.
Já falo com frequência sobre este tema por aqui.
Nesta sexta, quero apenas deixar uma música pra você ouvir.
É do Kleber Lucas. Um dos meus cantores preferidos.
E a canção me encanta... Sugiro, inclusive, o DVD do Kleber.
Comunhão, é o que tem essa música.
Bom fim de semana a todos!
Vou aproveitar o fim de semana para ver meus pais, sogros, a família.
São eles as coisas mais preciosas para mim.
Fico impressionado com os hábitos contemporâneos.
Assustado em ver que muita gente já não preza a família.
Tem gente que consegue ficar meses, anos, sem ver os pais.
Outros acham casamento algo descartável.
Particularmente, não consigo me ver sem essa referência.
É meu chão, minha razão de viver.
Bem, mas hoje não é dia de produzir uma reflexão sobre o assunto.
Já falo com frequência sobre este tema por aqui.
Nesta sexta, quero apenas deixar uma música pra você ouvir.
É do Kleber Lucas. Um dos meus cantores preferidos.
E a canção me encanta... Sugiro, inclusive, o DVD do Kleber.
Comunhão, é o que tem essa música.
Bom fim de semana a todos!
quinta-feira, setembro 03, 2009
O blog da Novo Tempo de Maringá
Estou apaixonado pelo blog da Novo Tempo de Maringá.
Coisas de Bia... A locutora da emissora.
Ela é criatividade, inovadora e, por sua iniciativa, a NT criou um blog.
E está o maior sucesso.
Diariamente, dezenos de leitores passam pela página.
Muita agente aproveita para fazer download dos programas.
Legal mesmo!
Gosto dos blogs.
Não apenas porque estou postando há quatro anos...
Mas pelo que representam essas páginas.
Sinceramente, é muito melhor que manter um site.
Portanto, parabéns à Bia e a Novo Tempo.
Coisas de Bia... A locutora da emissora.
Ela é criatividade, inovadora e, por sua iniciativa, a NT criou um blog.
E está o maior sucesso.
Diariamente, dezenos de leitores passam pela página.
Muita agente aproveita para fazer download dos programas.
Legal mesmo!
Gosto dos blogs.
Não apenas porque estou postando há quatro anos...
Mas pelo que representam essas páginas.
Sinceramente, é muito melhor que manter um site.
Portanto, parabéns à Bia e a Novo Tempo.
terça-feira, setembro 01, 2009
As oportunidades nossas de cada dia
Elas estão ali... Bem próximas, diante de nós, basta agarrá-las. Se as abraçarmos, sonhos podem se realizar, toda uma vida pode ser completamente diferente. Elas são as oportunidades. Não as encontramos todos os dias. Em algumas fases, são mais frequentes. Noutras, quase ausentes. Mas desfilam para todos. O que faz de uns mais “sortudos” e de outros, “azarados”, é a capacidade de vê-las e alcançá-las.
O que me impressiona é a ausência de percepção de que as oportunidades existem. Infelizmente, vamos perder algumas delas. Não tem jeito. Por medo, timidez, ansiedade, precipitação, miopia etc, certas chances que a vida nos oferece simplesmente ficarão no reino do “e se”. E se eu tivesse pedido aquela moça em namoro? E se eu tivesse aceitado aquele emprego? E se eu tivesse falado com o fulano? O “e se” não existe. É só uma hipótese para especularmos diante de algo que não volta mais.
Lembro de um amigo que gostava muito de uma garota durante o período escolar. Era apaixonado por ela. Via na jovem tudo que gostaria de encontrar numa mulher. Sentia ciúmes dos relacionamentos que ela mantinha. Observou e até a confortou nas vezes que terminou namoros. Sabia que podia ser o cara que a garota procurava. Mas a convivência e amizade o impediram de dar o passo decisivo. Ele nunca perguntou: “você quer namorar comigo?”. Vale dizer que essa pergunta, hoje, caiu em desuso, mas, na época, era fundamental para começar um relacionamento.
No dia em que se casou, a garota estava lá. Não como noiva, mas no papel de madrinha. Nunca soube se ela aceitaria ficar com ele. Perdeu a chance de ser feliz? Talvez não. A vida quem sabe tenha sido generosa dando-lhe uma outra companheira. Mas a pergunta ficou: “como seria se tivesse tido coragem de vencer o medo e a pedisse em namoro?”. Teria dado certo? Ou seria trágico? Nunca saberá.
Entretanto, não se perdem oportunidades apenas nos relacionamentos. Na vida profissional sobram exemplos de pessoas que poderiam ter conquistado sucesso, mas esbarraram numa certa inocência ou na pouca crença de que são capazes. Às vezes a chance está lá, mas a pessoa não acredita. Tem ocasiões que falta tão pouco - quem sabe algumas horas de dedicação a mais, um pouco de comprometimento, demonstração de vontade, disciplina, rigor com horários, ousadia, criatividade. No entanto, a pessoa não consegue ver que o momento decisivo está diante dela.
Isto acontece muito com nossos jovens. É natural. A adolescência, a juventude são feitas de erros e acertos. São os erros que contribuem para a construção do indivíduo. São os erros que nos capacitam a ter melhores critérios de julgamento, mais experiência. Certamente, decisões que tomo hoje poderão causar arrependimento amanhã. E, se fossem tomadas amanhã, a escolha poderia ser outra.
Ainda assim, entendo que há um caminho de sabedoria. Quando se trilha por ele, é mais fácil descobrir e se apropriar das oportunidades que a vida oferece. Mas a sabedoria é algo que se conquista por meio do estudo, da observação, da capacidade de ouvir, de buscar conselhos, da escolha de boas amizades, do respeito e atenção aos mais velhos.
O que me impressiona é a ausência de percepção de que as oportunidades existem. Infelizmente, vamos perder algumas delas. Não tem jeito. Por medo, timidez, ansiedade, precipitação, miopia etc, certas chances que a vida nos oferece simplesmente ficarão no reino do “e se”. E se eu tivesse pedido aquela moça em namoro? E se eu tivesse aceitado aquele emprego? E se eu tivesse falado com o fulano? O “e se” não existe. É só uma hipótese para especularmos diante de algo que não volta mais.
Lembro de um amigo que gostava muito de uma garota durante o período escolar. Era apaixonado por ela. Via na jovem tudo que gostaria de encontrar numa mulher. Sentia ciúmes dos relacionamentos que ela mantinha. Observou e até a confortou nas vezes que terminou namoros. Sabia que podia ser o cara que a garota procurava. Mas a convivência e amizade o impediram de dar o passo decisivo. Ele nunca perguntou: “você quer namorar comigo?”. Vale dizer que essa pergunta, hoje, caiu em desuso, mas, na época, era fundamental para começar um relacionamento.
No dia em que se casou, a garota estava lá. Não como noiva, mas no papel de madrinha. Nunca soube se ela aceitaria ficar com ele. Perdeu a chance de ser feliz? Talvez não. A vida quem sabe tenha sido generosa dando-lhe uma outra companheira. Mas a pergunta ficou: “como seria se tivesse tido coragem de vencer o medo e a pedisse em namoro?”. Teria dado certo? Ou seria trágico? Nunca saberá.
Entretanto, não se perdem oportunidades apenas nos relacionamentos. Na vida profissional sobram exemplos de pessoas que poderiam ter conquistado sucesso, mas esbarraram numa certa inocência ou na pouca crença de que são capazes. Às vezes a chance está lá, mas a pessoa não acredita. Tem ocasiões que falta tão pouco - quem sabe algumas horas de dedicação a mais, um pouco de comprometimento, demonstração de vontade, disciplina, rigor com horários, ousadia, criatividade. No entanto, a pessoa não consegue ver que o momento decisivo está diante dela.
Isto acontece muito com nossos jovens. É natural. A adolescência, a juventude são feitas de erros e acertos. São os erros que contribuem para a construção do indivíduo. São os erros que nos capacitam a ter melhores critérios de julgamento, mais experiência. Certamente, decisões que tomo hoje poderão causar arrependimento amanhã. E, se fossem tomadas amanhã, a escolha poderia ser outra.
Ainda assim, entendo que há um caminho de sabedoria. Quando se trilha por ele, é mais fácil descobrir e se apropriar das oportunidades que a vida oferece. Mas a sabedoria é algo que se conquista por meio do estudo, da observação, da capacidade de ouvir, de buscar conselhos, da escolha de boas amizades, do respeito e atenção aos mais velhos.
segunda-feira, agosto 31, 2009
Trabalhando muito... Correndo atrás do vento
Vi hoje um estudo que revela o desejo dos trabalhadores de se aposentarem aos 55 anos. Na verdade, metade dos entrevistados respondeu que gostaria de parar de trabalhar nessa idade. É compreensível. Também não acharia ruim me aposentar aos 55. Gosto de trabalhar, sou apaixonado pelo que faço, mas não ter que me preocupar com trabalho; pelo contrário, ter uma renda garantida aos 55 anos, me parece algo bastante razoável.
Esse desejo de se aposentar numa idade ainda produtiva tem algumas razões. Entendo que a maioria das pessoas trabalha mais que gostaria. Todo mundo precisa trabalhar, sente-se produtivo. Mas a jornada de trabalho geralmente vai além do limite físico. Por conta disso, falta tempo para família, lazer, relacionamentos. Com isso, planos e projetos são feitos para o período da aposentadoria.
As pessoas passam a viver em função disso. Trabalham, trabalham e ficam sonhando com o que farão quando se aposentarem. Aquela viagem dos sonhos, o aprendizado de uma atividade nova - pintura, música etc -, o exercício físico, enfim, tudo vai sendo transferido para o pós-aposentadoria.
Logo, é compreensível que as pessoas queiram parar de trabalhar aos 55 anos. Estão cheias de planos. Querem realizá-los, mas sabem que a rotina do dia-a-dia as consomem. É necessário se aposentar. Mas tem que ser numa idade em que a vida esteja plena. Ainda haja tempo para conquistar o que hoje não se pode alcançar.
Entretanto, embora o desejo de aposentar exista, pouca gente poderá cruzar os braços numa fase tão produtiva da vida. Com o envelhecimento da população, sabe-se que as demandas da Previdência Social são crescentes. Não há dinheiro para bancar tanta gente sem fazer nada, recebendo mensalmente do governo. Por isso, há projetos engavetados de reforma da previdência... Todos eles contando com uma idade mínima para aposentadoria acima dos limites da legislação atual.
Portanto, quem vive sonhando em realizar projetos apenas quando se aposentar está deixando de viver. Na verdade, está abrindo mão do aqui e agora. Poderíamos ainda dizer, que essas pessoas estão perdendo a chance de experimentarem o projeto de Deus. E eu me incluo neste grupo. Afinal, também trabalho demais, corro muito e tenho deixado a vida passar.
No entanto, temos que reconhecer que o tempo é este. Tudo mais, como diz o sábio Salomão, é vaidade. É correr atrás do vento.
Esse desejo de se aposentar numa idade ainda produtiva tem algumas razões. Entendo que a maioria das pessoas trabalha mais que gostaria. Todo mundo precisa trabalhar, sente-se produtivo. Mas a jornada de trabalho geralmente vai além do limite físico. Por conta disso, falta tempo para família, lazer, relacionamentos. Com isso, planos e projetos são feitos para o período da aposentadoria.
As pessoas passam a viver em função disso. Trabalham, trabalham e ficam sonhando com o que farão quando se aposentarem. Aquela viagem dos sonhos, o aprendizado de uma atividade nova - pintura, música etc -, o exercício físico, enfim, tudo vai sendo transferido para o pós-aposentadoria.
Logo, é compreensível que as pessoas queiram parar de trabalhar aos 55 anos. Estão cheias de planos. Querem realizá-los, mas sabem que a rotina do dia-a-dia as consomem. É necessário se aposentar. Mas tem que ser numa idade em que a vida esteja plena. Ainda haja tempo para conquistar o que hoje não se pode alcançar.
Entretanto, embora o desejo de aposentar exista, pouca gente poderá cruzar os braços numa fase tão produtiva da vida. Com o envelhecimento da população, sabe-se que as demandas da Previdência Social são crescentes. Não há dinheiro para bancar tanta gente sem fazer nada, recebendo mensalmente do governo. Por isso, há projetos engavetados de reforma da previdência... Todos eles contando com uma idade mínima para aposentadoria acima dos limites da legislação atual.
Portanto, quem vive sonhando em realizar projetos apenas quando se aposentar está deixando de viver. Na verdade, está abrindo mão do aqui e agora. Poderíamos ainda dizer, que essas pessoas estão perdendo a chance de experimentarem o projeto de Deus. E eu me incluo neste grupo. Afinal, também trabalho demais, corro muito e tenho deixado a vida passar.
No entanto, temos que reconhecer que o tempo é este. Tudo mais, como diz o sábio Salomão, é vaidade. É correr atrás do vento.
sexta-feira, agosto 28, 2009
Republicando... Manual de Convivência
Este tema foi reprisado ontem na Novo Tempo. Alguns ouvintes e leitores pediram que voltasse a disponibilizar o texto. Cá está...
Numa de minhas últimas aulas falei sobre os personagens que assumimos para a convivência em sociedade. Cada um de nós precisa de uma certa maquiagem para se relacionar. Não se trata necessariamente de uma máscara, de viver uma mentira. Apenas ter atitudes convenientes para preservar o outro e a nós mesmos.
É verdade que algumas pessoas assumem máscaras. Mostram uma cara, mas são totalmente diferentes daquilo que procuram revelar. Isto é nocivo. Patológico. Precisa de tratamento.
Entretanto, para o bom relacionamento em sociedade temos que assumir personagens. Faz parte do manual básico de convivência. Por exemplo, se alguém te convida para jantar e a refeição não está das mais saborosas, por delicadeza você não vai dizer que a comida estava ruim.
Quando sua esposa/namorada corta os cabelos e chega toda feliz da vida em casa, tudo que você não deve fazer é dizer que ficou feio. Além de acabar com a alegria dela, você vai chateá-la. Algo totalmente desnecessário. Afinal, o cabelo já está cortado e não há muito o que fazer a não ser aceitar o novo visual.
Essas são práticas simples, básicas, que não tornam você um mentiroso. Pelo contrário. Vão inclusive ao encontro da recomendação bíblica de que devemos ser cautelosos no falar. Delicados ao falar. E mais que isso, não devemos falar demais.
No entanto, muita gente sofre de incontinência verbal. São pessoas que justificam: “isso é da minha personalidade. Eu sou assim mesmo. Eu falo o que penso”. Claro, todo mundo tem direito de falar o que quer, mas essa não deveria ser a nossa atitude. Essa pseudo-sinceridade magoa, entristece e não traz felicidade. Portanto, se você mantém o hábito de falar tudo que vem à mente, sugiro que repense seus valores. Sugiro que reflita mais de dez vezes antes de abrir a boca - ou escrever. O outro não tem a obrigação de ouvir seus acessos de sinceridade…
Numa de minhas últimas aulas falei sobre os personagens que assumimos para a convivência em sociedade. Cada um de nós precisa de uma certa maquiagem para se relacionar. Não se trata necessariamente de uma máscara, de viver uma mentira. Apenas ter atitudes convenientes para preservar o outro e a nós mesmos.
É verdade que algumas pessoas assumem máscaras. Mostram uma cara, mas são totalmente diferentes daquilo que procuram revelar. Isto é nocivo. Patológico. Precisa de tratamento.
Entretanto, para o bom relacionamento em sociedade temos que assumir personagens. Faz parte do manual básico de convivência. Por exemplo, se alguém te convida para jantar e a refeição não está das mais saborosas, por delicadeza você não vai dizer que a comida estava ruim.
Quando sua esposa/namorada corta os cabelos e chega toda feliz da vida em casa, tudo que você não deve fazer é dizer que ficou feio. Além de acabar com a alegria dela, você vai chateá-la. Algo totalmente desnecessário. Afinal, o cabelo já está cortado e não há muito o que fazer a não ser aceitar o novo visual.
Essas são práticas simples, básicas, que não tornam você um mentiroso. Pelo contrário. Vão inclusive ao encontro da recomendação bíblica de que devemos ser cautelosos no falar. Delicados ao falar. E mais que isso, não devemos falar demais.
No entanto, muita gente sofre de incontinência verbal. São pessoas que justificam: “isso é da minha personalidade. Eu sou assim mesmo. Eu falo o que penso”. Claro, todo mundo tem direito de falar o que quer, mas essa não deveria ser a nossa atitude. Essa pseudo-sinceridade magoa, entristece e não traz felicidade. Portanto, se você mantém o hábito de falar tudo que vem à mente, sugiro que repense seus valores. Sugiro que reflita mais de dez vezes antes de abrir a boca - ou escrever. O outro não tem a obrigação de ouvir seus acessos de sinceridade…
quinta-feira, agosto 27, 2009
Ministros a serviço do próprio bolso
Sou cristão, mas às vezes sinto vergonha de dizer que pertenço a uma igreja.
O comportamento de certas denominações causa constrangimento.
Vi há pouco no blog da Nani a cópia de um folheto.
Numa parte dele, a imagem que você vê abaixo.
Infelizmente, ter uma igreja virou mesmo um bom negócio.
Com a promessa de bênçãos, prosperidade, tem muitos líderes enganando os fiés.
Serão cobrados naquele dia...
O comportamento de certas denominações causa constrangimento.
Vi há pouco no blog da Nani a cópia de um folheto.
Numa parte dele, a imagem que você vê abaixo.
Infelizmente, ter uma igreja virou mesmo um bom negócio.
Com a promessa de bênçãos, prosperidade, tem muitos líderes enganando os fiés.
Serão cobrados naquele dia...
Nada inédito
Gente, não deu para gravar um programa novo para a Novo Tempo.
Hoje era dia de novidade na Rede.
Não deu...
Ontem, ficamos sem internet, telefone, rede...
Nossa dependência das tecnologias, deixa-nos na mão em alguns momentos.
Foi o que aconteceu.
O papo é uma reprise.
Uma boa reprise, já que apresento nosso "Manual de Relacionamentos".
Hoje era dia de novidade na Rede.
Não deu...
Ontem, ficamos sem internet, telefone, rede...
Nossa dependência das tecnologias, deixa-nos na mão em alguns momentos.
Foi o que aconteceu.
O papo é uma reprise.
Uma boa reprise, já que apresento nosso "Manual de Relacionamentos".
terça-feira, agosto 25, 2009
Assédio sexual no consultório médico
Quem está seguro? Após as denúncias e prisão preventiva do médico Roger Abdelmassih, quem pode sustentar que não sente nenhum friozinho na barriga quando o tema é assédio sexual no consultório médico?
Por natureza, sou desconfiado. Desconfio de tudo e de todos. Obviamente, isto não me faz bem. Muitas vezes fico afastado das pessoas e gente com a qual poderia ter uma boa amizade também prefere manter comigo um relacionamento mais formal, pouco caloroso.
Essa minha desconfiança sempre me fez olhar para os consultórios médicos como um ambiente especializado para tratamentos de saúde, mas passível de revelar a face cruel do homem. Entendo que o médico deve ser um cidadão moral, ético – como qualquer outro. Contudo, exatamente por ser humano é frágil, fraco, capaz de agir impulsivamente, logo, criminosamente.
Caro leitor, não me entenda mal. Este texto não é uma declaração contra esses profissionais. Conheço dezenas deles, respeito-os, sei da seriedade e competência revelada no exercício de suas atividades. Não tenho nenhum elemento que possa colocar em xeque a idoneidade de médicos da nossa região. Mas ainda assim me pergunto: quem está seguro?
doutor_rogerRoger Abdelmassih era o médico das estrelas. Um homem conceituado. Amigo de Roberto Carlos, Hebe Camargo, Pelé; responsável pelo atendimento de gente do nível do ex-presidente Fernando Collor de Mello e a mulher, Caroline; Carlos Alberto de Nóbrega e Andréa; Moacir Franco e Daniela; o apresentador Gugu Libertado e a mãe de seus filhos, Rose. A lista é extensa. São mais de 7 mil bebês que vieram ao mundo por meio dos trabalhos realizados na clínica do especialista.
Entretanto, o fato de atuar há quase 40 anos, de ser um médico conceituado, a maior autoridade em reprodução assistida do país, dono de uma clínica poderosa, milionária, hoje, não representa absolutamente nada. Para as supostas vítimas do doutor Roger, tanta fama e poder só contribuíram para a disseminação do medo e do silêncio por tantos anos. Na prática, o status de Abdelmassih lhe deu uma autoridade que o mantinha imune a toda e qualquer acusação.
Ninguém ainda pode dizer que Roger Abdelmassih cometeu os crimes listados – estupro, assédio sexual e até mesmo pesquisas questionáveis, ilegais. Mas sua história contribui para causar medo. Afinal, o médico parece ser aquele ser deixado por Deus para auxiliar homens e mulheres a ter uma vida melhor – sofrer menos, aliviar a dor, realizar o sonho de ter um filho.
Quantos pacientes diariamente entram num consultório médico vendo ali um semi-deus? Alguém capaz de quase tudo? Por isso, sentem-se menores e colocam-se à disposição para realizar todo e qualquer tipo de procedimento. Então, como aceitar que nesse mesmo espaço convivam um anjo e um monstro?
Não há o que dizer a respeito da conduta médica. É desnecessário mencionar o código de ética. Tal código é só um documento. Ter formação numa determinada área não significa a vivência de artigos, incisos, parágrafos listados num papel qualquer. Este profissional, semelhante a outro, carece ser apenas um ser moral. No consultório, no balcão da loja, no guichê do banco, na publicação de uma notícia etc, espera-se apenas que não façamos ao outro aquilo que não gostaríamos que alguém fizesse a nós.
Por natureza, sou desconfiado. Desconfio de tudo e de todos. Obviamente, isto não me faz bem. Muitas vezes fico afastado das pessoas e gente com a qual poderia ter uma boa amizade também prefere manter comigo um relacionamento mais formal, pouco caloroso.
Essa minha desconfiança sempre me fez olhar para os consultórios médicos como um ambiente especializado para tratamentos de saúde, mas passível de revelar a face cruel do homem. Entendo que o médico deve ser um cidadão moral, ético – como qualquer outro. Contudo, exatamente por ser humano é frágil, fraco, capaz de agir impulsivamente, logo, criminosamente.
Caro leitor, não me entenda mal. Este texto não é uma declaração contra esses profissionais. Conheço dezenas deles, respeito-os, sei da seriedade e competência revelada no exercício de suas atividades. Não tenho nenhum elemento que possa colocar em xeque a idoneidade de médicos da nossa região. Mas ainda assim me pergunto: quem está seguro?
doutor_rogerRoger Abdelmassih era o médico das estrelas. Um homem conceituado. Amigo de Roberto Carlos, Hebe Camargo, Pelé; responsável pelo atendimento de gente do nível do ex-presidente Fernando Collor de Mello e a mulher, Caroline; Carlos Alberto de Nóbrega e Andréa; Moacir Franco e Daniela; o apresentador Gugu Libertado e a mãe de seus filhos, Rose. A lista é extensa. São mais de 7 mil bebês que vieram ao mundo por meio dos trabalhos realizados na clínica do especialista.
Entretanto, o fato de atuar há quase 40 anos, de ser um médico conceituado, a maior autoridade em reprodução assistida do país, dono de uma clínica poderosa, milionária, hoje, não representa absolutamente nada. Para as supostas vítimas do doutor Roger, tanta fama e poder só contribuíram para a disseminação do medo e do silêncio por tantos anos. Na prática, o status de Abdelmassih lhe deu uma autoridade que o mantinha imune a toda e qualquer acusação.
Ninguém ainda pode dizer que Roger Abdelmassih cometeu os crimes listados – estupro, assédio sexual e até mesmo pesquisas questionáveis, ilegais. Mas sua história contribui para causar medo. Afinal, o médico parece ser aquele ser deixado por Deus para auxiliar homens e mulheres a ter uma vida melhor – sofrer menos, aliviar a dor, realizar o sonho de ter um filho.
Quantos pacientes diariamente entram num consultório médico vendo ali um semi-deus? Alguém capaz de quase tudo? Por isso, sentem-se menores e colocam-se à disposição para realizar todo e qualquer tipo de procedimento. Então, como aceitar que nesse mesmo espaço convivam um anjo e um monstro?
Não há o que dizer a respeito da conduta médica. É desnecessário mencionar o código de ética. Tal código é só um documento. Ter formação numa determinada área não significa a vivência de artigos, incisos, parágrafos listados num papel qualquer. Este profissional, semelhante a outro, carece ser apenas um ser moral. No consultório, no balcão da loja, no guichê do banco, na publicação de uma notícia etc, espera-se apenas que não façamos ao outro aquilo que não gostaríamos que alguém fizesse a nós.
domingo, agosto 23, 2009
Mexi de novo no visual do blog
Desculpa aí...
Mexi de novo no visual do blog.
Estou vivendo minha eterna insatisfação com este espaço.
Quero que ele seja mais que um blog para divulgar os textos de rádio do Fato Pensado.
A ideia é dialogar com o leitor...
Apresentar-me como num diário aberto, sem censura.
Exagero?
Talvez.
Mas a proposta é construir algo que permita mais que manter um simples blog para se ler um texto ou outro que tenha causado interesse em quem me acompanha pela Novo Tempo.
Mexi de novo no visual do blog.
Estou vivendo minha eterna insatisfação com este espaço.
Quero que ele seja mais que um blog para divulgar os textos de rádio do Fato Pensado.
A ideia é dialogar com o leitor...
Apresentar-me como num diário aberto, sem censura.
Exagero?
Talvez.
Mas a proposta é construir algo que permita mais que manter um simples blog para se ler um texto ou outro que tenha causado interesse em quem me acompanha pela Novo Tempo.
sexta-feira, agosto 21, 2009
Uma música, uma mensagem
Gosto de Kirk Franklin. É verdade... Ele é polêmico, estiloso, desagrada os mais tradicionais, mas a música de Kirk alcança muita gente que nunca ouviria de Jesus por métodos, digamos, convencionais. Aqui disponibilizo uma bela canção, inspiradora.
quinta-feira, agosto 20, 2009
Pais frouxos, filhos dominadores
Vivemos tempos de indisciplina. Total, irrestrita, ampla e, talvez, permanente. Não sei se poderia dizer que se trata do verdadeiro “mal do século”, mas a ausência de regras – ou a incapacidade de estabelecê-las – nos faz observar o crescimento de uma geração autoritária, dominadora.
Talvez o parágrafo acima revele uma visão catastrófica. Mas é assim que avalio o cenário construído pelos pais “modernos”. A mesma frouxidão moral que notamos na política, existe na esfera educacional doméstica. Pais frouxos, incapazes de fazer valer critérios básicos de comportamento.
Estou longe de ser um pai-modelo. E, distante de ter uma família-modelo. Entretanto, ainda entendo que adultos somos nós, pais. Crianças são crianças; seres em formação. A autoridade é nossa. Somos nós que temos mais vivência, experiência, discernimento. Não são as crianças. Elas são lindas, encantadoras, a “coisa mais lindinha do papai”, mas não mandam. Ou pelo menos não deveriam.
Na verdade, este é o problema. Elas não deveriam mandar. Contudo, tenho visto filhos com dois anos fazerem os pais de “gato e sapato”. É ridículo, mas fico notando mães correndo atrás de suas crianças, perdidas, desesperadas, descontroladas, incapazes de conter um ser tão pequeno. Afinal, quem é a mãe?
Como alguém de dois, três anos pode dominar completamente um adulto com mais de 20 ou 30 anos? Chega a ser engraçado vê-las gritando com suas crianças. Deixam os pequenos neuróticos, ainda mais agitados e irritadiços, mas não conseguem dar conta de dominar os filhos.
Pelo lado deles, os homens fazem “cara de paisagem”, alguns até tentam falar grosso, mas caem diante dos reizinhos após poucas frases teimosas ou de insistências. Também não são capazes de resistir ao charminho das crianças e acabam achando tudo bonitinho. Mal sabem eles que podem estar contribuindo para as crianças de hoje se tornarem monstros amanhã.
Muitos pais de hoje são frouxos, não porque deixarem de bater nos filhos. De maneira alguma. Dia desses ouvi uma mãe confessar a uma amiga: “não sei mais o que fazer. Já briguei, já bati, deixei de castigo, só falta espancar”. Detalhe, a fera a ser domada tem apenas dois anos. Esses pais são frouxos, pois são inseguros, incoerentes. Não possuem um projeto de educação para os filhos. Não tem nada a ver com correção física.
Na verdade, o que reina na proposta disciplinar das crianças é o amadorismo. É verdade que nenhuma delas vem com manual de instrução. Mas, se para tudo nos preparamos, por que a educação dos pequenos é feita na base do “achismo”? Vai dar errado mesmo. Os pais devem saber o que querem para os filhos. Precisam dialogar, estudar, conversar com gente que reúne condições de aconselhar e aplicar a disciplina em comum acordo. Quando a mãe diz algo, o pai sustenta. Mesmo se alguém estiver errado.
Os filhos reconhecem as contradições e conflitos disciplinares. Eles nascem “programados” para testar nossos limites. E, diferente de nós, são persistentes. Ganham fácil a disputa, se, do outro lado, não houver educadores prontos para o desafio. O processo disciplinar se dá numa arena entre gladiadores. No entanto, o cenário não é de briga. Não é uma luta para saber quem é o mais forte. É um embate, apenas porque de um lado está um pequeno ser que reclama desesperado por formação.
Talvez o parágrafo acima revele uma visão catastrófica. Mas é assim que avalio o cenário construído pelos pais “modernos”. A mesma frouxidão moral que notamos na política, existe na esfera educacional doméstica. Pais frouxos, incapazes de fazer valer critérios básicos de comportamento.
Estou longe de ser um pai-modelo. E, distante de ter uma família-modelo. Entretanto, ainda entendo que adultos somos nós, pais. Crianças são crianças; seres em formação. A autoridade é nossa. Somos nós que temos mais vivência, experiência, discernimento. Não são as crianças. Elas são lindas, encantadoras, a “coisa mais lindinha do papai”, mas não mandam. Ou pelo menos não deveriam.
Na verdade, este é o problema. Elas não deveriam mandar. Contudo, tenho visto filhos com dois anos fazerem os pais de “gato e sapato”. É ridículo, mas fico notando mães correndo atrás de suas crianças, perdidas, desesperadas, descontroladas, incapazes de conter um ser tão pequeno. Afinal, quem é a mãe?
Como alguém de dois, três anos pode dominar completamente um adulto com mais de 20 ou 30 anos? Chega a ser engraçado vê-las gritando com suas crianças. Deixam os pequenos neuróticos, ainda mais agitados e irritadiços, mas não conseguem dar conta de dominar os filhos.
Pelo lado deles, os homens fazem “cara de paisagem”, alguns até tentam falar grosso, mas caem diante dos reizinhos após poucas frases teimosas ou de insistências. Também não são capazes de resistir ao charminho das crianças e acabam achando tudo bonitinho. Mal sabem eles que podem estar contribuindo para as crianças de hoje se tornarem monstros amanhã.
Muitos pais de hoje são frouxos, não porque deixarem de bater nos filhos. De maneira alguma. Dia desses ouvi uma mãe confessar a uma amiga: “não sei mais o que fazer. Já briguei, já bati, deixei de castigo, só falta espancar”. Detalhe, a fera a ser domada tem apenas dois anos. Esses pais são frouxos, pois são inseguros, incoerentes. Não possuem um projeto de educação para os filhos. Não tem nada a ver com correção física.
Na verdade, o que reina na proposta disciplinar das crianças é o amadorismo. É verdade que nenhuma delas vem com manual de instrução. Mas, se para tudo nos preparamos, por que a educação dos pequenos é feita na base do “achismo”? Vai dar errado mesmo. Os pais devem saber o que querem para os filhos. Precisam dialogar, estudar, conversar com gente que reúne condições de aconselhar e aplicar a disciplina em comum acordo. Quando a mãe diz algo, o pai sustenta. Mesmo se alguém estiver errado.
Os filhos reconhecem as contradições e conflitos disciplinares. Eles nascem “programados” para testar nossos limites. E, diferente de nós, são persistentes. Ganham fácil a disputa, se, do outro lado, não houver educadores prontos para o desafio. O processo disciplinar se dá numa arena entre gladiadores. No entanto, o cenário não é de briga. Não é uma luta para saber quem é o mais forte. É um embate, apenas porque de um lado está um pequeno ser que reclama desesperado por formação.
terça-feira, agosto 18, 2009
Programete apresentado na Rede Novo Tempo
Amigos, abaixo disponibilizo o audio do programete que foi ao ar pela Rede Novo Tempo.
Displicente
Gente, ando displicente com este blog. Não é fácil produzir para tantos espaços. Dar conta de produzir e manter no ar o principal jornal da maior emissora de notícias de Maringá, a CBN, preparar e dar aulas, manter um blog de comentários e notícias, o Twitter, escrever regularmente artigos para jornal e mais o Fato Pensado... Enfim, é tarefa árdua. Sem contar as atividades rotineiras na igreja.
Por isso, peço desculpas aos leitores por não dar atenção necessária a este blog. Às vezes, até mesmo os programas que vão ao ar na Rede Novo Tempo ficam fora deste espaço. Espero que tenham paciência enquanto vamos conciliando as tarefas e continuem nos visitando nesta "casa".
Por isso, peço desculpas aos leitores por não dar atenção necessária a este blog. Às vezes, até mesmo os programas que vão ao ar na Rede Novo Tempo ficam fora deste espaço. Espero que tenham paciência enquanto vamos conciliando as tarefas e continuem nos visitando nesta "casa".
quarta-feira, agosto 12, 2009
Sexo está na lista de termos mais buscados pelas crianças na internet
Já disse aqui noutras ocasiões que pais que desconhecem as novas ferramentas tecnológicas e não controlam o conteúdo acessado pelos filhos vivem à margem da vida da molecada. Pois bem... Agora temos mais um estudo que reforça a tese de que os adultos ignoram o que suas crianças andam fazendo.
Uma pesquisa realizada pela companhia de segurança de computadores Symantec Corp identificou que "sexo" é o quarto termo mais buscado pelas crianças na internet. Junto com "sexo", aparece "pornografia". Assustador? Nem tanto. Eles têm curiosidade. Buscam respostas. Os pais nem sempre estão prontos e dispostos a conversar com os filhos sobre esses temas. Como, hoje, todas as respostas podem ser encontradas no Google, lá estão eles pesquisando o que lhes interessa. Somado a isso, os pais não entendem quase nada de internet e redes sociais. E quando conhecem, acham que só os filhos dos outros procuram páginas de conteúdo adulto.
Uma pesquisa realizada pela companhia de segurança de computadores Symantec Corp identificou que "sexo" é o quarto termo mais buscado pelas crianças na internet. Junto com "sexo", aparece "pornografia". Assustador? Nem tanto. Eles têm curiosidade. Buscam respostas. Os pais nem sempre estão prontos e dispostos a conversar com os filhos sobre esses temas. Como, hoje, todas as respostas podem ser encontradas no Google, lá estão eles pesquisando o que lhes interessa. Somado a isso, os pais não entendem quase nada de internet e redes sociais. E quando conhecem, acham que só os filhos dos outros procuram páginas de conteúdo adulto.
terça-feira, agosto 11, 2009
Mulheres otimistas vivem mais e melhor
Uma pesquisa realizada por cientistas americanos revela que mulheres otimistas vivem mais. O estudo é curioso, importante. Entretanto, não é difícil concluir que pessoas que estão de bem com o mundo têm mais qualidade de vida.
Já temos dito aqui que quem vive amargurado, reclamando de tudo, quase sempre traz para o corpo uma série de problemas. E o contrário também é verdadeiro. Gente feliz consegue ter melhor controle da pressão arterial, geralmente está livre de depressão, ansiedade, estresse. Enfim, sofre menos.
Já temos dito aqui que quem vive amargurado, reclamando de tudo, quase sempre traz para o corpo uma série de problemas. E o contrário também é verdadeiro. Gente feliz consegue ter melhor controle da pressão arterial, geralmente está livre de depressão, ansiedade, estresse. Enfim, sofre menos.
sexta-feira, agosto 07, 2009
Um apelo por tolerância
Vivemos um tempo em que supostamente as pessoas se respeitam mais, aceitam a diversidade, lidam bem os com os gêneros. Pelo menos este parece ser o discurso dominante. Somos todos iguais. A Constituição sustenta tal tese. Mais que a própria carta magna, há leis para garantirem o respeito ao outro. Mas existe de fato a aceitação?
Não creio nisto. Desde a infância, o diferente é agredido. Na escola, a vítima pode ser o negro, o pardo, o mais pobre, o tímido, o gordinho, o gago, o que fala errado, o que se veste “mal”, aquele que tem trejeitos e é tido como homossexual... Na verdade, passam-se as fases da vida e o comportamento preconceituoso, discriminatório só muda de lugar. Existe um abismo entre o discurso oficial de tolerância e nossas atitudes no dia-a-dia.
Egoístas como somos temos pouca disposição para aceitar o outro. Parece estar no nosso DNA o desejo de excluir. Queremos os diferentes bem longe de nós. Contudo, o mal é menor quando apenas nos afastamos. Noutras tantas ocasiões, falamos mal, caçoamos, perseguimos. Talvez por isso esteja tão na moda falar em assédio moral. E ele não acontece apenas na relação chefe-empregado. Colegas de trabalho praticam tal crime. Na infância, o termo para essa agressão é outro. Vem do inglês. Chama-se Bullying.
Uma outra forma clara da não aceitação do outro é observada na internet. Tenho dito que a rede revela o que há de mais cruel no caráter do homem. Tudo aquilo que as pessoas às vezes sentem desejo de dizer, mas não o fazem face a face, deixam extravasar em emails, comentários e textos publicados na web. É assustador.
Vejo, por exemplo, nos blogs – onde o espaço para o comentário é privilegiado -, agressões não adjetiváveis. Dá até a impressão que o autor seria capaz de praticar um ato de violência física, eliminar o outro. Chega a causar medo. Tem textos que me fazem pensar: o que uma pessoa dessas faria se estivesse num regime autoritário com o poder nas mãos?
Quando voltamos na história e apresentamos as atitudes de governantes ditatoriais, muitos ficam indignados, sentem revolta, questionam: como alguém é capaz de tal coisa? Concordo. Não é possível conceber que seres humanos torturavam seus iguais por coisas tão banais e, às vezes, por puro prazer de fazer o outro sofrer.
Entretanto, hoje revelamos a mesma face cruel em atitudes que procuramos esconder atrás de nossa máscara social. Apresentamo-nos como defensores da igualdade, da aceitação, da democracia, mas, no anonimato, ofendemos, agredimos pelo simples fato de o outro ser diferentes de nós – ou por ter opinião contrária. Na verdade, não queremos entender o outro. Desejamos um mundo desenhado à nossa maneira.
Fazemos isso, inclusive, com nossos filhos. Queremos que eles sejam como nós. Às vezes dá tão certo que a molecada reproduz nossa arrogância e despejam toda maldade contra inocentes que sequer têm a chance de se defender.
Sabe, este texto não tem a intenção de concluir nada. Apenas fazer pensar... Pensar no quanto somos mesquinhos e hipócritas. Nosso discurso é de tolerância, mas será que a praticamos? Falamos em espírito democrático, mas temos vivido a democracia?
A vida é mesmo cheia de contradições. Mas há espaço para nos tornamos melhor como seres humanos.
Não creio nisto. Desde a infância, o diferente é agredido. Na escola, a vítima pode ser o negro, o pardo, o mais pobre, o tímido, o gordinho, o gago, o que fala errado, o que se veste “mal”, aquele que tem trejeitos e é tido como homossexual... Na verdade, passam-se as fases da vida e o comportamento preconceituoso, discriminatório só muda de lugar. Existe um abismo entre o discurso oficial de tolerância e nossas atitudes no dia-a-dia.
Egoístas como somos temos pouca disposição para aceitar o outro. Parece estar no nosso DNA o desejo de excluir. Queremos os diferentes bem longe de nós. Contudo, o mal é menor quando apenas nos afastamos. Noutras tantas ocasiões, falamos mal, caçoamos, perseguimos. Talvez por isso esteja tão na moda falar em assédio moral. E ele não acontece apenas na relação chefe-empregado. Colegas de trabalho praticam tal crime. Na infância, o termo para essa agressão é outro. Vem do inglês. Chama-se Bullying.
Uma outra forma clara da não aceitação do outro é observada na internet. Tenho dito que a rede revela o que há de mais cruel no caráter do homem. Tudo aquilo que as pessoas às vezes sentem desejo de dizer, mas não o fazem face a face, deixam extravasar em emails, comentários e textos publicados na web. É assustador.
Vejo, por exemplo, nos blogs – onde o espaço para o comentário é privilegiado -, agressões não adjetiváveis. Dá até a impressão que o autor seria capaz de praticar um ato de violência física, eliminar o outro. Chega a causar medo. Tem textos que me fazem pensar: o que uma pessoa dessas faria se estivesse num regime autoritário com o poder nas mãos?
Quando voltamos na história e apresentamos as atitudes de governantes ditatoriais, muitos ficam indignados, sentem revolta, questionam: como alguém é capaz de tal coisa? Concordo. Não é possível conceber que seres humanos torturavam seus iguais por coisas tão banais e, às vezes, por puro prazer de fazer o outro sofrer.
Entretanto, hoje revelamos a mesma face cruel em atitudes que procuramos esconder atrás de nossa máscara social. Apresentamo-nos como defensores da igualdade, da aceitação, da democracia, mas, no anonimato, ofendemos, agredimos pelo simples fato de o outro ser diferentes de nós – ou por ter opinião contrária. Na verdade, não queremos entender o outro. Desejamos um mundo desenhado à nossa maneira.
Fazemos isso, inclusive, com nossos filhos. Queremos que eles sejam como nós. Às vezes dá tão certo que a molecada reproduz nossa arrogância e despejam toda maldade contra inocentes que sequer têm a chance de se defender.
Sabe, este texto não tem a intenção de concluir nada. Apenas fazer pensar... Pensar no quanto somos mesquinhos e hipócritas. Nosso discurso é de tolerância, mas será que a praticamos? Falamos em espírito democrático, mas temos vivido a democracia?
A vida é mesmo cheia de contradições. Mas há espaço para nos tornamos melhor como seres humanos.
quinta-feira, agosto 06, 2009
Eles estão lá, mas nasceram no meio de nós
Quando saia para almoçar, uma mulher me abordou. Ela queria dizer que leu um texto meu no jornal. Tratava-se de um desses artigos que escrevo com regularidade. Geralmente publico no blog, no Hoje Notícias e falo no programa que mantenho em rede nacional na Novo Tempo.
Felizmente, essa senhora não foi a única pessoa que já me procurou para falar sobre essas reflexões. Do contrário, estaria um tanto frustrado. Afinal, são nesses textos que revelo um pouco do que sou, do que penso e do que entendo ser essencial para termos uma vida melhor.
É prazeroso saber que alguém gasta alguns minutos refletindo sobre a existência, sua relação com o mundo, com a sociedade, o cuidado com os filhos etc etc. Isto, a partir de um texto que você escreveu. Mas isso não é o mais importante. Entendo esse tipo de atividade como uma contribuição efetiva para a construção de um ser humano com ideais mais nobres. É uma maneira de falar ao coração.
O exercício do jornalismo é apaixonante. Entretanto, penso que não é apenas a abordagem de questões políticas e econômicas que torna a profissão relevante. Pelo contrário. A história revela que o tal do quarto poder influencia a vida humana, mas faz pouco pelos homens.
Veja o caso da política. Muitos de nós perdemos a fé nos políticos. E com razão. No Brasil, por exemplo, a pressão exercida pela mídia tem efeito próximo de zero sobre muitos deles. O senador e ex-presidente José Sarney é um deles. Poucas vezes na história do país alguém foi alvo de uma campanha tão forte da mídia. Mesmo assim, segue no poder. Seus aliados garantem sustentação.
Mais curioso é ouvir de Sarney que não há motivos para se preocupar. As classes C, D e E não sabem o que é a crise. A afirmação parece uma forma de mostrar forças, nos afrontar e dizer “estou pouco me ‘lixando’ com vocês, jornalistas”.
Situações como essa nos levam a pensar que somos muito mais úteis à sociedade quando nos colocamos a serviço do ser humano. Quando refletimos sobre solidão, relacionamentos, consumismo, novas tecnologias, educação, pais e filhos etc mexemos com a vida das pessoas. Conseguimos resultados.
Quer dizer que devemos abandonar de vez a crítica ao poder político? Não. Mas é preciso reconhecer que muitas vezes a insistência em determinados temas apenas causam desgastes desnecessários, inclusive emocionais. Afinal, como disse o Sarney, as classes C, D e E não conhecem a crise. Ou seja, estamos numa campanha perdida, já que eles continuarão no poder.
Como mudar isto? Investindo no ser humano. Gente que consegue dar conta de seus conflitos, começa se encontrar como ser humano e passa a ver o mundo com outros olhos. Talvez aí esteja pronto para abandonar a crítica vazia e assumir, com sensibilidade social, uma posição equilibrada, ética, moral que o faça não aceitar mais conviver com gente do “tipo político”, mas que só está lá, porque nasceu aqui, no meio de nós.
Felizmente, essa senhora não foi a única pessoa que já me procurou para falar sobre essas reflexões. Do contrário, estaria um tanto frustrado. Afinal, são nesses textos que revelo um pouco do que sou, do que penso e do que entendo ser essencial para termos uma vida melhor.
É prazeroso saber que alguém gasta alguns minutos refletindo sobre a existência, sua relação com o mundo, com a sociedade, o cuidado com os filhos etc etc. Isto, a partir de um texto que você escreveu. Mas isso não é o mais importante. Entendo esse tipo de atividade como uma contribuição efetiva para a construção de um ser humano com ideais mais nobres. É uma maneira de falar ao coração.
O exercício do jornalismo é apaixonante. Entretanto, penso que não é apenas a abordagem de questões políticas e econômicas que torna a profissão relevante. Pelo contrário. A história revela que o tal do quarto poder influencia a vida humana, mas faz pouco pelos homens.
Veja o caso da política. Muitos de nós perdemos a fé nos políticos. E com razão. No Brasil, por exemplo, a pressão exercida pela mídia tem efeito próximo de zero sobre muitos deles. O senador e ex-presidente José Sarney é um deles. Poucas vezes na história do país alguém foi alvo de uma campanha tão forte da mídia. Mesmo assim, segue no poder. Seus aliados garantem sustentação.
Mais curioso é ouvir de Sarney que não há motivos para se preocupar. As classes C, D e E não sabem o que é a crise. A afirmação parece uma forma de mostrar forças, nos afrontar e dizer “estou pouco me ‘lixando’ com vocês, jornalistas”.
Situações como essa nos levam a pensar que somos muito mais úteis à sociedade quando nos colocamos a serviço do ser humano. Quando refletimos sobre solidão, relacionamentos, consumismo, novas tecnologias, educação, pais e filhos etc mexemos com a vida das pessoas. Conseguimos resultados.
Quer dizer que devemos abandonar de vez a crítica ao poder político? Não. Mas é preciso reconhecer que muitas vezes a insistência em determinados temas apenas causam desgastes desnecessários, inclusive emocionais. Afinal, como disse o Sarney, as classes C, D e E não conhecem a crise. Ou seja, estamos numa campanha perdida, já que eles continuarão no poder.
Como mudar isto? Investindo no ser humano. Gente que consegue dar conta de seus conflitos, começa se encontrar como ser humano e passa a ver o mundo com outros olhos. Talvez aí esteja pronto para abandonar a crítica vazia e assumir, com sensibilidade social, uma posição equilibrada, ética, moral que o faça não aceitar mais conviver com gente do “tipo político”, mas que só está lá, porque nasceu aqui, no meio de nós.
Leitura do dia
Amo ao SENHOR, porque ele ouviu a minha voz e a minha súplica. Porque inclinou a mim os seus ouvidos; portanto, o invocarei enquanto viver (Salmos 116:1-2).
Bom dia... Ótima quinta-feira!
Bom dia... Ótima quinta-feira!
quarta-feira, agosto 05, 2009
Uma música pra hoje
Semanas atrás descobri o primeiro CD de Mariana Valadão. Irmã da Ana Paula (Diante do Trono) e do André, a caçula da família fez um disco encantador. Mariana tem uma voz belíssima, suave, um timbre um pouco infantil, mas extremamente agradável. O repertório é dos melhores. Ouça uma das canções.
terça-feira, agosto 04, 2009
A música e alguns de seus efeitos
Gosto de música. Não de qualquer música. Até não tenho problemas quanto aos ritmos. Mas a ausência de uma linguagem musical rica, variada, letra criativa, me incomoda.
Numa das disciplinas que trabalho com meus alunos discuto a música sob a perspectiva estética. A gente fala muito sobre os valores musicais e sua importância como forma de refletir os valores da sociedade de uma época. Na sociedade contemporânea, é impossível não refletir sobre como as regras de mercado afetaram a produção artística.
Mas a questão da música vai além dessa coisa de ser boa ou não. Até por que há visões variadas a respeito do assunto. Tem gostos e gostos. O que me parece importante é perceber nesta arte uma ferramenta não apenas para expressar nossos sentimentos e até para filosofar. A música é um instrumento poderoso para amenizar a dor, o sofrimento das pessoas.
Cada vez mais estudos apontam que tal arte ajuda na recuperação de doentes, desperta nas pessoas o desejo de voltarem a sorrir, reduz os níveis de estresse, tranquiliza, combate a ansiedade. O detalhe é que não é qualquer tipo de música. Muito disso que anda tocando nas rádios e nos equipamentos de sons dos carros que circulam pelas cidades tem efeito inverso - geralmente alienante.
PS- Por sinal, por que quem toca músicas em alto volume sempre tem gosto duvidoso?
Numa das disciplinas que trabalho com meus alunos discuto a música sob a perspectiva estética. A gente fala muito sobre os valores musicais e sua importância como forma de refletir os valores da sociedade de uma época. Na sociedade contemporânea, é impossível não refletir sobre como as regras de mercado afetaram a produção artística.
Mas a questão da música vai além dessa coisa de ser boa ou não. Até por que há visões variadas a respeito do assunto. Tem gostos e gostos. O que me parece importante é perceber nesta arte uma ferramenta não apenas para expressar nossos sentimentos e até para filosofar. A música é um instrumento poderoso para amenizar a dor, o sofrimento das pessoas.
Cada vez mais estudos apontam que tal arte ajuda na recuperação de doentes, desperta nas pessoas o desejo de voltarem a sorrir, reduz os níveis de estresse, tranquiliza, combate a ansiedade. O detalhe é que não é qualquer tipo de música. Muito disso que anda tocando nas rádios e nos equipamentos de sons dos carros que circulam pelas cidades tem efeito inverso - geralmente alienante.
PS- Por sinal, por que quem toca músicas em alto volume sempre tem gosto duvidoso?
sexta-feira, julho 31, 2009
Definida a data para o fim da nova gripe: 10 de agosto
As autoridades paranaenses consultaram os "deuses" e conseguiram descobrir quando o vírus da nova gripe vai deixar de ser transmitido. Pelo menos é isso que entendi com a decisão de fechar as escolas da rede pública de ensino e as universidades estaduais. Embora entenda a necessidade atitudes preventivas, não há justificativa para a suspensão das aulas. Não há nada que possa sustentar a tese de que o risco hoje é maior que o que enfrentaremos em meados de agosto.
Creio que parte da sociedade está agindo de maneira irracional. Certas atitudes apenas reforçam o pânico. Todo um alarde por informações desencontradas, equivocadas. O vírus da Influenza A tem a mesma capacidade de transmissibilidade das demais gripes. E mata menos.
Portanto, ao que parece, pelo por enquanto, tem demonstrado bom-senso as autoridades municipais. Estão fazendo o correto. As aulas serão mantidas nas escolas e creches de Maringá, sem deixar de reforçar atitudes preventivas – incentivar a higiene pessoal (lavar as mãos), locais sempre arejados e limpos etc -, encaminhando para a rede de saúde alunos e familiares que apresentem sintomas da gripe.
PS- Em Maringá, parte da rede particular também optou por seguir o calendário normal de aulas.
Creio que parte da sociedade está agindo de maneira irracional. Certas atitudes apenas reforçam o pânico. Todo um alarde por informações desencontradas, equivocadas. O vírus da Influenza A tem a mesma capacidade de transmissibilidade das demais gripes. E mata menos.
Portanto, ao que parece, pelo por enquanto, tem demonstrado bom-senso as autoridades municipais. Estão fazendo o correto. As aulas serão mantidas nas escolas e creches de Maringá, sem deixar de reforçar atitudes preventivas – incentivar a higiene pessoal (lavar as mãos), locais sempre arejados e limpos etc -, encaminhando para a rede de saúde alunos e familiares que apresentem sintomas da gripe.
PS- Em Maringá, parte da rede particular também optou por seguir o calendário normal de aulas.
quinta-feira, julho 30, 2009
Um imperativo: saia do automático
Há dias mantenho num balcão de minha casa uma revista. Ela está lá, sem abrir. A publicação tem uma linha editorial que não desperta meu interesse. Mas na capa tem a chamada para uma reportagem que leio todos os dias. É como se fosse uma frase a ser lembrada. Um alerta. Diz assim: “Saia do automático para encher a vida de alegria”.
Não li o texto interno da revista. Para mim, essa frase já basta. Ela é mais importante que qualquer dica. Ela é imperativa: “saia do automático”. A chamadinha da capa me diz que, se quero encher meus dias de alegria, preciso romper com o jeito automático de viver.
A frase está lá. Eu a vejo todos os dias. Pelo menos duas ou três vezes. Nesta semana, essa mensagem é significativa demais. Estou carregando um peso enorme por que de forma inesperada surgiu um novo desafio profissional que há muito tempo venho esperando. Entretanto, não vejo como equilibrar o sonho de “sair do automático” e assumir mais um compromisso. Ou dou conta do que estou fazendo ou aceito a proposta e me torno um robô.
Gosto demais de ser desafiado. Queria fazer muito mais do que faço. Queria escrever mais textos a cada dia, ler mais livros, estudar mais, descobrir novas coisas, dominar outros assuntos, dar mais aulas, orientar mais alunos, estar mais presente no dia-a-dia da CBN... Queria mais. No entanto, esbarro no tempo, no relógio, nas limitações físicas, no compromisso com a vida, com a família e na responsabilidade que tenho com as pessoas que esperam meu comprometimento profissional.
Busco acertar. E acertar passa pela tentativa diária de atender o imperativo: “saia do automático”. É uma escolha. Uma opção que tem custos. Mais que financeiros. Entretanto, acredito nas compensações. A recompensa de encher a vida de alegria é a mais esperada. Viver feliz é o que sonhamos. É o que dá sentido a nossa existência.
O trabalho, os compromissos profissionais, a realização de projetos de toda ordem fazem bem ao espírito. É bom se sentir útil. A gente gosta de saber que nossas habilidades são valorizadas. Afinal, também buscamos reconhecimento. Essa busca vem de uma necessidade intrínseca ao ser humano. Queremos ser amados, admirados, desejados.
Mas, ainda que tudo isso faça um bem enorme ao coração, é insuficiente para “encher a vida de alegria”. A longo prazo, os compromissos vão corroendo nossa existência. Aos poucos, o sentimento é de solidão, abandonado. É como se fossemos programados para nos relacionar, para ter momentos de lazer, descanso, diversão – sem esquecer de cuidar da espiritualidade. Por isso, há momentos em que há necessidade de frear, dizer não, cuidar da agenda a fim de garantir tempo para viver outras emoções.
Não li o texto interno da revista. Para mim, essa frase já basta. Ela é mais importante que qualquer dica. Ela é imperativa: “saia do automático”. A chamadinha da capa me diz que, se quero encher meus dias de alegria, preciso romper com o jeito automático de viver.
A frase está lá. Eu a vejo todos os dias. Pelo menos duas ou três vezes. Nesta semana, essa mensagem é significativa demais. Estou carregando um peso enorme por que de forma inesperada surgiu um novo desafio profissional que há muito tempo venho esperando. Entretanto, não vejo como equilibrar o sonho de “sair do automático” e assumir mais um compromisso. Ou dou conta do que estou fazendo ou aceito a proposta e me torno um robô.
Gosto demais de ser desafiado. Queria fazer muito mais do que faço. Queria escrever mais textos a cada dia, ler mais livros, estudar mais, descobrir novas coisas, dominar outros assuntos, dar mais aulas, orientar mais alunos, estar mais presente no dia-a-dia da CBN... Queria mais. No entanto, esbarro no tempo, no relógio, nas limitações físicas, no compromisso com a vida, com a família e na responsabilidade que tenho com as pessoas que esperam meu comprometimento profissional.
Busco acertar. E acertar passa pela tentativa diária de atender o imperativo: “saia do automático”. É uma escolha. Uma opção que tem custos. Mais que financeiros. Entretanto, acredito nas compensações. A recompensa de encher a vida de alegria é a mais esperada. Viver feliz é o que sonhamos. É o que dá sentido a nossa existência.
O trabalho, os compromissos profissionais, a realização de projetos de toda ordem fazem bem ao espírito. É bom se sentir útil. A gente gosta de saber que nossas habilidades são valorizadas. Afinal, também buscamos reconhecimento. Essa busca vem de uma necessidade intrínseca ao ser humano. Queremos ser amados, admirados, desejados.
Mas, ainda que tudo isso faça um bem enorme ao coração, é insuficiente para “encher a vida de alegria”. A longo prazo, os compromissos vão corroendo nossa existência. Aos poucos, o sentimento é de solidão, abandonado. É como se fossemos programados para nos relacionar, para ter momentos de lazer, descanso, diversão – sem esquecer de cuidar da espiritualidade. Por isso, há momentos em que há necessidade de frear, dizer não, cuidar da agenda a fim de garantir tempo para viver outras emoções.
terça-feira, julho 28, 2009
Os desafios impostos pelas novas tecnologias
As novas ferramentas tecnológicas são surpreendentes. Hoje estava refletindo sobre a relação Blog X Twitter e concluía que esta nova mania na rede está aos poucos minando os blogs. A gente começa a escrever nos blogs apenas os textos mais elaborados – aqueles que necessitam de um espaço maior para ser desenvolvidos.
Encontrei um texto inclusive que falava sobre a morte dos blogs e um dos "profetas" dizia ter trocado seu blog pelo Posterous, um serviço ainda pouco conhecido por aqui (todo em inglês). Pois bem, resolvi testá-lo. E gostei do encontrei. Um único texto foi replicado em meu blog pessoal, no Twitter e em minha conta no Facebook.
Bem, mas este não é o assunto deste texto. Quero ir um pouco mais longe... Pretendo refletir sobre as novas tecnologias e as condições que reunimos para dar conta de tantas novidades. Particularmente sou um curioso e conheço como funciona muita coisa hoje disponível na internet. As redes sociais são minhas ferramentas favoritas.
É verdade que nem sempre consigo atualizar tudo e nem produzir conteúdos novos, significativos. Ainda assim, sei trabalhar com a maioria desses serviços.
O principal ponto da discussão é exatamente este: dominar essas ferramentas é necessário, mas até que ponto conseguimos interagir com todas essas novidades? Difícil.
Entendo ser fundamental conhecer a dinâmica da internet e muito do que ela nos oferece, principalmente porque nossas crianças, nossos adolescentes e jovens não encontram dificuldades para trabalhar com tudo aquilo que é desafiador para nós, os mais velhos. Já disse aqui noutra ocasião que pais que ignoram as tecnologias e pouco sabem sobre o universo disponível na internet correm maior risco de perder os filhos.
O que perdem primeiro é o respeito. Rapidamente a molecada vai te achar um dinossauro, um ser de outro mundo - por desconhecer o mundo dele, a linguagem que utilizam. Chega a ser engraçado... Esses garotos falam em Português, mas parecem dialogar em “javanês”. E os pais ficam alheios – literalmente, alienados.
Mas a coisa é muito mais complexa. Pais que desconhecem o mundo das tecnologias, da internet, das redes sociais não sabem por onde andam seus filhos. Afinal, a garotada não precisa sair de casa para estar perdida. Pode estar vivendo um mundo paralelo, nocivo e até criminoso dentro do próprio quarto.
Entretanto, como dar conta da vida cotidiana e ainda aprender a respeito desse novo mundo que se constrói, se destrói e se reconstrói a cada dia? Está aí a receita que eu também gostaria de encontrar. Para tudo que temos é preciso gastar tempo. E quando dedicamos atenção a algo, algum setor de nossa vida pode deixar de ser prioridade.
Então, minha sugestão é tentar ler sobre esses temas. Testar aos poucos cada novidade. Procurar ler publicações especializadas e buscar fazer disso uma rotina. Ninguém aprende tudo de um dia para o outro. Nem vai dar conta de dominar todas as ferramentas. Mas é necessário testar, experimentar, ousar. Errar talvez seja um verbo que você vai conjugar bastante. Ainda assim, vale a pena tentar.
Ah... se você leu este texto, mas entendeu pouca coisa, saiba que você é um belo analfabeto digital. Passou da hora de correr atrás e aprender o mais rápido possível o manual básico nas novidades que certamente seus filhos, sobrinhos, netos já sabem há muito tempo.
Encontrei um texto inclusive que falava sobre a morte dos blogs e um dos "profetas" dizia ter trocado seu blog pelo Posterous, um serviço ainda pouco conhecido por aqui (todo em inglês). Pois bem, resolvi testá-lo. E gostei do encontrei. Um único texto foi replicado em meu blog pessoal, no Twitter e em minha conta no Facebook.
Bem, mas este não é o assunto deste texto. Quero ir um pouco mais longe... Pretendo refletir sobre as novas tecnologias e as condições que reunimos para dar conta de tantas novidades. Particularmente sou um curioso e conheço como funciona muita coisa hoje disponível na internet. As redes sociais são minhas ferramentas favoritas.
É verdade que nem sempre consigo atualizar tudo e nem produzir conteúdos novos, significativos. Ainda assim, sei trabalhar com a maioria desses serviços.
O principal ponto da discussão é exatamente este: dominar essas ferramentas é necessário, mas até que ponto conseguimos interagir com todas essas novidades? Difícil.
Entendo ser fundamental conhecer a dinâmica da internet e muito do que ela nos oferece, principalmente porque nossas crianças, nossos adolescentes e jovens não encontram dificuldades para trabalhar com tudo aquilo que é desafiador para nós, os mais velhos. Já disse aqui noutra ocasião que pais que ignoram as tecnologias e pouco sabem sobre o universo disponível na internet correm maior risco de perder os filhos.
O que perdem primeiro é o respeito. Rapidamente a molecada vai te achar um dinossauro, um ser de outro mundo - por desconhecer o mundo dele, a linguagem que utilizam. Chega a ser engraçado... Esses garotos falam em Português, mas parecem dialogar em “javanês”. E os pais ficam alheios – literalmente, alienados.
Mas a coisa é muito mais complexa. Pais que desconhecem o mundo das tecnologias, da internet, das redes sociais não sabem por onde andam seus filhos. Afinal, a garotada não precisa sair de casa para estar perdida. Pode estar vivendo um mundo paralelo, nocivo e até criminoso dentro do próprio quarto.
Entretanto, como dar conta da vida cotidiana e ainda aprender a respeito desse novo mundo que se constrói, se destrói e se reconstrói a cada dia? Está aí a receita que eu também gostaria de encontrar. Para tudo que temos é preciso gastar tempo. E quando dedicamos atenção a algo, algum setor de nossa vida pode deixar de ser prioridade.
Então, minha sugestão é tentar ler sobre esses temas. Testar aos poucos cada novidade. Procurar ler publicações especializadas e buscar fazer disso uma rotina. Ninguém aprende tudo de um dia para o outro. Nem vai dar conta de dominar todas as ferramentas. Mas é necessário testar, experimentar, ousar. Errar talvez seja um verbo que você vai conjugar bastante. Ainda assim, vale a pena tentar.
Ah... se você leu este texto, mas entendeu pouca coisa, saiba que você é um belo analfabeto digital. Passou da hora de correr atrás e aprender o mais rápido possível o manual básico nas novidades que certamente seus filhos, sobrinhos, netos já sabem há muito tempo.
segunda-feira, julho 27, 2009
Leitura do dia
Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais, e lhes sucede a mesma coisa; como morre um, assim morre o outro; e todos têm o mesmo fôlego, e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade. Todos vão para um lugar; todos foram feitos do pó, e todos voltarão ao pó (Eclesiástes 3:19-20).
Bom dia... Ótima semana!
Bom dia... Ótima semana!
sexta-feira, julho 24, 2009
Espetáculo e fé, nossa experiência com Deus
Hoje é o penúltimo dia da Semana de Oração com o pastor Paulo Melo, na Igreja Adventista Central de Maringá. Ele prefere chamar de projeto, a Oficina do Coração. Concordo com ele. Não temos uma semana tradicional de oração. É algo bem distinto, ousado, surpreendente. A igreja está lotada todas as noites. Não lotada nos termos que a gente geralmente conhece. É algo incomum. Tem telão no salão jovem, gente em pé, outras tantas pessoas sentadas no chão para acompanhar a programação. Um belo espetáculo de fé.
Com exceção de terça-feira, tenho acompanhado os cultos e participado diretamente, já que ministro o louvor. Às 19h30, a igreja está repleta. É quando começamos a cantar. E o público responde. Algo fantástico. Afinal, é sofrido conduzir o louvor em dias normais. Parte do público geralmente é apático e quase não se envolve com a adoração. Às vezes, tenho a impressão de ter um enorme peso das costas. Saio do púlpito com dores. Mas nesta semana tem sido diferente. Ninguém reclama da música empolgante e ritmada e muito menos de o culto ter mais de duas horas de duração. Ontem, por exemplo, terminou 22h20.
Confesso que gostaria de ver na minha igreja comportamento semelhante se reproduzindo após o fim desse projeto. Fico imaginando como será o culto do próximo domingo, quando estivermos no ritmo normal. Será que as pessoas cantarão com a mesma vibração? Dirão amém a cada afirmação do pregador?
Também no domingo estarão de volta ao culto nossos irmãos mais tradicionais. Eles estão ausentes nesta semana. Não aparecem. Devem estar incomodados com tudo que está acontecendo. Devem preferir ficar em casa, longe do barulho das músicas, dos sermões ousados, dos jovens mormóns apresentados como exemplos de envolvimento no evangelismo, dos vídeos com famosos.
Alguns acham que há muito espetáculo e pouca mensagem. É verdade. O pastor Paulo tem promovido um grande espetáculo. Mas noto que em meio a tudo que ocorre, ele apresenta a Bíblia e mensagens duras que geralmente têm sido evitadas em nossos púlpitos. Por isso, vemos tantas decisões. Na última quarta-feira, por exemplo, foram cerca de 50 pessoas que aceitaram o convite - não apenas de entregarem a vida a Jesus, mas mostraram-se dispostas a passar pelo batismo.
É uma verdadeira revolução. Volto a dizer, espero que venha para ficar. E nossos irmãos defensores da fé apática possam também experimentar algo novo na relação com Deus.
Foto: Dina Karla (ANP)
quinta-feira, julho 23, 2009
Em defesa das bicicletas
Numa semana de descobertas, estou conhecendo o movimento identificado como Bicicletada. Por aqui, a coisa ganhou uma certa organização. Embora não tenha “dono”, diretor de evento ou qualquer função parecida, gente que gosta de pedalar se une para mostrar que é legal deixar o carro em casa e andar de bicicleta. Cerca de 300 cidades já recebem o movimento.
A “brincadeira” começou há 17 anos em São Francisco, nos Estados Unidos. Por lá o nome é Critical Mass – ou, Massa Crítica. Toda última sexta-feira do mês, por volta das seis horas da tarde, ciclistas se encontram numa pracinha da cidade. Ciclistas da cidade inteira. Gente que não se conhece, mas que curte a ideia de pedalar. Quando o grupo se torna grande, consistente, sai pelas ruas de São Francisco sem destino certo, invadindo espaços, ocupando o lugar dos carros e motos e promovendo um ato público de resistência aos veículos.
Nem todo mundo gosta da Massa Crítica. Por serem centenas de ciclistas juntos e interromperem o trânsito, invadirem ruas e avenidas importantes de São Francisco num horário complicado – seis da tarde -, existem pessoas que acusam os ciclistas de prejudicaram o trânsito. Mas as reclamações não são maiores que as conquistas do movimento. Sem bandeiras ou protestos formais, o Critical Mass, com irreverência e diversão, tem estimulado parte da população daquela cidade americana a usar a bicicleta como meio de transporte.
As magrelas talvez sejam a melhor alternativa para os atuais problemas de trânsito. Embora muitos gestores públicos defendam o transporte coletivo, o ônibus está longe de reunir as vantagens do uso das bicicletas. Para começar, elas garantem liberdade. Semelhante aos veículos motorizados, o proprietário pode chegar e sair no momento desejado e percorrer o destino que bem entender.
No entanto, no Brasil estamos longe de reconhecer esse tipo de transporte. Primeiro, por causa do nosso olhar preconceituoso. O carro está associado a status. Logo, andar de bicicleta é coisa de pobre. Imagina só um vendedor chegar numa empresa de bicicleta?! É bem provável que o cliente o considere um vendedor “pé-de-chinelo” – ou mesmo não o receba. Então, uma das coisas a fazer é mudar a visão cultural de nossa gente.
Mas há outros desafios. Faltam pistas exclusivas, lugares para guardá-las (os chamados bicicletários). Poucas empresas oferecem locais para banho e troca de roupas. Teatros, parques e até academias também não têm espaços apropriados para os ciclistas. Nossas ruas são esburacadas, não há sinalização específica e os motoristas desrespeitam quem pedala.
Em São Francisco, a Massa Crítica tem provocado mudanças. Na Europa, há avanços significativos. Quem sabe por aqui a Bicicletada possa ajudar a mudar essa realidade. E mais bicicletas estejam nas ruas.
A “brincadeira” começou há 17 anos em São Francisco, nos Estados Unidos. Por lá o nome é Critical Mass – ou, Massa Crítica. Toda última sexta-feira do mês, por volta das seis horas da tarde, ciclistas se encontram numa pracinha da cidade. Ciclistas da cidade inteira. Gente que não se conhece, mas que curte a ideia de pedalar. Quando o grupo se torna grande, consistente, sai pelas ruas de São Francisco sem destino certo, invadindo espaços, ocupando o lugar dos carros e motos e promovendo um ato público de resistência aos veículos.
Nem todo mundo gosta da Massa Crítica. Por serem centenas de ciclistas juntos e interromperem o trânsito, invadirem ruas e avenidas importantes de São Francisco num horário complicado – seis da tarde -, existem pessoas que acusam os ciclistas de prejudicaram o trânsito. Mas as reclamações não são maiores que as conquistas do movimento. Sem bandeiras ou protestos formais, o Critical Mass, com irreverência e diversão, tem estimulado parte da população daquela cidade americana a usar a bicicleta como meio de transporte.
As magrelas talvez sejam a melhor alternativa para os atuais problemas de trânsito. Embora muitos gestores públicos defendam o transporte coletivo, o ônibus está longe de reunir as vantagens do uso das bicicletas. Para começar, elas garantem liberdade. Semelhante aos veículos motorizados, o proprietário pode chegar e sair no momento desejado e percorrer o destino que bem entender.
No entanto, no Brasil estamos longe de reconhecer esse tipo de transporte. Primeiro, por causa do nosso olhar preconceituoso. O carro está associado a status. Logo, andar de bicicleta é coisa de pobre. Imagina só um vendedor chegar numa empresa de bicicleta?! É bem provável que o cliente o considere um vendedor “pé-de-chinelo” – ou mesmo não o receba. Então, uma das coisas a fazer é mudar a visão cultural de nossa gente.
Mas há outros desafios. Faltam pistas exclusivas, lugares para guardá-las (os chamados bicicletários). Poucas empresas oferecem locais para banho e troca de roupas. Teatros, parques e até academias também não têm espaços apropriados para os ciclistas. Nossas ruas são esburacadas, não há sinalização específica e os motoristas desrespeitam quem pedala.
Em São Francisco, a Massa Crítica tem provocado mudanças. Na Europa, há avanços significativos. Quem sabe por aqui a Bicicletada possa ajudar a mudar essa realidade. E mais bicicletas estejam nas ruas.
terça-feira, julho 21, 2009
Superando muralhas construídas ao redor do coração
Descobri que 20 de julho era Dia do Amigo no início da manhã desta segunda-feira. Quando chegava ao prédio onde trabalho, as zeladoras falavam sobre amizade e me dirigiram um breve comentário a respeito do tema. Sabia que existia tal comemoração, mas nunca marquei a data. Ter amigos é algo que prezo e busco, contudo vivo intensamente as contradições do mundo contemporâneo – onde é mais fácil relacionar-se com muitos que viver intensamente um contato afetivo profundo e verdadeiro.
Já escrevi aqui noutros ocasiões a respeito desse nosso jeito maluco de passar pela vida. Estamos próximos, porém, sozinhos. Temos perdido nossas horas, nossos dias diante da tela de um computador. Mesmo o uso habitual do telefone pouco ajuda na construção de sinceras amizades. Isto tudo corrói nosso coração e nos transforma em homens e mulheres de gelo. Na verdade, nossa natureza egoísta acaba se revelando de maneira cruel e a maior vítima é o próprio indivíduo que se esconde atrás das máscaras que utiliza para sobreviver.
Ser humano significa ser sensível. Permitir as emoções, revelar-se, mostrar o que vai dentro do peito são atividades inerentes ao homem. No entanto, a rotina do dia-a-dia, o pouco tempo, a competição, a necessidade de se proteger ou preservar-se nos transformam em quase-máquinas. Sinto-me assim em alguns momentos. Sinto-me numa roda viva em que tudo acontece no automático. É como se estivesse fazendo as mesmas coisas todos os dias e fosse incapaz de sentir emoções.
Às vezes temo repetir o enredo do filme Click, onde o personagem só percebe que perdeu tudo o que mais amava e passou pela vida sem experimentar relações reais quando estava velho e perto da morte. Felizmente, ele teve uma nova chance para recomeçar. Nós não temos. A vida longe das telas do cinema é única e só temos o aqui e agora.
Este Dia do Amigo me fez pensar um pouco mais nisto. Sei que esta reflexão talvez não seja extensiva a todo mundo. Tem gente que sabe driblar seus medos, a timidez e outros tantos sentimentos que criam barreiras para a construção de relacionamentos reais. Essas pessoas, muitas vezes, são capazes até mesmo de estender a mão e colaborar para que outros descubram o poder de uma boa amizade. Ainda assim, compartilho aqui algumas de minhas divagações… Quem sabe para ajudar a mim mesmo. Ou alguém que mesmo distante também carece superar as muralhas que construiu ao redor do coração.
segunda-feira, julho 20, 2009
Leitura do dia
Tudo sucede igualmente a todos: o mesmo sucede ao justo e ao perverso; ao bom, ao puro e ao impuro; tanto ao que sacrifica como ao que não sacrifica; ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento. Este é o mal que há em tudo quanto se faz debaixo do sol: a todos sucede o mesmo (Eclesiástes 9:2-3). Bom dia... Ótima semana!
domingo, julho 19, 2009
Tu és santo
Em nossa igreja estamos em plena semana de oração. O pastor Paulo Melo é o responsável por conduzir a igreja ao longo desses dias. É a Oficina do Coração, um projeto idealizado por ele que tem abençoado muita gente.
Uma das músicas escolhidas pelo pastor é Tu és santo, uma versão de You are holy, de Michael W. Smith. Aqui disponibilizo a canção original pra ouvir e recordar.
Uma das músicas escolhidas pelo pastor é Tu és santo, uma versão de You are holy, de Michael W. Smith. Aqui disponibilizo a canção original pra ouvir e recordar.
quinta-feira, julho 09, 2009
O som que invade nossos ouvidos
Quando ando pelas ruas não presto muita atenção nas pessoas. Caminho sempre envolto em meus pensamentos e quase não noto o que se passa a minha volta. Mas de uns dias pra cá, tenho observado que para os poucos rostos que olho, há um fone de ouvido conectado ao ouvido. Claro, usar aparelhos de MP3, 4, 5... ipod... não é novidade. Por sinal, nas lojas de eletrônicos encontramos modelos cada vez mais baratos e modernos. Também já vi vários textos questionando o uso abusivo desses aparelhinhos. Eles vão deixar esse pessoal com problemas auditivos. Todo mundo surdo por causa do excesso de som. Não somos dotados de mecanismos que resistam a tanto barulho.
Contudo, hoje me chamou atenção uma garota que compartilhou comigo o elevador. Ela parecia carregar duas caixas de som nos ouvidos. Talvez a jovem não tenha notado. Eu ouvi Michael Jackson como se estivesse num animado salão de festa. Não posso dizer que me senti desrespeitado (até gosto da música que tocava...). Mas confesso que me sentiria muito mais confortável se o ambiente não tivesse sido invadido pelo som alto do aparelho que a moça carregava em seus ouvidos.
Música do dia
Faz tempo que eles não produzem nada relevante, mas os músicos do Novo Som já fizeram muita coisa bonita e que continua nos inspirando. Ouça a música que separei para esta quinta-feira.
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terça-feira, julho 07, 2009
A reverência e o celular na igreja
Texto do programete apresentado na Rede Novo Tempo
Falei no último programa que gostaria de tratar aqui de algo que considero grave: gente na igreja com aparelho de celular ligado e, pior, tocando. Bem amigo, particularmente, não consigo me acostumar... Celular tocando durante o culto me incomoda profundamente.
Tenho observado que em quase todos os programas da igreja tem celular tocando. O que acontece com esse povo? Levar o aparelho para o templo já é um enorme desrespeito. Mantê-lo ligado, uma agressão. Agora mantê-lo ligado sem estar no vibracall é algo que não consigo adjetivar.
Nossa ouvinte Lidiane entrou em contato com a gente através do nosso blog. Ela recordou que há 10 anos, quase ninguém tinha celular. E todo mundo vivia muito bem sem o aparelho.
A Lidiane também contou que, na igreja dela, foi necessário promover uma campanha para que os membros desligassem o celular. Mas ela também diz que a campanha não adiantou muita coisa... Às vezes, na hora da oração, tem celular tocando.
O que a Lidiane me escreveu vejo também em minha igreja. Recordo que no último sábado, enquanto o professor passava a lição bíblica, duas vezes ouvi o toque de celulares. Não foi um único aparelho. Foram dois num espaço de cinco ou seis minutos.
Reverência... Nosso povo tem faltado com a reverência a Deus. Tem gente que parece achar que está num clube. Conversa o tempo todo, desloca-se pelo templo sem a mínima preocupação em estar ou não tirando a atenção dos outros e, com a dependência doentia do celular, mantém o aparelho ligado durante o culto.
Sinceramente não sei o que essas pessoas fazem na igreja. Vão lá fazer o quê? Tenho certeza que não é adorar a Deus. O verdadeiro adorador é reverente. Logo, não levaria o telefone para a igreja. E se fosse imprescindível carregar o equipamento, teriam ao menos um pouco de bom senso: manteriam o celular no silencioso.
Cito apenas dois exemplos... Se você vai a uma entrevista de emprego e seu celular toca, certamente terá dificuldades para conquistar a vaga. É um ato de desrespeito com seu interlocutor. Se você via a uma audiência com um juiz, além de manter o celular desligado, procura vestir-se adequadamente e evita até movimentos bruscos. Por que na igreja é diferente? Por que a pessoas respeitam homens, mas tratam Deus como se fosse um “banana”?
Peço desculpas se a comparação ofendeu você. Mas não consigo acreditar que Deus se sente confortável em notar tamanha irreverência em nossos templos. Não consigo ver Deus tolerando o toque de celulares durante a adoração.
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segunda-feira, julho 06, 2009
Música do dia
Para começar a semana, posto aqui uma das músicas que mais mexem comigo. É inspiradora. Ajuda-nos a crer nas promessas do Senhor.
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sexta-feira, julho 03, 2009
Às sextas, todo mundo trabalha sem roupas
Está todo mundo louco... Para melhorar a integração entre funcionários de uma empresa de marketing, um psicólogo sugeriu que todo mundo trabalhasse sem roupas às sextas-feiras. A ideia foi adotada. Toda sexta é dia de gente pelada na companhia. A justificativa é que, ao tirar as roupas, os funcionários perdem a inibição e se tornam mais honestos - passam a conviver sem "máscaras".
A proposta não sofreu resistências. Está todo mundo feliz da vida sem roupas. E o negócio deu tão certo que se transformará num documentário a ser exibido no próximo dia 9 numa rede de tv a cabo do Reino Unido.
Cá com meus botões, só espero que a moda não pegue.
A proposta não sofreu resistências. Está todo mundo feliz da vida sem roupas. E o negócio deu tão certo que se transformará num documentário a ser exibido no próximo dia 9 numa rede de tv a cabo do Reino Unido.
Cá com meus botões, só espero que a moda não pegue.
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quinta-feira, julho 02, 2009
Celular na igreja: quer ajudar?
Quero falar sobre este assunto no próximo programa. Você tem alguma história para compartilhar? Tem alguma opinião a respeito das pessoas que levam celular à igreja?
Será um prazer saber o que você pensa. Quero reproduzir algumas opiniões no próximo programa.
Será um prazer saber o que você pensa. Quero reproduzir algumas opiniões no próximo programa.
O preço que se tem de pagar
Texto do programete FATO PENSADO apresentado na Rede Novo Tempo
Na minha atividade como professor, ouço todo tipo de coisa. Desde alunos que falam frases de efeito para ganhar nossa confiança até reclamações das mais variadas pela “rotina maçante” da vida acadêmica. Não tenho problemas com isso. Não fico frustrado e nem me sinto culpado pela lista de exigências que apresento aos alunos.
Fui estudante em circunstâncias difíceis. Durante boa parte da minha vida, conciliei trabalho e escola. Foi assim no Ensino Fundamental, depois no então Segundo Grau. Quando cursei a faculdade e fiz especialização, já estava casado, tinha filhos... Ainda assim, posso me orgulhar de ter feito o melhor. Por isso, conheço onde cada um deles pode chegar.
Mas este comentário não é para falar de mim. Cada pessoa tem suas prioridades e sabe de seus limites e possibilidades. Meu objetivo é chamar atenção para o preço que temos a pagar por nossas escolhas.
Quando alguém se dispõe a alcançar um objetivo deve entender que outras coisas deixarão de ser feitas. Ninguém consegue dar conta, de maneira satisfatória, das inúmeras atividades acadêmicas sem abrir mão de alguns prazeres. Será preciso perder horas de sono, ficar finais de semana em casa diante do computador e até mesmo deixar de curtir férias. Não tem jeito. É o custo de uma escolha. Pode até não ser o que se sonhava... Afinal, queremos realizar nossos sonhos sem ter de abandonar certos prazeres. Mas isso não é possível. O bom desempenho acadêmico requer desprendimento, empenho, horas de dedicação.
Na verdade, o preço pago pelo estudante que sonha se diferenciar, conseguir mais que o canudo, é o mesmo que se cobra do profissional que deseja alcançar mais que um salário no fim do mês. O custo é semelhante ao que se tem pagar para ter filhos educados, uma família feliz. Ninguém consegue ter tudo ao mesmo tempo. O tal do equilíbrio não existe. Quem busca ter tudo apenas se confunde e não vive intensamente absolutamente nada. Sempre ficará em dívida com a balança da vida.
Por sinal, essa história de equilíbrio, esse discurso de que devemos equilibrar as coisas é uma grande mentira. Equilíbrio não é dar a mesma atenção a tudo que fazemos. Se alguém dedicar o mesmo tempo que concede a cada coisa que faz em sua rotina, certamente faltará tempo em seu dia ou não fará nada que preste. O equilíbrio é um estado emocional. É reconhecer que se a gente quer o sucesso profissional, a vida pessoal terá de sofrer perdas. Ou o inverso... Reconhecer que se a família é o mais importante, teremos de conviver com menos dinheiro e menos reconhecimento profissional. Equilíbrio é ter a capacidade de reconhecer esses limites e viver em paz.
Isso vale para nossos alunos. Equilíbrio é ficar em paz sabendo que, na vida acadêmica, ou se tem desempenho ou tempo para os prazeres da vida pessoal.
Uma música
Escolhi para esta quinta-feira uma bela canção do grupo Celtic Woman. Espero que você goste.
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quarta-feira, julho 01, 2009
Arcebispo de Pernambuco é destituído
Lembra daquele arcebispo de Pernambuco que excomungou profissionais de saúde e a família daquela menina de nove anos que abortou o filho por ter sido violentada pelo padrasto? Pois bem... O monsenhor José Cardoso Sobrinho foi desligado da igreja. A decisão foi do Papa Bento XVI. Contudo, não foi nenhuma punição ao religioso. Ele apenas se aposentou, digamos assim.
Antes mesmo do ocorrido, o arcebispo já havia renunciado ao cargo (por idade). A renúncia precisava ser aceita pelo papa. Agora foi. Mas a história dele já ficou manchada. Faltou sensibilidade ao bispo no caso. Promover a excomunhão pública pelo aborto da garota, vítima de violência sexual, foi uma segunda punição à menina e aos familiares.
Antes mesmo do ocorrido, o arcebispo já havia renunciado ao cargo (por idade). A renúncia precisava ser aceita pelo papa. Agora foi. Mas a história dele já ficou manchada. Faltou sensibilidade ao bispo no caso. Promover a excomunhão pública pelo aborto da garota, vítima de violência sexual, foi uma segunda punição à menina e aos familiares.
Agradecimento
Ontem fiz um pedido especial aos ouvintes da Rede Novo Tempo. Após o programete, ao divulgar o endereço deste blog, convidei os amigos a participarem por aqui e acompanharem nossas mensagens - inclusive, interagindo. Deu certo. Mais gente veio até o blog. Recebi até email comentando sobre o assunto que apresentamos na Novo Tempo. Então, muito obrigado a todos.
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