Mais que a reflexão dos fatos... Nossa vida, nossa história, nossas relações num mundo que precisa de Deus
segunda-feira, dezembro 14, 2009
Não há solução perfeita
Na segunda, uma música
"Como você vive"
Acorde à luz do sol com suas janelas abertas
Não acumule sua raiva, e não deixe de falar as coisas
Use seu vestido vermelho, use sua melhor louça
faça bagunça e faça muitos desejos
e tenha o que você queira, mas queira o que você tem
e não desperdice sua vida olhando para trás
Aumente a música
aumente até o máximo
corra alguns riscos
solte tudo pra fora
pois você não vai se arrepender
olhando de onde você esteve
porque não é quem você conheceu
e não é o que você fez
é como você vive
Então vá aos jogos de bola e vá ao balé
vá ver seus parentes mais do que no final do ano
beije seus filhos, dance com sua mulher
diga ao seu marido que o ama todas as noites
não fuja da verdade, pois você não pode escapar
apenas a enfrente e você vai ficar bem
Onde quer que você esteja, onde quer que já esteve
agora é a hora de começar
Então dê aos necessitados e ore pelos que sofrem
mesmo quando você não acha que pode
porque tudo o que você faz vai voltar até você
então pense no seu próximo
esteja em paz com Deus, esteja em paz consigo mesmo
porque no final, não há mais ninguémsexta-feira, dezembro 11, 2009
Sentimento bom
Participar da vida ou vê-la passar?
Ontem, ao abrir a caixa de mensagens, encontrei um email que me deixou chocado. O conteúdo não precisa ser compartilhado. Mas os sentimentos gerados merecem ser “confidenciados”.
A pessoa que me escreveu é alguém especial. Vivemos uma amizade maravilhosa, bons momentos, lembranças que guardo no coração. Quando li, muitas dessas recordações vieram à mente. Fiz as contas... Nove anos. Este é o tempo que somos amigos.
Sinceramente, fiquei assustado. Parece que foi ontem... Não podem ser nove anos. Nove anos são mais de três mil e duzentos dias. Quase 80 mil horas. O que vivi nesse espaço de tempo?
Sim, foram muitas coisas. Nesse período, me formei, tive minha segunda filha, mudei de emprego algumas vezes, fiz outros amigos... Mas ainda assim dá a impressão que tudo poderia ser vivido, resumido, em um ou dois anos. Talvez menos.
Isto me trouxe à memória uma crônica que li anos atrás. Nem vou tentar lembrar quando... É provável que não acerte.
O autor contava de um viajante que chegou a uma cidade desconhecida. Logo na entrada, ficava o cemitério. Entrou. Viu um túmulo, outro... E foi ficando intrigado. As pessoas ali morriam muito jovens. Que cidade era esta?
Todos tinham menos de 20 anos. Era impressionante. Na lápide de um túmulo podia identificar que não tinha vivido mais de três anos e sete meses. Noutra, não passava de cinco anos. Seria uma peste? Algum tipo de maldição?
Minutos depois, encontrou um senhor que cuidava do local. Após cumprimentá-lo, não resistiu e perguntou o que havia acontecido com aquelas pessoas. A resposta foi surpreendente. Naquela cidade, não se contavam os anos como noutros lugares. Cada um registrava a idade de acordo com os dias mais significativos, aqueles que proporcionavam emoções reais, verdadeiras. Somente os dias realmente vividos eram contados. Por isso, mesmo quem tinha muitos anos de idade, geralmente não passava dos 15 ou 20.
A crônica é só uma forma fictícia de falar sobre a vida. Porém, é reveladora. Quantos dias terei vivido nesses últimos nove anos? Se tivesse anotado apenas os momentos significativos, qual seria o resultado? Dessas quase 80 mil horas quantas não foram desperdiçadas?
É difícil responder. Mas certamente muito desse tempo se perdeu entre compromissos, preocupações ou pela rotina que nos leva a um automatismo em que atos se repetem, enquanto a vida escapa.
Qual é nossa escolha? Participar da vida ou vê-la passar?
quinta-feira, dezembro 10, 2009
Casa nova
terça-feira, dezembro 08, 2009
Programa apresentado na Rede Novo Tempo
segunda-feira, dezembro 07, 2009
Na segunda, uma música
Aqui, uma canção conhecida - e maravilhosa.
sexta-feira, dezembro 04, 2009
Por que insistimos naquilo que não nos faz bem?
A arte que emociona, provoca e nos faz refletir permite-me questionar até que ponto certas coisas valem a pena. Por que insistimos naquilo que não nos faz bem? O que motiva a persistir em projetos e até mesmo relacionamentos que só causam dor, sofrimento?
Dia desses recebi a ligação de uma ouvinte e leitora que me acompanha à distância, num dos estados do Nordeste do país. Ela estava arrasada. Queria um conselho. Estou longe de ter tal autoridade, mas, por causa do que tenho apresentado pela Rede Novo Tempo, ela me ligou. Precisava falar da angústia, da dor de um relacionamento que dura quase 15 anos.
O casal tem uma filha. A garota tem 12 anos. É apaixonada pelo pai. Entretanto, esse homem trai sua mulher há muitos anos. Já tem até outro filho, fruto de um relacionamento extraconjugal. Recentemente, ele começou a namorar outra garota. Essa esposa sabe de tudo, conhece a jovem, mas não consegue dizer para ele “acabou”.
Depois de ouvi-la se lamentar, perguntei:
- Você está feliz?
A resposta era obvia.
- Não, não estou feliz, disse do outro lado da linha.
Por isso questiono: por que insistimos naquilo que não nos faz bem? A resposta não é simples. Não é simples, porque a vida não é como somar “dois mais dois”. Não existe lógica nas emoções. E, no caso dos relacionamentos, nem sempre se consegue equação perfeita que resulta em felicidade, prazer, cumplicidade.
Vejo jovens, casais de namorados, que vivem se confrontando, mas não são capazes de se desgrudar. Parece haver uma química no conflito, no sofrimento, que os une. A dor serve de combustível para alimentar a relação. Chega-se ao ponto que a pessoa tem a impressão que não consegue viver sem aquilo. Isto é meio neurótico, mas plenamente explicável pela Psicanálise.
Este apego a coisas que não dão prazer também se aplica a outras situações. Tem gente que está sendo consumido pelo trabalho, por um chefe desumano, mas não consegue ver oportunidade além daquele emprego. O sujeito vai definhando, vive estressado, em alguns casos, chega a entrar em depressão, mas não rompe com o que lhe faz mal.
Há uma saída? Sim. Mas, por mais repetitivo que pareça, passa pelo se conhecer. Identificar que existe um problema, que há um sofrimento e que este pode ter um fim quando houver disposição para enfrentá-lo. E enfrentá-lo significa se abrir para um mundo novo, desconhecido e, por isso, tão assustador.
quarta-feira, dezembro 02, 2009
É preciso aprender viver
Por que a ligação que não veio nos perturba tanto? Por que a resposta que não recebemos nos soa como uma rejeição? Por que o sorriso que não vimos nos lábios de alguém nos parece falta de amor? Por que a pressa do outro entendemos como desprezo? Por que temos que ouvir tantas vezes que somos amados?
Porque há momentos em que projetamos um universo irreal. Idealizamos as pessoas, nossos amores sob a perspectiva que temos. Queremos ver ou ouvir uma vez após outra que somos importantes, amados, desejados. O sofrimento nasce em nós nesse complexo mar de emoções que nem sempre podemos decifrar.
Sabe, embora a razão torne a resposta simples, nosso coração não aceita. Gostaríamos que as coisas fossem diferentes. Não queremos aceitar que as linhas que escrevemos nem sempre se assemelham à história real.
Mas, não seria maravilhoso se sempre o cantar dos pássaros fosse tão expressivo e pudéssemos ouvir música no ar? Afinal, há dias em que acordamos assim. Até o incômodo som do despertador parece um convite para dançar.
Entretanto, por razões que a própria razão desconhece, o mesmo som que nos entusiasma causa furor. Os mesmos estímulos que nos fazem amar também nos fazem odiar. O que causou sorrisos ontem, hoje despertam nossas lágrimas. Inexplicável a complexidade do nosso ser.
O que é mais lamentável é a tendência de sempre responsabilizarmos o outro, o mundo e até mesmo os céus por coisas que só dizem respeito a nós. É verdade que não entendemos este mar de emoções. Mas elas são nossas. Ninguém tem culpa do que acontece no coração. Então, por que nosso sofrimento nos faz roubar o prazer de quem é inocente?
Não são raras as vezes que nos fazemos de vítimas quando a vítima de fato é a outra pessoa. Aquela com o qual convivemos – nosso amigo, amiga, marido, mulher, namorada… Está ali, diante de nós, não sabe o que passa em nosso coração e a olhamos como se fosse a origem da dor que sentimos. Chegamos ao ponto de despejarmos nossas frustrações sobre ela apenas porque queremos que experimente o que estamos sentindo, descubra, sozinha, o queremos.
Eu concluo… A insegurança é uma das causas das nossas mudanças de humor. Parece ser preciso ser rodeado de carinhos, bajulações, sorrisos e inúmeros “eu te amo” para entendermos o quanto significamos na vida de alguém. O problema é que essa mesma insegurança, que nos mata aos poucos, corrói o sentimento que o outro tem por nós. As pessoas não se sentem bem ao lado de quem não sabe viver.
segunda-feira, novembro 30, 2009
Na segunda, uma música
sexta-feira, novembro 27, 2009
Fato Pensado: apresentado no dia 27 de novembro
quarta-feira, novembro 25, 2009
Numa música, uma oração, um conforto, um descanso em meio às lutas
Por outro lado, o apóstolo Paulo não se torna compreensível. Como crer que é na fraqueza que estamos fortes? Que força é esta que não dá solidez ao espírito?
Muitas de nossas lutas não são de natureza externa. São internas, daquelas que se dão em nossa mente. Lutas nas quais parecemos estar sozinhos. Mas, com fé, encontramos Deus. E quando o identificamos percebemos que a batalha é pelo nosso coração. Uma disputa entre Deus e Satanás.
Sabe, caro amigo, não existe na trajetória cristã uma vida de plena paz. Recordo de um texto da escritora Ellen White que sustenta a tese de que, se não somos perseguidos, é porque não temos estado realmente comprometidos com Cristo. Quando há um desejo real de compromisso, certamente haverá perseguição. Esta não precisa ser promovida por pessoas. Pode vir maquiada como algo prazeroso, bom. Mas que coloca em xeque sua fé, seus valores, propósitos.
Nestes momentos, é preciso confiar. Confiar que o abandono é apenas um sentimento, mas que Deus está lá cuidando de você. Acreditar que Ele conforta através de palavras que podem estar nos Escritos Sagrados ou mesmo em canções inspiradas.
Desde segunda-feira, parece-me que O ouço conduzir-me em uma oração através de uma música do Diante do Trono. Todas as manhãs procuro abrir o coração e dizer aquilo que não pronuncio verbalmente:
E lavar meus pecados em teu rio de vida
Quero trocar meu pranto por óleo de alegria
Encontrar descanso em tuas águas tranquilas
Pra o meu espírito angustiado
Pois em tua presença senhor
Encontro tudo o que eu preciso
E rega meu coração com tua presença
Que este vale de ossos secos
Celebre e dance outra vez
Espero em ti, senhor
Por tuas vestes de louvor
E esta oração que conforta ainda me convida a vibrar na presença dEle, pois a vitória Deus garante. Se quiser viver este momento na presença do Senhor, veja e ouça "Vestes de Louvor".
sexta-feira, novembro 20, 2009
Na sexta, uma música
quinta-feira, novembro 19, 2009
Qual o verdadeiro sucesso profissional?
Há mais de um de ano, uma das revistas que estão sobre minha mesa tem a seguinte manchete: “Decisões de sucesso”. Trata-se da edição de abril do ano passado da revista Você S.A. O tema principal da publicação são decisões que fazem a diferença na consolidação de uma carreira profissional e no desempenho dos negócios.
Caro leitor, atualmente há milhares de revistas e livros que abordam diferentes aspectos da vida profissional. São dicas úteis, importantes e que, quando bem aplicadas, podem realmente impactar a nossa carreira.
Entretanto, ultimamente tenho pensado muito sobre o que representa esse sucesso. Que tipo de prazer proporciona ser o melhor na sua profissão? Existe felicidade no coração daquele que conquista todos os bens que sempre sonhou?
Dia desses uma mulher simples, zeladora, me perguntou quanto tempo trabalho diariamente. Respondi que começo meu dia por volta das seis e meia e quase sempre entrego minhas últimas atividades profissionais perto das 23h30. Afinal, são dois empregos e mais algumas obrigações extras.
Essa mulher, na simplicidade dela, perguntou: mas é preciso trabalhar tanto? Prontamente, respondi que sim. Preciso trabalhar muito. Tenho um compromisso com a família... Quando me casei há mais de 16 anos fiz um compromisso com minha esposa de tentar ser o melhor marido e isso incluía dar segurança financeira a ela e aos filhos que iriam nascer.
Hoje, trabalho muito para cumprir meu compromisso pessoal e para dar a minhas crianças uma educação de qualidade, manter o alimento na mesa e ainda proporcionar algum tipo de lazer a minha família.
Mas, sabe caro leitor, aquela pergunta continua repercutindo em meu coração. Não tenho uma folga financeira que me permita abrir mão das minhas atividades, mas, pense comigo, quantas vezes temos sido movidos apenas pela busca de uma carreira de sucesso, abandonando outros tantos valores e coisas que deveriam ser prioridade em nossa vida?
Pense um pouco mais: do que vale todo o sucesso profissional e não ter uma família estruturada, filhos ao redor da mesa, uma esposa ou um esposo que são de fato companheiros na jornada dessa vida?
Conheço pessoas que em nome da carreira profissional não tiveram filhos. Conheço outras que preferiram se casar duas, três vezes que abrir mão da carreira. Tem aquelas que tentam conciliar carreira e família, mas priorizam apenas o sucesso profissional. Com isso, os filhos crescem abandonados e, quando chegam à adolescência, tornam-se revoltados e encontram satisfação no mundo das drogas.
Concluo nossa coluna esta reflexão... Nossa busca por sucesso muitas vezes nos faz esquecer que aqui nesta terra estamos apenas de passagem. Quem se empenha em conquistar bens, riquezas, prazeres, pode estar esquecendo de cuidar da alma, do coração, da família, dos amigos.
Quanto ao nosso sustento, aquilo que precisamos para ter uma boa vida aqui na terra, o pensamento bíblico de Mateus 6, verso 26 pode responder melhor que eu as nossas preocupações:
“Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?”.
terça-feira, novembro 17, 2009
Celular para criança
Para entender por que não dar um celular para uma criança nessa idade, veja aqui um vídeo com o educador e psiquiatra Içami Tiba. Aqui ele responde a pergunta de uma internauta do UOL Educação.
segunda-feira, novembro 16, 2009
Ontem, hoje, amanhã
Gostamos da vida, mas sempre achamos que o melhor ainda está por vir. Às vezes me pego projetando como serão meus dias quando aposentar. Imagino o que vou fazer. Penso na possibilidade de dormir até mais tarde, descansar após o almoço, encontrar amigos, ter mais tempo para ler, escrever… Quem sabe até o livro que alguns amigos andam sugerindo.
São planos, projetos. Não significa que a vida hoje seja ruim. Pelo contrário. Tem momentos maravilhosos. Mas o que está nos sonhos parece mais encantador.
Talvez você não pense tão distante como eu… Afinal, minha aposentadoria – se é que algum dia tenha coragem, de fato, de parar de trabalhar – está para daqui 25, 30 anos. Mas creio que também tem planos. Todos nós temos.
Meus filhos têm os deles. Sonham ser adultos. Acham que ser adulto é o máximo. Vão poder assistir os filmes que desejam, sair com os amigos, dirigir o próprio carro, terão a própria casa e não serão cobrados pelas toalhas que esquecem sobre a cama e nem pelos brinquedos espalhados pelo chão. Ah… e nem escutarão mais a mãe pedir que ajudem a lavar e secar as louças.
Essas pequenas coisas que hoje não incomodam os adultos parecem um peso na infância. Por isso, as crianças vêem o universo adulto com uma certa inveja. Eles querem conquistar o direito de tomarem as próprias decisões, almejam o dia em que serão livres. Liberdade que desconhecem. Mas que faz parte do imaginário infantil.
Hoje, muitos de nós gostaríamos de retornar aos nossos primeiros anos de vida. Naquele tempo não nos ocupávamos das responsabilidades que agora temos. Quando olhamos para trás tudo parece muito simples. Tínhamos, inclusive, alguém que decidia por nós. Sentíamo-nos seguros. Errar poderia custar alguma repreensão – quem sabe até umas palmadas -, mas nunca perdíamos tanto. Sempre havia alguém para ajuntar os “cacos”.
Quando me pego olhando demais para o amanhã, idealizando o futuro, procuro exercitar a razão. Confesso que não é fácil. Porém, tento recordar da infância e ver que no passado também plantei muitos sonhos. Projetei os dias de hoje. Acreditava que eles seriam os melhores da minha vida. Por isso, não posso perder a oportunidade. Se deixá-los escapar, meus dias terão passado vazios.
O hoje é o único momento que verdadeiramente me pertence. A infância, a adolescência, a juventude são lembranças; também não podem ser alcançadas. E o futuro… Ah, o futuro só será realmente bom se souber aproveitar o aqui e agora. Do contrário, viverei de lembranças e com as culpas de ter deixado a vida passar.
sexta-feira, novembro 13, 2009
Na sexta, uma música
quarta-feira, novembro 11, 2009
Dominados pelo telefone
Entre os hábitos que tenho está o de desligar o celular sempre que vou falar com alguém. Quem geralmente liga para mim reclama: “por que não mantém o celular ligado?”. Outros dizem: “por que você tem celular, se está sempre desligado?”.
Embora não satisfaça quem está do outro lado da linha, entendo isto como uma forma de respeito à pessoa que está diante de mim. Afinal, não é nada agradável estar conversando com alguém e o telefone tocar.
Na semana passada, estava conversando com um conhecido que não via há algum tempo. Era um papo informal. Nada muito sério. Entretanto, no meio da conversa, o celular dele tocou. Tirou o aparelho do bolso e simplesmente interrompeu a ligação. Não fez comentário algum. Apenas continuou a conversa, como se nada tivesse acontecido.
Minutos depois, quando sentei diante do computador, postei no Twitter:
“Ganha minha admiração quem – quando está falando comigo e toca o celular – tem a capacidade de desligar o aparelho.”
Volto a dizer. É uma questão de respeito. Os telefones são importantes. Quem está do outro lado tem um motivo para ligar. Certamente precisa completar a ligação. Mas o que define a urgência de atendê-lo? O que justifica a ligação ser mais importante que a pessoa que está diante de mim?
Na verdade, tornamo-nos reféns desse aparelho. Ele é capaz de interromper qualquer conversa, qualquer reunião. Nas empresas, muitas vezes, a produtividade é diretamente afetada pelas constantes ligações.
Não foram raras as vezes que passei minutos e minutos, quase horas, na sala de alguém tentando discutir algum assunto, mas não conseguia por causa do “simpático” telefone. A cada frase, uma ligação. Impossível.
Desperdiça-se um tempo enorme, de duas ou mais pessoas, pelo simples fato de não haver capacidade para manter o aparelho desligado por alguns minutos.
Na verdade, a impressão que tenho é que a pessoa ali a sua frente não está presente. Ela é o típico “presente, ausente”. Tem-se o corpo físico, mas não se tem a mente, o coração.
Culpa da tecnologia? Não. As ferramentas tecnológicas não podem ser responsabilizadas por nossa incapacidade de lidar com elas e priorizar o que de fato é prioritário.
Por isso, quando o outro se mostra disposto a não atender o telefone, é como se estivesse dizendo: “você é importante. Nossa conversa me interessa. Quero ouvi-lo. Estou falando com você… Nada mais importa”.
sexta-feira, novembro 06, 2009
Kleber Lucas, Meu Alvo - Uma breve crítica
O CD que está rodando no carro esta semana é o novo do Kleber Lucas, Meu Alvo. Já disse aqui que gosto de ouvi-lo. O Kleber é um dos poucos artistas contemporâneos que conseguem surpreender o público. O álbum anterior, Comunhão, é um exemplo. Esperava um novo disco ao vivo, "barulhento", e ele apareceu com músicas mais tranquilas, tudo feito em estúdio, sem ruídos e "glórias e aleluias".
Meu Alvo já é mais barulhento. Tem a cara do Kleber. Canções ritmadas, um som mais agressivo. Entretanto, ele conseguiu mais uma vez fazer de cada música uma música. Letras autênticas, originais, reflexivas - um chamado à santidade e à adoração. Numa delas, Graça, tem espaço até para uma espécie de coral. Fantástico.
Por que estou falando do Kleber? Porque ultimamente está difícil ouvir a maioria dos lançamentos de música cristã contemporânea. Exemplo. Anos atrás, quando o André Valadão surgiu com Milagres, fiquei encantado. Como não sou muito fã de vozes masculinas, rapidamente selecionei-o como uma das minhas exceções. Até hoje é impossível não cantar a música título. Linda. Inspiradora. Entretanto, ao ouvir o álbum "Sobrenatural", fiquei com a impressão de ter escutado uma única música. Cansativo.
Por essas e outras, a gente vai ficando restrito a alguns poucos artistas que ainda conseguem nos surpreender.
quinta-feira, novembro 05, 2009
Reconhecendo nossos sentimentos
Com todos é assim. Claro, alguns sofrem mais diante de coisas que não dão certo. Ficam incomodados, entristecidos, divagando no meio do nada em busca de resposta para aquilo que, por si só, já nasceu sem solução.
Lembro agora de um dizer que não sei onde ouvi. “O que não tem solução, solucionado está”.
É verdade. Às vezes, sofremos por coisas que não temos controle. Por que isto acontece? Porque é de nossa natureza. O homem é esse ser complexo, quase incompreensível.
Como disse, cada um de nós responde de maneira diferente ao que ocorre conosco. Tem gente com a incrível capacidade de não se deixar afetar pelo que de negativo acontece em seu dia. Outros reagem de forma profunda. Sentem-se incapaz de prosseguir em suas atividades. Tudo parece negro.
Quem experimenta os sentimentos de forma tão intensa geralmente perde a chance de viver coisas positivas. Parece uma neurose. Foca-se no problema e o que há de bom é simplesmente ignorado. E, ainda que seja difícil acreditar, sempre há coisas boas acontecendo. Nossos dias são de derrotas e vitórias. Quando se esquece de comemorar as conquistas, valoriza-se demais as frustrações abrindo espaço para outros fracassos.
O primeiro passo para superar esse tipo de comportamento é reconhecer que não é bom viver assim. É necessário identificar o desequilíbrio. As decepções não devem ser superdimensionadas.
É verdade que não controlamos plenamente nossos sentimentos. Ninguém é capaz de dizer para si mesmo: “não vou ficar triste”. Mas é possível se esforçar para romper as barreiras criadas pelas circunstâncias desfavoráveis.
- Olhe pra você. Veja o quanto é capaz. Reconheça seu potencial. Identifique as coisas boas do seu dia, da sua vida – podem ser pequenas, mas elas estão aí. Ria da vida, inclusive dos tropeços, dos desencontros. Chore, se necessário. Mas não ignore que o desabafo nunca deve ser mais intenso do que você significa de fato – do ser humano que você é.
Sabe, conhecer a si mesmo faz uma enorme diferença. Nossos sofrimentos quase sempre permanecem sem sentido, porque desconhecemos nossos desejos, potenciais e fragilidades. Olhamos pouco para dentro de nós. Preferimos ver aqueles que estão ao nosso redor. Chegamos ao ponto de saber mais a respeito dos outros do que sobre quem somos.
Concluo dizendo, nossa caminhada por aqui se tornará mais leve, agradável, feliz – com direito a ter paz de espírito – quando soubermos quem somos. Isto nos fará capazes de responder melhor aos nossos próprios sentimentos.
segunda-feira, novembro 02, 2009
Na segunda, uma música
sexta-feira, outubro 30, 2009
Papa diz que só Igreja Católica pode interpretar autenticamente a Bíblia
A declaração foi feita no início da semana num encontro com estudantes e professores do Pontifício Instituto Bíblico. Categoricamente, o Papa sustentou que apenas a Igreja Católica pode interpretar "autenticamente" a Bíblia.
Tenho grande respeito pelos católicos. Mas, convenhamos, a declaração é absurda. A Bíblia é um livro sagrado. Entretanto, atribuir a uma igreja apenas a capacidade de interpretá-la é, no mínimo, menosprezar a inteligência das pessoas. Também é colocar-se numa posição de autoridade que Deus não deu a nenhuma igreja. Os próprios escritos sagrados não trazem nenhuma indicação de que o livro é selado, obscuro para os pobres mortais.
A afirmação do Papa é uma agressão as demais religiões. Mais que isto. É uma atitude de desrespeito aos cristãos fiéis, dedicados ao estudo, a busca do entendimento e da santificação por meio do conhecimento e da fé.
A compreensão da Bíblia nunca se deu e nunca se dará por meio de uma igreja, de uma religião ou de um líder religioso. Não são raras as citações bíblicas que apontam a necessidade do estudo da Palavra. Estudo este individual, sem a mediação da igreja ou de um líder.
Quando aprendemos apenas por meio de outros, e não na pesquisa pessoal, podemos ser manipulados, orientados a ter uma visão distorcida do "assim diz o Senhor". Basta observar a nossa volta. Quantos vivem um cristianismo fajuta por que não conhecem a Verdade? Notem, por exemplo, as bobagens ditas por alguns líderes que se utilizam da Bíblia para alardear a Teoria da Prosperidade. Eles alimentam o imaginário dos fiéis pregando que basta ter fé e disposição para dar dinheiro para igreja e todos os problemas financeiros estarão resolvidos.
Um texto precioso da Bíblia me vem à mente. Está no primeiro capítulo do Apocalipse.
Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas (verso 3).
O texto não diz apenas "bem-aventurado aqueles que ouvem". Também não diz somente "bem-aventurado aquele que lê". O escrito profético diz bem-aventurado aquele que lê e que ouve. Ou seja, não ignora a importância do mediador. Mas sustenta a necessidade da busca individual pelo conhecimento. E se existe a busca por si só do conhecimento, é porque a interpretação autêntica não está restrita apenas a uma instituição religiosa.
quinta-feira, outubro 29, 2009
Pedido de oração
segunda-feira, outubro 26, 2009
Nocauteados pela pornografia
Já falei aqui sobre os riscos da intimidade na rede. Também tratei da possibilidade de se tornar um viciado na web. Comentei sobre os crimes que acontecem pela internet. Noutras ocasiões, apresentei argumentos a respeito da pornografia.
Hoje quero voltar a esse assunto sob a perspectiva de como muitos homens são afetados pelo mundo das imagens e vídeos de sexo disponíveis na rede mundial de computadores.
Fico impressionado com a facilidade de acesso a esse tipo de conteúdo. Até mesmo nos principais sites de notícias encontramos propagandas e links para páginas especializadas em sexo. Tem de tudo. Fotos que exploram a sensualidade, masturbação, imagens e vídeos de casais fazendo sexo e conteúdo homossexual.
Não quero aqui detalhar o tipo de material disponível nesses sites. Gostaria apenas de refletir a respeito disso.
Como disse, fico impressionado com a facilidade de acesso a esse conteúdo. Não está escondido. Não é preciso usar nenhum sistema de buscas. Não há necessidade de ser um especialista para encontrar fotos e vídeos. Basta estar diante da tela de um computador. Qualquer site informativo reserva espaço para esse tipo de "entretenimento".
Sabe amigos, ninguém está isento de sentir tentado a navegar por essas páginas. Na verdade, vou mais longe. Diria que poucos são aqueles que não se sentem seduzidos a dar uma espiadinha. Está tudo ali - a um clique. Um único movimento no mouse coloca você diante de um shopping de pornografia.
Resistir é uma tarefa difícil. É preciso estar revestido do Espírito Santo. E se você deu uma "folguinha" para Ele, a carne é fraca. Vai vacilar. Quando se der conta, já estará há alguns minutos - ou até horas - vendo um desfile de imagens e vídeos pornográficos. Estará nocauteado pelo diante da tela do computador.
Homens cristãos são homens. Dotados de uma natureza pecadora. Estão sujeitos à sedução. Os escritos sagrados mostram que não é apenas o conhecimento do que é santo, puro e bom que nos afasta do pecado. O apóstolo Paulo chegou a dizer que aquilo que ele quer, não é capaz de fazer; mas o que não quer, isto ele faz. O texto é claro ao mostrar que nossa natureza é voltada para o pecado.
Por isso, volto a dizer, só a busca constante do revestimento do Espírito pode nos dar força para vencer esse tipo de tentação. Não adianta dizer: livre-se do computador, da internet. Isto é retroceder. Mas é preciso ter coragem e fé para resistir.
Por fim, um recado às mulheres. Mulheres, cuidem de seus maridos. Não ignorem suas carências afetivas. Sejam sábias. Não quero aqui responsabilizá-las pelo pecado deles. Mas auxiliem seus esposos na busca da santidade. E, no que diz respeito ao sexo do casal, lembrem-se da recomendação do apóstolo Paulo: "Não vos priveis um ao outro" (1 Coríntios 7:5).
quinta-feira, outubro 22, 2009
As mulheres estão infelizes
Foi na década de 1960 que as mulheres declararam sua independência. Buscaram oportunidades no mercado de trabalho, lutaram pela igualdade de seus direitos e assumiram seus desejos sexuais.
Mas o que parecia a realização de um sonho se transformou em frustração. Uma reportagem publicada pela revista Época desta semana revela que as mulheres estão infelizes. Elas nunca tiveram uma vida boa. Entretanto, hoje estão muito mais tristes.
Um estudo realizado por dois pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, mostra que houve um declínio da satisfação feminina nas últimas três décadas. Parece contraditório. Afinal, parte dessa insatisfação tem relação direta com as supostas conquistas da luta feminista iniciada na década de 1960.
Elas ampliaram seus horizontes. Mas o fato de terem espaço semelhante ao dos homens – no trabalho, na vida, no sexo – trouxe conflitos subjetivos. Os pesquisadores Betsey Stevenson e Justin Wolfers afirmam que “a vida das mulheres ficou mais complexa e sua infelicidade atual reflete a necessidade de realização em mais aspectos da vida, se comparados aos das gerações anteriores”.
Na prática, “as mulheres foram para a rua, mas mantiveram a responsabilidade emocional pela casa e pela família.” Como diz a jornalista Martha Mendonça, da Época, é o pesadelo da dupla jornada, física e emocional, que exaure as mulheres e destrói casamentos.
Exige-se demais das mulheres. Exigência esta, é preciso dizer, que nasce quase sempre na própria mulher. Elas sonham alcançar as mesmas posições e salários que os homens, buscam ter vida social e sexual ativa, querem ser mães e donas de casa eficientes, e ainda se sentem obrigadas a estar sempre jovens e bonitas.
É impossível dar conta de tudo. Quando se tem sucesso profissional, a vida pessoal – casamento e filhos – geralmente fracassa. Se a prioridade for o lar – cuidar do marido, dos filhos, do lar -, dificilmente haverá realização no mercado de trabalho.
A decisão é dela. Esta liberdade de escolher causa ansiedade, medo. Elas se pegam a questionar: o que é melhor? Carreira ou família? Não são raros os casos de mulheres que abriram mão do casamento para ter sucesso profissional e hoje relatam estar infelizes. Elas querem construir um novo relacionamento. Mas também não estão dispostas a abrir mão da carreira. Então, o que fazer?
Soma-se a essas incertezas a maior pressão de todas: a busca da beleza e da eterna juventude. Nunca se valorizou tanto o corpo belo e jovem. O apelo estético beira a irracionalidade. Por isso, quanto mais os anos passam mais frustradas ficam.
O estudo desses pesquisadores americanos sustenta essa tese: após os 40 anos, as mulheres estão mais infelizes. E não se trata de algo objetivo, que medidas práticas possam resolver. O conflito é interior, subjetivo, tem a ver com os desejos de realização, as projeções que se tem para a vida.
Por isso, estar de bem a vida é também uma escolha. Uma escolha de aceitação. De compreensão que na vida não se tem tudo que se quer. Como dizem por aí: ninguém pode abraçar o mundo. Ser bem-sucedido em tudo é impossível. É preciso priorizar e se satisfazer com as conquistas, sem lamentar as perdas que certamente existirão.
segunda-feira, outubro 19, 2009
A busca por santidade
Durante a tarde, outros grupos participaram. O Coral Canto Jovem do IAP também esteve por lá.
Para mim, o programa foi significativo. Fui profundamente tocado. O encerramento trouxe uma mensagem poderosa. Como há muito tempo, experimentei a sensação de que o Senhor Jesus falava comigo. Foi sublime. Ainda sinto a mesma emoção. E o profundo desejo de viver algo novo na minha relação com Deus. É difícil explicar, mas gostaria que outras pessoas tivessem recebido a mesma bênção.
Em meu coração ficou o desejo de buscar a santidade. Hoje, enquanto pensava nisto, lembrei de uma música do Ministério Trazendo a Arca. Embora incomode os mais conservadores, a canção talvez ela represente um pouco aquilo que mais quero neste momento.
sexta-feira, outubro 16, 2009
A ignorância de alguns de nossos líderes
...erramos quando dizemos apenas que a ciência está equivocada (o que pode ser verdade) e a religião, certa; devemos analisar ambas à luz dos fatos e procurar, quando possível, harmonizá-las, mostrando que ciência experimental é uma coisa e hipóteses e modelos científicos são outra; é necessário que os líderes religiosos tenham certo aprofundamento em cultura geral e que admitam desconhecer algum assunto quando confrontados por perguntas específicas (isso é humildade); depois devem pesquisar a fim de dar respostas coerentes e satisfatórias...
Borges está correto. Sinto-me incomodado por notar que, muitas vezes, nossos líderes religiosos ignoram a ciência. Levam para o púlpito apenas as mesmas histórias, os argumentos de sempre. Muita teologia, mas quase nunca aplicada aos problemas cotidianos. Relacionar a Bíblia com a ciência - ou com a mídia, outra deficiência crônica das igrejas - é algo que raramente acontece.
Não podemos cobrar que nossos líderes sejam "experts" nesses temas. Mas precisam se atualizar. Defendo que nossos pastores, anciãos, presbíteros etc leiam o que sai na mídia. Deveriam ter acesso a revistas como Super Interessante, Galileu, Veja, Época entre outras para levar ao púlpito argumentos que serviriam de base aos fiéis, quando confrontados por tais conhecimentos. Também entendo que precisam ler Capricho, Toda Teen, Nova, Claudia, Vip etc a fim de terem domínio daquilo que está na boca de adolescentes, jovens, homens e mulheres.
Quando ignoram o conhecimento ofertado meios meios seculares, nossos líderes deixam brechas para os membros sejam presas fáceis de argumentos científicos e outros nem tanto, mas que afetam a vida e formam a crença da sociedade atual.
quarta-feira, outubro 14, 2009
Nossa homenagem aos professores
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Nessa quinta-feira comemoramos o Dia do Professor. Não é feriado. Mas algumas escolas estarão fechadas. Outras, aproveitaram o feriado de segunda-feira e só voltaram às aulas nessa quarta-feira.
Lembro que, quando eu era criança, as turmas promoviam festinhas para os professores. Estudava em escola pública. Então, junto com os coleguinhas, comprávamos alguns refrigerantes, salgadinhos e cantávamos parabéns. Era nossa forma de homenagear o educador.
Recordo que tínhamos muito respeito pelos professores. Podíamos até não gostar de alguns deles, mas os víamos como autoridades. Cheguei a experimentar a necessidade de me colocar de pé todas as vezes que certos professores, coordenadores ou o diretor entravam na sala. Já era uma época em que nem todos cobravam tal atitude. Mas havia aqueles mais conservadores.
Confesso que sinto saudade daqueles anos. As lembranças me fazem sentir o gosto da infância. Ela parece voltar, ainda que apenas em imagens, guardadas na memória.
Mesmo sem saber muito bem o que representava ser um professor, já desejava me tornar um educador. Sempre tive prazer em estudar. Ter um bom desempenho era minha meta. Por isso, ainda que a vida tenha me levado por outros caminhos, nunca deixei de sonhar com a sala de aula.
Quando fui fazer jornalismo, já casado, com filhos, vislumbrei a chance de me manter na comunicação, mas aliar o prazer de dar aulas.
Hoje, me sinto um privilegiado. Mas o que vivo em sala de aula não é o mesmo experimentado por vários colegas, principalmente para aqueles que estão nas séries iniciais ou lidam com adolescentes em escolas da periferia.
O desrespeito ao professor se tornou uma rotina. A violência contra o educador deixou de ser apenas verbal. Não são raros os casos de agressão física. Muitos professores perderam a satisfação de dar aulas. É fácil ouvi-los reclamar. E hoje, não apenas dos salários defasados, insuficientes e pouco compensadores diante de tamanha responsabilidade.
Talvez por consequência de uma sociedade superficial, movida pelo espetáculo e em que o conhecimento é uma ausência, encontramos em sala vários alunos descompromissados, descomprometidos e desinteressados.
Diante de um quadro tão pouco motivador, o que dizer aos professores neste 15 de outubro? Não sei. Sei que muitos alimentam a crença de que a educação ainda é o único caminho para o desenvolvimento deste país. Eu diria mais. A educação é a chave que abre a porta da formação humana capaz de superar o individualismo e construir sujeitos preocupados com o bem-estar coletivo, empenhados em preservar a vida, o meio ambiente.
Entretanto, tem sobrado motivos para que professores percam a fé na educação. Por isso, quem sabe este dia seja uma oportunidade não para dizer: “parabéns professor”... Quem sabe seja uma nova chance de tirarmos a educação do discurso e a colocarmos como prioridade. Reconhecendo os problemas existentes, enfrentando-os e promovendo a transformação que tanto almejamos.
terça-feira, outubro 13, 2009
Programa sobre a gentileza que nos falta
segunda-feira, outubro 12, 2009
Treze anos de Novo Tempo em Maringá
Eu era bastante jovem. Mal tinha chegado na casa dos vinte anos. Conhecia de rádio. Trabalhava numa emissora na cidade de Umuarama. Foi lá que comecei meio por acaso aos 14 anos. Entretanto, tanto meu conhecimento quanto dos colegas era restrito. Falar a uma multidão de pessoas evangélicas, de igrejas diferentes, idades diversas, numa cidade que desconhecia a comunicação cristã era uma novidade. Novidade assustadora, confesso.
Afinal, qual a fórmula de sucesso? Como garantir que uma emissora exclusivamente cristã pudesse ter audiência? E mais que isto: patrocinadores? Gente disposta a apoiar financeiramente este projeto? Qual seria o retorno? Havia muitas perguntas sem resposta. Mas estávamos empolgados. Sem a presença da minha família, lembro que não tinha hora para entrar e nem para sair. Não foram raras as vezes que trabalhei até depois da meia-noite – mesmo depois de a Novo Tempo entrar no ar.
Hoje, treze anos depois, podemos dizer que acertamos. A emissora faz parte da vida de milhares de pessoas. E não apenas em Maringá. Mas tamanho sucesso não foi por nossa causa. Trabalhamos muito, nos doamos... No entanto, quem fez a diferença foi Deus. Só por Ele podemos dizer que a rádio conquistou tanta gente.
Ainda recordo que naquele dia 12 de outubro de 1996, quando a programação foi lançada oficialmente, o telefone disparou. Eram tantas ligações que não dávamos conta de atender. Em poucos dias o pessoal da antiga Telepar, empresa de telefonia, apareceu para conversar com a direção. Fomos informados que, apesar das cinco ou seis linhas disponíveis, perdíamos mais de 60% das ligações. Eram ouvintes que tentavam pedir música, fazer oferecimentos, elogiar a programação – e até reclamar. Afinal, nem tudo estava perfeito.
Menos de um ano depois, uma pesquisa sobre a audiência das rádios FM’s trazia a Novo Tempo em terceiro lugar. Uma vitória e tanto. Uma vitória que guardo com carinho entre as boas lembranças que tenho dos anos que ano passei vivendo o dia-a-dia desta abençoada emissora.
sexta-feira, outubro 09, 2009
A gentileza que nos falta
- Até é possível reivindicar boa educação – embora seja cada vez mais difícil. Mas é impossível exigir gentileza.
A falta de gentileza parece ter relação com algo que já discuti aqui, nossa disposição à intolerância. Não é difícil notar que as pessoas pouco praticam a tolerância. Sintoma do individualismo, que também rouba do homem sua capacidade de ser gentil.
E, por incrível que pareça, ainda que possamos racionalizar e considerar naturais tais sintomas da sociedade pós-moderna, a ausência de determinados comportamentos pode ser sentida, pois nossa humanidade reclama por bondade.
- Se cada um de nós fizer uma reconstituição mental do nosso dia, hoje mesmo, vai perceber que o pior dele foi causado porque não foram gentis conosco nem fomos gentis com os outros. Desde o bom dia que faltou, o por favor que não foi dito, a buzina desnecessária no trânsito, a cara fechada, o sorriso que economizamos, a ajuda que poderíamos ter dado e não demos, ou ainda a que não recebemos, o elogio que não veio, a crítica que deveria ter sido feita para somar, mas foi programada para massacrar, o veneno que escorreu da nossa boca e da dos outros. Uma soma de pequenos e desnecessários gastos de energia que só serviram para nos intoxicar.
Eliane Brum continua:
- Hoje, tratar mal as pessoas, marchar pelos corredores, fechar a cara, não dar bom dia e dizer coisas duras sem nenhum cuidado parece ser um atributo dos poderosos. Quase uma virtude.
Lamentável, não?
Talvez, para concluir, seja necessário lembrar o que é ser gentil. Afinal, se já não mais encontramos gentileza, é importante recordar.
Gentileza é o exercício cotidiano de vestir a pele do outro. É cuidar não de alguém, mas de qualquer um. Mesmo que ele não seja nosso parente, mesmo que seja um estranho. Cuidar por nada. Sem precisar de motivo. Cuidar por cuidar. [...] O resgate desta gratuidade, de algo que é dado sem esperar nada em troca, é o que faz nosso mundo estremecer.
quinta-feira, outubro 08, 2009
Já passamos das 200 postagens
A mensagem anterior foi a de número 200 neste blog.
Não é muita coisa perto do Blog do Ronaldo.
Por lá, completo 4 mil postagens ainda esta semana.
Mas considero uma vitória.
Por vários motivos.
Entre eles, porque manter um blog já é tarefa difícil.
Dois, quase impossível.
Mas vamos em frente.
E obrigado aos leitores.
segunda-feira, outubro 05, 2009
Emoção ou razão? Eis a questão
Espero que tenha uma boa leitura.
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O que é melhor? Deixar-se guiar pelas emoções ou se dirigir pela razão? A primeira vista, parece difícil responder. Quem se deixa guiar pelas emoções, experimenta momentos de puro prazer. Por outro lado, aceita os riscos de suas escolhas, quase sempre precipitadas.
Mas a vida de quem prefere conter as emoções e fazer escolhas racionais pode parecer bastante sem graça. Poupa-se da dor, mas sempre sobra espaço para aquela pergunta inconveniente: e se tivesse feito o que dizia meu coração?
Sabe, tenho prazer em filosofar a respeito da vida. Entendo que pensar alto a respeito de temas como este é uma forma de filosofia. Filosofia cotidiana, aplicada às questões humanas. Assuntos que nem sempre paramos para refletir. Entretanto, como fugir de temas tão importantes? Este, por exemplo: afinal, o que é melhor? Deixar-se guiar pelas emoções ou se dirigir pela razão?
Todos nós experimentamos ambas respostas. Há momentos em que optamos por fazer tudo aquilo que desejamos; noutras ocasiões, estamos mais racionais. Somos capazes de avaliar as consequências e optar pelo caminho mais seguro.
Porém, tenho a impressão que em momentos decisivos da vida a razão nos escapa. Somos traídos por nossas emoções. A paixão é um desses sentimentos capazes de nos cegar. E ela nasce no peito de qualquer pessoa. A paixão não escolhe suas vítimas. Há ocasiões em que é maravilhoso apaixonar-se. Noutras, pode se colocar uma ou mais vidas a perder.
Deixa eu explicar melhor… Tem gente incapaz de acreditar que alguém que possui uma família, um bom casamento, vive feliz na relação, seja capaz de apaixonar-se por outra pessoa. Mas esta é uma verdade para muitos maridos e mulheres. Às vezes, tudo parece perfeito. O coração está repleto… De repente, um novo alguém surge e arrebata seus pensamentos. Esse alguém parece tirar seus pés do chão.
Loucura, não? No entanto, há milhares de histórias de pessoas que já viveram tais sentimentos. É pecado? Creio que depende da maneira como se vive este momento. Vai se deixar levar pelos sentimentos? Ou optar por negar o coração? A resposta é decisiva. Em situações como esta se tem muita coisa em jogo. De um lado, a promessa de uma nova emoção, de puro prazer. E do outro? Manter tudo como está.
Nas ilusões do coração se tem a impressão que há mais ganhos quando se escolhe a primeira opção. Entretanto, nem sempre o coração tem razão. A alegria da novidade se transforma em dor assim que a lente de aumento da paixão se quebra e a realidade cotidiana revela toda sua face.
A novidade perde o encanto, e as perdas – da família, dos filhos, de amigos, da comunidade – se mostram mais dolorosas do que se podia imaginar. Nada se resolve da maneira desejada e o sofrimento impede que se viva o sonho idealizado quando houve o encantamento por aquele novo alguém.
Talvez você diga: mas é sempre assim? Reconheço, há exceções. Mas em especial no exemplo citado, deixar-se guiar pelas emoções é optar por provocar mágoas, dores, sofrimento, desejo de vingança. É ainda aceitar o risco de ter o remorso como companheiro.
sexta-feira, outubro 02, 2009
Saciando a sede de eternidade
Quem provou do amor de Deus e da unção do seu espírito
E bebeu água da vida e saciou a sua sede de eternidade
não poderá olhar pra trás jamais
Isto é significativo demais para mim. Faz-me pensar na experiência da eternidade. Salomão diz que Deus colocou no coração do homem o desejo de eternidade. Portanto, quem não provar do amor dEle, não tiver o coração cheio de Cristo, nunca se sente satisfeito. Fraquejamos sempre que tiramos o olhar do Salvador. Ou quando ainda não experimentamos de forma ampla e completa a salvação ofertada pelo Pai em Cristo Jesus.
Ouça, alegre-se e reflita.
segunda-feira, setembro 28, 2009
Os desafios de uma convivência a dois
Entretanto, entendi que ele queria que eu falasse mais sobre divórcio. Após desligar, fiquei imaginando… O que homem precisava? Estaria desesperado? Estaria pensando em se separar? Será que seu casamento já acabou? Não tenho as respostas. Mas sei que milhares de famílias estão se desfazendo todos os dias. São homens e mulheres que sonharam ter uma vida feliz, mas encontraram desilusão.
Tenho uma visão conservadora a respeito dos casamentos. Penso de acordo com os princípios bíblicos. Creio que duas pessoas devem se unir por amor e se tornarem um só ser. Por isso, defendo que a decisão de se casar seja um ato racional, responsável, consequente. Afinal, ninguém é obrigado a subir ao altar. Trata-se de uma escolha. E escolhas não se fazem de afogadilho.
Contudo, nem sempre é assim que acontece. Tem gente que namora dez anos. O casamento não dura seis meses. Talvez por que, muitas vezes, toma-se a decisão já imaginando: “se não der certo, separo”. É um direito. A lei permite. Até mesmo Cristo reconheceu o direito ao divórcio. Mas o que me impressiona é a incapacidade de alguns de exercitar a paciência e pôr em prática o amor.
O casamento pode ser qualquer coisa, menos algo fácil. Homem e mulher são diferentes por natureza. Num relacionamento, outras diferenças aparecem. São aquelas originadas na formação de cada um. Coisas simples… Por exemplo, um tem o hábito de tomar café pela manhã; o outro não. Um costuma jantar – arroz, feijão, carne, salada etc. O outro prefere um lanchinho.
Tem aqueles que são organizados. Separam meias, camisas, blusas, cuecas, calcinhas por cor. Os sapatos ficam divididos entre os de uso para o trabalho, para ocasiões informais, para festas… Já o conjugê é daqueles que vê problema em deixar tudo misturado. Esquece a toalha molhada por sobre a cama, bebe água na boca da garrafa…
Sabe, geralmente são as pequenas coisas que destroem um casamento. As pequenas diferenças, com o tempo, tornam-se irreconciliáveis. Chega um ponto que um não tolera o outro. As brigas ficam cada vez mais frequentes e as separações, inevitáveis.
É a solução? Depende. Acontece que na maioria das vezes os problemas que motivaram a separação acompanham os sujeitos. A pessoa sai do casamento, mas leva consigo o egoísmo, a intolerância, a mesquinhez e todos os outros sentimentos que não permitiram o sucesso da convivência a dois.
quinta-feira, setembro 24, 2009
Ricos, pobres, desigualdade
Quando vi a notícia, republiquei no Twitter. Acrescentei um breve comentário. Apontei: é revoltante. Não, não fico revoltado com os gastos dos ricos. Reconheço que muitos esbanjam, jogam dinheiro fora. Entretanto, o que leva à indignação é a desigualdade. Enquanto alguns têm muito, outros têm tão pouco. E os que vivem com pouco são a maioria.
Esta semana conversei com um pós-doutor em Economia da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp. Falávamos sobre a diferença entre crescimento e desenvolvimento econômico. As duas coisas, conceitualmente, são diferentes. Historicamente, o Brasil é uma máquina de crescimento. Entretanto, segue patinando quando o assunto é desenvolvimento.
O crescimento implica na geração de riquezas. O tamanho do PIB, o Produto Interno Bruto. Mas, quando não disciplinado, planejado, não beneficia a todos.
Já desenvolvimento é algo mais complexo, amplo. Estamos falando do crescimento de riquezas que resulta na promoção humana, que dá garantia mínima de acesso de um povo aos bens e serviços gerados por uma nação. E isto efetivamente não ocorre no país.
Entre 1930 e 1980, o Brasil foi um dos campeões mundiais em crescimento econômico. Superamos até mesmo o Japão, uma das mais importantes economias do mundo. Mas quanto avançamos na distribuição de nossas riquezas?
Boa parte da população não tem trabalho digno. Não tem renda suficiente para atender as necessidades básicas do homem – alimento, moradia, saúde, educação. Aqui não relacionamos sequer o direito ao lazer, fundamental para que a vida não se torne um fardo.
O governo federal argumenta que gasta bilhões em políticas públicas de promoção humana. O Bolsa Família é uma dessas alternativas. É preciso reconhecer, as pessoas atendidas ao menos conseguem ter alimento na mesa. E há, teoricamente, a contrapartida da educação. Mas é suficiente? Não. Chega ser uma agressão ao ser humano acreditar que o Estado cumpre seu dever ao oferecer, em média, 50 dólares/mês às famílias em situação de risco.
O dever do Estado é reduzir a distância entre ricos e pobres. Isto não se faz acabando com os ricos, como se tentou fazer no passado nos chamados países comunistas. Faz-se como resultado de políticas públicas que garantam condições iguais a ricos e pobres, e de intervenção direta em questões fundamentais como, por exemplo, o acesso à moradia. A contradição chega ser intrigante. Quem pode pagar, tem casa; quem não pode, depende do aluguel – ou vive de favor ou ainda nas favelas.
E os tributos? Um estudo recente revelou: o pobre é quem, proporcionalmente, paga mais impostos. E a educação? Os menos favorecidos dependem da educação pública, que, lamentavelmente, tem pouca qualidade. Na saúde? Vai para o SUS. Quando precisa de tratamento especializado, fica meses até anos na fila de espera.
Superar tamanha desigualdade deve ser vista como prioridade. Não apenas pelo governo. Deveríamos nos sentir responsáveis. As consequências afetam a nação. E o maior exemplo é a escalada da violência.
sexta-feira, setembro 18, 2009
Qual é o papel dos maridos?
Essas reportagens mostram um objeto a ser consumido (não muito diferente daquelas que nos apresentam as mulheres ideais). Não um homem concreto, para ser companheiro, pais dos filhos, para se viver por toda uma vida. Esse parceiro real tem contradições, falhas e nem sempre atende todas expectativas. Afinal, é ser humano. E ser humano é ser falho.
Homens e mulheres são assim. Quem espera o par perfeito apenas vê a vida passar. Nunca vai encontrar o príncipe encantado. Homens e mulheres de verdade têm oscilações de humor, má vontade, ficam doentes, sentem ciúmes, irritam-se, brigam, perdem a hora, batem o carro, ficam desempregados, perdem dinheiro, reprovam em concurso público, são egoístas, tímidos, falam demais… Enfim, seres humanos têm defeitos. Também estão cheio de virtudes. Basta ter disposição para identificá-las.
Entretanto, na relação homem-mulher às vezes fico observando a incapacidade de alguns deles de serem maridos. Fico imaginando se não deveriam passar por um cursinho preparatório. Confesso que tenho dó delas.
Não quero dizer que sou uma autoridade no assunto. Minha mulher, às vezes, também reclama de mim. Mas, como não há manual de marido perfeito, sinto-me no direito de dar meus pitáculos.
Observo algumas relações e vejo o quanto são exigidas nas obrigações familiares. Posso assegurar que tem alguns homens que merecem pena. São explorados por suas mulheres. No entanto, o inverso também é verdadeiro.
Tem marido incapaz de cuidar de um filho enquanto a esposa está fora. Conheço um que deixa a filha sozinha durante boa parte dos domingos enquanto ele joga futebol e faz churrasco com os amigos. A mulher trabalha, o marido vai se divertir e a criança fica em casa.
Sei de outro que nunca está com a esposa. A mulher carrega os filhos para todos os lados. Leva para a escola, busca, depois fica com as crianças na empresa durante toda a tarde. E ele? O marido dorme até perto das oito horas, vai trabalhar e prefere almoçar com a mãe dele a estar com a família. Só aparece à noite, quando os pequenos já estão dormindo.
Lembro de um marido que sempre está cansado. Nunca vi nada igual. Ele não tem tempo. O tempo dele é para o trabalho e para ficar de papo pro ar diante da TV. A mulher trabalha o dia inteiro, às vezes, no fim de semana. Mas o camarada é que está cansado. Ele chega antes dela em casa. Contudo, não pode ir ao supermercado fazer compras. Não busca uma encomenda pra ela. Ele usa o carro. Ela depende do transporte coletivo – e de favores dos amigos.
Talvez alguém diga: por que essas mulheres toleram esses homens? Não sei. Sei apenas que uma relação é feita de concessões e gentilezas. A paciência é um exercício diário. Entretanto, tem homens que parecem não ter se dado conta de suas responsabilidades. Casamento é sexo? Também. É necessário, fundamental na relação. Mas ser marido é cooperar, colaborar – inclusive nos afazeres domésticos. Quem pensa diferente não deveria se casar.
terça-feira, setembro 15, 2009
Sensações que experimentei na igreja
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Não posso ser totalmente ingrato ao meu passado dentro da "i"greja. Tanto quanto não posso ser ingrato com meus namoricos de adolescente. Me ocorre agora uma lembrança, ou melhor lembro-me de sensações que já não sinto mais. Sensações boas, perigosas e efêmeras...
Minha vida dentro das enfeitadas construções sagradas me trouxe muita bagagem da qual me orgulho. Embora possa questionar a estrada que peguei, e aceder que existia uma melhor trilha, não mudaria o meu caminho em detrimento de onde estou. Não posso dizer que não gostaria de não ter experimentado tudo o que vivi. Não, seria hipocrisia minha...
Lembro da sensação de viver uma dicotomia. De achar que vivia o Céu no fim de semana e voltava ao mundo de Segunda à Sexta - Sábado era o esperado culto de jovens. Aquilo para mim era o Reino, era a Igreja, era a Noiva, era Deus conosco... como na música que canta o Pe. Marcelo, não sabia se a igreja subiu ou se o Céu desceu... Era a minha sensação, minha experimentação espiritual mais pungente. Provavelmente aqueles cultos repletos de contrição coletiva, choramingos, berros extravagantes e línguas era fruto do louvor que estava "fluindo". E isso pra mim era deveras espiritual...
Eu ficava ali, na bateria, apenas observando, enquanto tocava (ou como dizia, ministrava), a igreja ceder aos nossos artífices de conduzir a massa em adoração... todos com os olhos fechados, faces enrugadas e espremidas, todos provocados pelo clima de "intimidade" com Deus. Às vezes, eu nem estava em êxtase, mas, fingia só para "induzir" a congregação. Os que não entravam no "mover", tínhamos por menos espirituais, ou no mínimo haviam cometido algum pecado durante a semana. É claro que, muitas vezes, eu próprio havia pecado durante toda a semana, mas, no Sábado eu me arrependia e orava para que Jesus me lavasse com o Seu sangue e me purificasse de todo pecado. Realmente o que fazia me confessar era a noção de "Presença" de Deus no fim de semana. Uma sensação que não experimentava durante o meio da semana e que me permitia procrastinar e pecar, confiante que Deus me perdoaria poucos minutos antes de "ministrar" louvor em "Sua Casa"...
Para mim, culto com "Presença" de Deus era culto com muito louvor, muita adoração extravagante e uma pregação tocante e, preferivelmente, com bastante eloquência e domínio das emoções dos espectadores... E, claro, se o louvor se estendesse naturalmente em resposta da congregação, ultrapassando o horário da pregação, isso era sinal de que o povo estava sedento de Deus! E se o pastor fizesse cara feia porque o louvor estendera-se era porque estava resistindo à direção do Espírito...
Aquele finalzinho de ministração de louvor, com aquela música Enche este lugar, e toda a igreja prostrada e declarando seu amor a Deus, chorando, gemendo, gritando... e a música ia se esvaindo devagar (sabíamos como criar um clima), iam sobrando apenas os sniff, sniff... Era uma sensação tão boa! Na verdade não desejava que aquilo acabasse ali, salvo quando estava atormentado pela culpa de algum pecado que me impedia de entrar naquele "mover" e, eu esperava que aquele lenga, lenga moroso terminasse o quanto antes!
É desta sensação de que me recordo agora... de forma nostálgica até! Sensação de Céu, de lá-fora-está-tudo-bem-obrigado, de não-me-preocupo-com-nada-porque-estou-"adorando"! E que me fazia desgostar tanto de ter que deixar aquele prédio sagrado para tornar à minha casa com minha mãe "descrente" e minhas irmãs "desviadas" e todo o "inferno" que vivia lá dentro. Claro, se minha referência de Céu era o culto, para mim o inferno era em casa: responsabilidade, relacionamento para cuidar, diálogo para administrar, tarefas para cumprir, problemas para superar, gente para amar, gente para odiar, gente para perdoar, falta de dinheiro para se preocupar... vida para viver! E sem abundância por sinal! Minha vontade era ficar recluso dentro da "i"greja, eu até tinha as chaves do templo! De maneira que para não ficar em casa, ficava lá dentro, ouvindo música, adorando, orando... FUGINDO!
Toda essa experiência religiosa era tão gostosa quanto ficar com as meninas(geralmente esse era o pecado de que devia me arrepender no fim de semana)! Aqueles beijos sem compromisso que elevavam a adrenalina (geralmente tinham que ser escondidos), que me causavam momentos de prazer, de satisfação efêmera... e que me fazia ir atrás de mais meninas pra ficar! Eu era dependente daquilo tudo... porque era como um ópio para mim! Uma válvula de escape, tal como beijar descompromissadamente (e, como não podia passar disso até o casamento, também descarregava de outra forma, o que também era um pecado frequente nas confissões antes de "ministrar"), tal como usar uma droga para fugir dos meus problemas, era assim que me viciava na "i"greja!
Mas, como disse, não posso ser ingrato nem com os beijos, frutos de imaturidade, nem com a experimentação religiosa e relacionamento com Deus de outrora, frutos de ingenuidade! Foram experiências que me trouxeram aprendizado e sensações arrebatadoras... mas, que não posso mais desfrutar porque cresci... e aprendi que não posso fugir da vida e achar que estarei seguro no interior de um templo, no ócio de um culto ou no ativismo de um ministério!
Agora sei que a Presença de Deus se faz em mim em todo o tempo, e essa noção de Deus Comigo, me ajuda a distanciar o pecado com maior eficiência e autenticidade. Não fujo mais da vida... mas, recebo a proposta de Cristo que veio para que eu tenha vida - viva- em abundância. Isso significa não ceder aos caprichos, problemas e relacionamentos que ela traz e não fugir como um covarde que não tem em quem confiar seu destino. Cristo é comigo, a quem (que) temerei?
Enxergo agora que se o Reino de Deus se resume aos mimos que experimentamos num culto, o mundo estaria sem esperança! Sei que o Reino já se estabelece nas nossas vidas à partir do momento que acedemos que Cristo reine em nós, tornando-nos Sua moradia! E implantando o Seu Reino aqui na Terra para que, quando Ele regresse, seja como no Céu!
Hoje, não preciso experimentar beijinhos (ou amassos) escondidos com cada gatinha diferente por aí, tenho com quem me RELACIONAR em compromisso, confiança e fidelidade. Hoje não preciso me entorpecer num ambiente sagrado achando que estou me relacionando com Deus... e esperar uma semana para experimentar outra vez a mesma sensação! Não preciso de lugar, hora, dia, ou programação com gente para me RELACIONAR com Deus!
Nem só de sensações boas viverá o homem...
Fonte: Pavablog
quinta-feira, setembro 10, 2009
Os riscos da intimidade na rede - II
Dia desses falei aqui sobre os riscos da divulgação de nossa intimidade na internet. O assunto é mesmo sério, complexo. Afinal, ninguém está isento de se tornar vítima na rede mundial de computadores. Dependendo da situação, há risco inclusive de desmoralização. Não há privacidade. Famosos e não famosos, gente importante ou anônima podem ter suas histórias exploradas na rede.
Tempos atrás uma mulher fez uma fotografia da família. Nada demais. Apenas uma bela imagem. Ela colocou numa das redes sociais. A imagem estava aberta. Qualquer pessoa podia vê-la. Meses depois, essa senhora fez uma viagem. Foi até outro país. Enquanto fazia compras num supermercado foi surpreendida… Encontrou a foto da família dela no anúncio de um produto.
Felizmente, foi algo sem grandes consequências. Embora o uso da foto, sem autorização, seja passível de uma discussão judicial – com direito à indenização -, essa mulher não sofreu perdas. A família não sofreu uma exposição vergonhosa.
Mas nem todos os desfechos são semelhantes. Talvez você até conheça história de famosos brasileiros que já tiveram suas fotos usadas, criminosamente, em materiais de divulgação de pornografia. Luma de Oliveira foi uma das vítimas. Juliana Paes, também. A atriz global chegou a estampar a capa de um filme pornô.
Na verdade, as diferentes ferramentas tecnológicas acabaram com a privacidade. Alguém que esteja passeando na praia pode ter sua foto, um vídeo seu, divulgado na internet. Isto, sem que a pessoa saiba. Que o diga Daniela Cicarelli… A modelo e apresentadora foi pega numa situação constrangedora, íntima. A gente pode até argumentar: isso não é o tipo de coisa que se faz numa praia. Mas mesmo quem não está fazendo absolutamente nada semelhante a Cicarelli pode ser vítima da rede.
Por exemplo, tem gente que não se sente confortável diante das câmeras. Acha que está gordo, não gosta do nariz, tem vergonha da careca… Enfim, um amigo, colega ou conhecido pode fotografá-lo e expor sua imagem nas redes sociais. A performance num salão de festas e até na igreja, muitas vezes, é alvo das câmeras digitais. Em pouco tempo o vídeo estará no Youtube. Para o bem ou para o mal.
A desastrosa apresentação da Vanusa ao cantar o Hino Nacional é uma prova concreta de que não há limites na internet. Tivesse acontecido anos atrás, o máximo que teria ocorrido à cantora seriam algumas notas nos jornais locais, um ou outro comentário. Passado algum tempo, a própria Vanusa poderia citar o fato como uma de suas maiores gafes nesses programas com famosos. Ficaria nisso. Entretanto, a cantora virou alvo de chacota. Tudo porque a rede não conhece limites.
Por isso, o mais recomendado ainda é: não faça nada que possa lhe trazer constrangimento ou vergonha. É difícil alegar inocência. Estamos sendo vigiados. Há câmeras por todos os lados. Não devemos ficar paranóicos, mas é preciso reconhecer que, hoje, não apenas nossas “quedas” ou “trombadas” têm chance de ficar “famosas” nas Vídeo Cassetadas do Faustão.
terça-feira, setembro 08, 2009
Os riscos da intimidade na rede
Os três casos têm semelhanças, embora cada um deles esteja numa fase diferente. Em comum, o fato de não terem cuidado com as novas ferramentas tecnológicas.
Vamos entender… A professora mencionada tem apenas 28 anos. É jovem, bonitona, solteira. Até dias atrás dava aulas para crianças de cinco anos numa escola particular de Salvador, Bahia. Em junho passado, foi ao show de pagode da banda O Troco. Não tinha idéia que uma diversão momentânea causaria tanto sofrimento.
O hit do grupo é a música “Todo Enfiado”. Em cada apresentação, o cantor convida pessoas da platéia para fazerem, no palco, a coreografia. A dança é provocativa e, num trecho, o vocalista puxa o vestido da candidata e segura sua calcinha reforçando a frase de efeito da música. Quem sobe ao palco conhece cada movimento da dança sexual. E lá estava a professora. Só não imaginava que pudesse se transformar numa “celebridade” do Youtube (várias pessoas gravaram sua performance e colocaram o vídeo na internet).
A divulgação levou vizinhos, gente do bairro e pais de alunos a conhecerem o lado noturno da educadora. Além de ser hostilizada, obrigada a mudar de endereço, foi demitida. A escola alega que a jovem era boa funcionária, mas precisava preservá-la.
A instituição fez a coisa certa? Não sei. Ninguém tem direito de invadir a privacidade alheia. Nela, cada um faz o que desejar. Por outro lado, o que era privado tornou-se público e as crianças precisam ter no educador um modelo.
Mas, de uma coisa sei: a professora está arrependida. Não imaginava estar sendo filmada. Não faria de novo. Entretanto, agora é tarde. A dança dela está lá pra quem quiser ver. E já viram mais de 100 mil pessoas. A vida dessa jovem mudou de rumo por ter se exposto por apenas três ou quatro minutos.
E a atriz? Esta ainda não foi envergonhada publicamente. Contudo, teme experimentar o drama conhecido pela professora. Por isso, quer a máquina fotográfica de volta. A preocupação não é com o equipamento; são com as fotos sensuais que ali estão arquivadas.
Já os rapazes não pensam nisso. Talvez não se deram conta que a vida, a intimidade deles é observada por algumas dezenas de seguidores do Twitter e por quem quiser dar uma olhadela no microblog. São marcas que às vezes permitem tratamento preconceituoso ou mesmo a perda de oportunidades de trabalho. Não por causa da homossexualidade, mas pela incapacidade de se preservarem.
Na verdade, nas três situações temos um quadro típico da atualidade. As ferramentas tecnológicas são encantadoras, fascinantes e nos abrem inúmeras possibilidades. Os equipamentos digitais fotografam, filmam e tem tantas outras funções que, por um instante, pode parecer inocente se deixar expor diante das lentes.
Com os blogs, Orkut, Twitter, Facebook, Youtube etc temos ferramentas que democratizaram o processo de comunicação. Todo mundo pode produzir conteúdo. Desconhecidos se transformam em celebridades. No entanto, a diversão às vezes custa caro. É impossível dimensionar as consequências da divulgação na rede de algo íntimo, privado. Por isso, um pouco de cautela, pudor, bom-senso, racionalidade ainda é o melhor que se tem a fazer.
sexta-feira, setembro 04, 2009
Um olá, uma música...
Vou aproveitar o fim de semana para ver meus pais, sogros, a família.
São eles as coisas mais preciosas para mim.
Fico impressionado com os hábitos contemporâneos.
Assustado em ver que muita gente já não preza a família.
Tem gente que consegue ficar meses, anos, sem ver os pais.
Outros acham casamento algo descartável.
Particularmente, não consigo me ver sem essa referência.
É meu chão, minha razão de viver.
Bem, mas hoje não é dia de produzir uma reflexão sobre o assunto.
Já falo com frequência sobre este tema por aqui.
Nesta sexta, quero apenas deixar uma música pra você ouvir.
É do Kleber Lucas. Um dos meus cantores preferidos.
E a canção me encanta... Sugiro, inclusive, o DVD do Kleber.
Comunhão, é o que tem essa música.
Bom fim de semana a todos!
quinta-feira, setembro 03, 2009
O blog da Novo Tempo de Maringá
Coisas de Bia... A locutora da emissora.
Ela é criatividade, inovadora e, por sua iniciativa, a NT criou um blog.
E está o maior sucesso.
Diariamente, dezenos de leitores passam pela página.
Muita agente aproveita para fazer download dos programas.
Legal mesmo!
Gosto dos blogs.
Não apenas porque estou postando há quatro anos...
Mas pelo que representam essas páginas.
Sinceramente, é muito melhor que manter um site.
Portanto, parabéns à Bia e a Novo Tempo.
terça-feira, setembro 01, 2009
As oportunidades nossas de cada dia
O que me impressiona é a ausência de percepção de que as oportunidades existem. Infelizmente, vamos perder algumas delas. Não tem jeito. Por medo, timidez, ansiedade, precipitação, miopia etc, certas chances que a vida nos oferece simplesmente ficarão no reino do “e se”. E se eu tivesse pedido aquela moça em namoro? E se eu tivesse aceitado aquele emprego? E se eu tivesse falado com o fulano? O “e se” não existe. É só uma hipótese para especularmos diante de algo que não volta mais.
Lembro de um amigo que gostava muito de uma garota durante o período escolar. Era apaixonado por ela. Via na jovem tudo que gostaria de encontrar numa mulher. Sentia ciúmes dos relacionamentos que ela mantinha. Observou e até a confortou nas vezes que terminou namoros. Sabia que podia ser o cara que a garota procurava. Mas a convivência e amizade o impediram de dar o passo decisivo. Ele nunca perguntou: “você quer namorar comigo?”. Vale dizer que essa pergunta, hoje, caiu em desuso, mas, na época, era fundamental para começar um relacionamento.
No dia em que se casou, a garota estava lá. Não como noiva, mas no papel de madrinha. Nunca soube se ela aceitaria ficar com ele. Perdeu a chance de ser feliz? Talvez não. A vida quem sabe tenha sido generosa dando-lhe uma outra companheira. Mas a pergunta ficou: “como seria se tivesse tido coragem de vencer o medo e a pedisse em namoro?”. Teria dado certo? Ou seria trágico? Nunca saberá.
Entretanto, não se perdem oportunidades apenas nos relacionamentos. Na vida profissional sobram exemplos de pessoas que poderiam ter conquistado sucesso, mas esbarraram numa certa inocência ou na pouca crença de que são capazes. Às vezes a chance está lá, mas a pessoa não acredita. Tem ocasiões que falta tão pouco - quem sabe algumas horas de dedicação a mais, um pouco de comprometimento, demonstração de vontade, disciplina, rigor com horários, ousadia, criatividade. No entanto, a pessoa não consegue ver que o momento decisivo está diante dela.
Isto acontece muito com nossos jovens. É natural. A adolescência, a juventude são feitas de erros e acertos. São os erros que contribuem para a construção do indivíduo. São os erros que nos capacitam a ter melhores critérios de julgamento, mais experiência. Certamente, decisões que tomo hoje poderão causar arrependimento amanhã. E, se fossem tomadas amanhã, a escolha poderia ser outra.
Ainda assim, entendo que há um caminho de sabedoria. Quando se trilha por ele, é mais fácil descobrir e se apropriar das oportunidades que a vida oferece. Mas a sabedoria é algo que se conquista por meio do estudo, da observação, da capacidade de ouvir, de buscar conselhos, da escolha de boas amizades, do respeito e atenção aos mais velhos.